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Pedro Pires: Amílcar Cabral é uma figura “central e insubstituível 12 Setembro 2020

O comandante Pedro Pires afirmou que Amílcar Cabral é uma “figura insubstituível” que marca para sempre a história cabo-verdiana, ressaltando que um “Estado que se prese deve valorizar seus heróis, seu passado e as vitórias do seu povo”.

Pedro Pires: Amílcar Cabral é uma figura “central e insubstituível

Pedro Pires, que é também presidente da Fundação Amílcar Cabral (FAC), fez estas afirmações em entrevista à Inforpress, a propósito do 96º aniversário do nascimento de Amílcar Cabral, considerado o pai da nacionalidade cabo-verdiana, que se celebra hoje, 12 de Setembro.

No seu entender, Amílcar Cabral, pelo papel que desempenhou e por tudo aquilo que fez por Cabo Verde, pela Guiné-Bissau e Africa, merece um “tratamento diferente”, afiançando que recordar e celebrar vida e obra de Cabral é “muito importante” para o país.

“Cabral é uma figura insubstituível, que marca para sempre a nossa história. É importante celebrar Amílcar Cabral pelo seu papel histórico no quadro do pensamento do futuro de Cabo Verde e dos povos colonizados africanos e esse papel obriga-nos a lembrar sempre de Amílcar Cabral e a interrogar sobre Amílcar Cabral”, defendeu o ex-Presidente da República.

Segundo Pedro Pires, para além do sonho e da liderança politica, Amílcar Cabral deixou um legado teórico, cultural e politico muito importante, considerando, neste sentido, que a sua dimensão extravasa Cabo Verde, Guiné-Bissau e África para ganhar, assim, uma dimensão universal.

Ao definir este herói nacional, o presidente da FAC afirmou que lembra dele como sendo "uma pessoa simples, amiga, modesta, atractiva, persuasiva, um verdadeiro pedagogo, com uma qualidade rara e que fazia tudo pelo crescimento politico, moral e intelectual dos seus companheiros".

Abordando o legado deixado por Amílcar Cabral, Pedro Pires afirmou que sem esta figura histórica, o destino e a história de Cabo Verde e da Guiné-Bissau seriam totalmente diferentes, sublinhando que a historia de um povo não se faz com “ses”, mas sim com factos.

“Seria outro caminho, outra escolha. Não seríamos o mesmo Cabo Verde. Quem é que iria liderar a luta, não estou a dizer que era o único, mas não estou a ver, pelos meus conhecimentos e vivências não encontrei entre os cabo-verdianos, mesmos os mais ilustres, não encontrei ninguém com a estatura, dimensão política ética, moral e o patriotismo de Amílcar Cabral”, declarou.

Questionado, qual o lugar que Amílcar Cabral, enquanto herói nacional, ocupa na sociedade cabo-verdiana, Pedro Pires referiu que o lugar dele no coração de Cabo Verde enquanto figura central da libertação do povo e da conquista da soberania de Cabo Verde é único.

Para as gerações vindouras, o comandante exortou as mesmas a terem curiosidade de conhecer melhor suas as ideologias, seus ensinamentos e obras e essa figura histórica, que, reforçou, deu a vida pela independência dos dois países.

Segundo ainda a Inforpress, o presidente da FAC defendeu a necessidade de se colocar em prática os ensinamentos de Cabral, destacando a recomendação sobre a necessidade de “todos pensarem pelas suas próprias cabeças e caminhar pelos próprios pés", como uma das mais marcantes.

Pedro Pires advogou, por outro lado, uma maior valorização da personalidade de Amílcar Cabral e todos os protagonistas desta grande “gesta épica” que foi a libertação de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

“Uma pessoa com a dimensão histórica de Amílcar Cabral não lamenta, não pedincha para que seja reconhecido. Acho que um Estado que se prese, do meu ponto de vista, deve valorizar a sua história, o seu passado, a sua resistência e as vitórias do seu povo, e é quando valorizamos tudo isso é que valorizamos Amílcar Cabral”, declarou.

Amílcar Cabral nasceu a 12 de Setembro de 1924 em Bafatá, Guiné Conacri, filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora. Cabral foi poeta, agrónomo, e “pai” da independência conjunta de Cabo Verde, a 5 Julho de 1975, e Guiné-Bissau, oficialmente a 10 Setembro de 1974.

Cabral partiu para Cabo Verde com apenas oito anos, acompanhado a sua família. Enquanto estudante, conseguiu uma bolsa de estudos para ingressar na universidade onde estudou Engenharia Agrónoma no Instituto Superior de Agronomia, em Portugal.

Foi dentro da sua “nova” vida universitária que Cabral começou a envolver-se mais com as ideologias oposicionistas e fundou o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em 1956.

A 20 de Janeiro de 1973, o fundador do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, actual Partido Africano da Independência de Cabo Verde - PAICV) Amílcar Cabral foi assassinado na Guiné-Conacri, a oito meses da declaração de forma unilateral, da independência da Guiné-Bissau, escreve a Inforpress.

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