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Personae non gratae: Rússia expulsa diplomatas solidários com Navalny — Opositor russo condenado escreve a apoiantes 06 Fevereiro 2021

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo justificou, na sexta-feira, 5, que a expulsão dos diplomatas da Alemanha, Polónia e Suécia se deve a terem participado em "manifestações ilegais" no dia 23 de janeiro. A expulsão dos diplomatas já foi objeto de condenação pelos seus respetivos países e União Europeia. A França "express[ou] solidariedade" com os diplomatas.

Personae non gratae: Rússia expulsa  diplomatas solidários com Navalny — Opositor russo condenado escreve a apoiantes

Os três, um alemão, um sueco e um polaco tinham-se juntado a manifestantes que protestavam em solidariedade com Alexei Navalny. O opositor de Putin foi detido no aeroporto Sheremetyevo de Moscovo a 17 de janeiro, no regresso da Alemanha para onde foi levado em perigo de vida após envenenamento com um neurotóxico.

A detenção de Navalny no regresso a Moscovo tinha sido previamente anunciada pela justiça russa. O opositor do regime estava desde 2014 sob liberdade condicional — logo, proibido de deixar o país — num caso judicial que o TEDH-Tribunal Europeu dos Direitos Humanos em 2017 considerou "injusto", "motivado politicamente".

O ativista de 44 anos foi detido pela polícia no controlo de passaportes do aeroporto de Sheremetyevo (depois de uma primeira paragem no aeroporto de Vnukovo onde estavam dezenas de apoiantes que acabaram presos. Depois disso já se contam por milhares os manifestantes presos, 600 dos quais só desde terça-feira, 2).

Navalny regressava de Berlim, para onde tinha sido transportado há cinco meses, após ser acometido de súbita doença que os seus próximos suspeitaram ser envenenamento.

O hospital alemão e um laboratório sueco certificaram que Navalny tinha sido "envenenado com o neurotóxico Novichok, que é um modus operandi presente em mortes de vários oponentes do regime russo", segundo a imprensa de referência.

1ª mensagem da cadeia aos apoiantes ’Sinto-me livre’

Três semanas decorridas sobre a sua detenção, Alexey Navalny enviou por intermédio dos seus advogados uma mensagem aos seus apoiantes, no mesmo dia, terça, 2, em que ouviu a sentença que o condenou a dois anos e oito meses de prisão.

No post que se lê no seu Instagram, Navalny pede aos seguidores que não tenham medo. Ainda, diz-lhes que ele, apesar de preso, não abdicou de ser um homem livre.

"Penso muito nesta expressão: ’É difícil tirar a liberdade a quem se sente livre’. Agora pergunto ’Será que é assim?’. Muito sinceramente digo-vos: É mesmo assim. Os portões de ferro fecharam-se com um som ensurdecedor atrás de mim, mas sinto-me livre", remata o principal opositor do Kremlin sob Putin.


Casos de ’persona non grata’ em várias formas

A expulsão de representantes diplomáticos dos países onde estão creditados ocorre , em especial, por motivos de confronto a nível ideológico, estratégico, de concorrência...

Eis alguns casos mais recentes e retumbantes:
Na Venezuela: "Persona non grata" — Maduro deu 48 horas para sair ao embaixador alemão que recepcionou Guaidó no aeroporto. "Lamentamos", reage UE, 10.mar.2019;

Rússia: "Persona non grata" — 139 diplomatas russos expulsos de 26 países, 29.mar.018; Persona non grata: Rússia expulsa mais de 130 diplomatas de 13 países, 01.abr. 2018;

EUA-Reino Unido: Covid EUA: ’Persona non grata’ na maioria de países — Passaporte de ouro ’já era’, 09.jul.020; EUA-Reino Unido: Londres faz ’mea culpa’ após fuga expor embaixador a criticar Trump, este quere-o ’persona non grata’..., 09.jul. 2019.

Fontes: BBC/ DW/AP/Reuters. Relacionado: Rússia: Navalny detido no regresso a Moscovo — UE e EUA ameaçam com novas sanções, 21.jan.021; Fotos (AFP/Reuters): Navalny detido no aeroporto a 17 de janeiro; e no tribunal de Moscovo que na terça, 2, o condenou a dois anos de prisão.

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