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Pedro Pires e Estado soberano: Os cabo-verdianos devem ter orgulho da sua identidade 05 Maio 2019

O Comandante Pedro Pires foi homenageado, numa sessão especial, promovida pela Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria (ACOLP), que decorreu, este sábado,04, no Hotel Vulcão, na Ribeira Grande de Santiago - Cidade Velha. Nesta iniciativa que visou assinalar os seus 85 anos de idade, o ex-Presidente e Primeiro-ministro de Cabo Verde fez questão, perante mais de 300 individualidades presentes, de trazer para o debate nacional a necessidade de os cabo-verdianos se sentirem orgulho de terem a sua identidade própria. Uma conquista que, segundo ele, advém da luta que se travou para a sua liberdade e a construção de um Estado soberano democrático, que tem ainda muitos desafios para vencer.

Pedro Pires e Estado soberano:  Os cabo-verdianos  devem  ter orgulho da sua identidade

Este discurso com forte sentido de estado, surge no momento em que se debate a polémica surgida com as declarações do deputado do MpD, Emanuel Barbosa, que disse ser exagero considerar Amílcar Cabral como figura do Estado. Numa referência indirecta a este caso, Pedro Pires aconselhou aos mais de três centenas de convidados presentes – entre combatentes, antigos membros dos governos da I República, militares, dirigentes da Esquerda com a sua líder Janira Hopffer Almada, individualidades da sociedade civil – para prescindirem de responder as declarações que não têm importância.

O Comandante da Brigada, que foi um dos discípulos de Amílcar Cabral durante a luta da liberação da Guiné e Cabo Verde, fez questão de trazer ao centro do debate a necessidade de os cabo-verdianos se sentirem orgulho de terem uma identidade própria como povo. Uma conquista que, segundo ele, advém da luta que o PAIGC travou para a sua liberdade e a construção de um Estado soberano democrático, que tem ainda muitos desafios para vencer. Citou, entre outros exemplos, que, sem a independência nacional, a Cesária Évora que cantou a morna em crioulo e não em português, dificilmente seria a Rainha de Pés Descalços e Embaixadora de Cabo Verde além-fronteiras.

Momentos emocionantes e da cultura

O momento mais emocionante da cerimónia foi, depois da sua abertura pelo presidente da Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria – Comandante Carlos Reis, quando Pedro Pires agradeceu os presentes, afirmando estar feliz por ter todos ao seu lado, estar com a saúde e lucidez, apesar de contar com a avançada idade de 85 anos.

A sessão de homenagem conheceu o ponto alto com uma forte animação cultural, em que não faltaram músicas de intervenção, sobretudo as de luta de libertação nacional, com Olímpio Varela (violino) e banda, Terezinha Araujo, Xisto Almeida, Mário Lúcio, Braz Andrade, entre outros. Isto sem contar com a atuação de um grupo de batucadeiras, declamação de poema, almoço-convívio, entre outras atividades.

Universidade Checa destaca figura de Pedro Pires

Entretanto, o ASemanonline apurou que Pedro Pires recebeu também uma felicitação do Departamento de Filologia Portuguesa da Universidade de Masaryk da República Checa, na qual foi destacado como uma figura de destaque na história da África e do mundo. «Hoje (04 de Maio), nesse grande dia, na ocasião do seu octogésimo quinto aniversário, gostaria de lhe dirigir, em nome do Departamento de Filologia Portuguesa, na Universidade de Masaryk em Brno na República Checa, umas palavras que, por poucas que sejam, exprimem a nossa grande e sincera admiração por tudo que o senhor (ex)Presidente fez pela história de Cabo Verde. O senhor Presidente é uma esperança eterna da humanidade, uma ícone da sociedade, da cultura e da história e um grande não só para o povo cabo-verdiano, como também para quem vive fora da África e deseja viver em democracia e conservar aqueles valores humanos, dos quais o senhor Presidente é um símbolo representativo e que, devido a tais importantes personagens, como é o senhor Presidente, creio e acredito e desejo que nunca vão cair em esquecimento, por maiores que sejam as ameaças», lê-se na missiva assinada, em nome dos Estudos Lusófonos da referida universidade, pela professora associada de língua portuguesa, Iva Svobodová.

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