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’Pedrada’ de canábis e álcool, bombeira atropela 5 peregrinos de Fátima e foge sem prestar socorro 07 Janeiro 2023

Em maio de 2018, cinco peregrinos de Fátima foram atropelados por uma condutora que vendo um deles caído na estrada saiu do carro e desviou-o para poder seguir marcha e deixar o local sem prestar socorro ao caído. Essa pessoa "extremamente ferida" ficou paraplégica e veio a falecer um mês antes da leitura da sentença que veio a ditar a prisão efetiva da condutora, bombeira de profissão, por cinco anos e seis meses.

’Pedrada’ de canábis e álcool, bombeira atropela 5 peregrinos de Fátima e foge sem prestar socorro

Mais de quatro anos depois, neste último 21 de dezembro, a sentença lida no Tribunal de Santarém — a menos de 100 km de Lisboa — lembrou o flagelo dos acidentes rodoviários em Portugal e considerou "impressionante e incompreensível" a sucessão de atos repreensíveis que resultaram na tragédia: a arguida, de 26 anos, vinha de uma festa em que consumiu álcool e canábis, foi conduzir "pedrada" e depois de atropelar os peregrinos desviou uma vítima "em pré-morte" para poder seguir a marcha.

No acórdão, lido no dia 21 de dezembro, o presidente do colectivo de juízes do Tribunal de Santarém concordou com o Ministério Público que pediu os cinco anos e meio de prisão efetiva contra a arguida. Ela foi ainda "condenada na pena acessória de inibição de condução por dois anos e seis meses".

O tribunal deu como provados os factos constantes da acusação do Ministério Público: prática de sete crimes, um de homicídio por negligência grosseira, quatro de ofensa à integridade física por negligência (um deles grave), um de condução perigosa de veículo e outro de omissão de auxílio.

O coletivo de juízes, escudando-se no alto número de mortes nesse ano de 2018, 875 pessoas mortas nas estradas portuguesas, entendeu não atender o pedido da defesa que nas suas alegações finais justificava a pena suspensa com o facto de a arguida não ter antecedentes e trabalhar de forma "honesta" para criar um filho menor em regime de guarda partilhada.


Tribunal sem mercê

No julgamento que arrancou em outubro depois de um atraso que mereceu uma reportagem da CMTV em maio de 2022, a procuradora do MP pediu "uma pena justa". Lembrou que "após o ’atropelamento e fuga’ ocorrido por volta das 5 da madrugada de 20.5.2018", a jovem condutora "foi detida pela GNR e internada compulsivamente no Hospital de Torres Novas, após novo despiste, em contramão, junto às portagens da A23, no acesso à A1" para a capital.

Pelo mesmo diapasão afinaram os advogados das cinco vítimas. O atropelamento deu-se a vinte quilómetros do Santuário de Fátima , na localidade de Venda, que é o ponto de encontro de vários grupos de peregrinos que chegam do sul.

Em sua defesa, a bombeira afirmou que em 2018 estava a sofrer de "depressão profunda". Relatou que depois de procurar "muita ajuda" regressara ao trabalho no início de 2022 e enfatizou o apoio que dá a doentes que fazem hemodiálise, como uma forma de "fazer o melhor".

A este ato de contrição, o tribunal replicou: "Esperamos que aproveite esse tempo [de prisão efetiva] para ponderar o que aconteceu e "rever a sua vida futura". O tribunal recomendou que a arguida deve "deixar de conduzir veículos, sobretudo ambulâncias de transporte de doentes", que era a sua função como bombeira.

Fontes: Mirante/

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