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Peru entre Covid e eleição nas mãos da justiça — 100% votos contados que Fujimori contesta 12 Junho 2021

O cadeirão presidencial peruano é de Pedro Castillo ou de Keiko Fujimori? A autoridade eleitoral aponta que o candidato da esquerda obteve 50,16% (8.826.963) e a candidata da direita 49,84% ( 8.770.651). Ambos clamam vitória e a resposta agora depende do JNE-Júri Nacional Eleitoral entidade que está a tratar as 207 atas eleitorais que Fujimori contesta.

Peru entre Covid e eleição nas mãos da justiça — 100% votos contados que  Fujimori contesta

O resultado da eleição que aponta a vitória do candidato da esquerda Pedro Castillo vai ter de ser decidido pela justiça, já que a candidata da direita Keiko Fujimori não aceita a contagem das urnas "com irregularidades diversas". Se o resultado se confirmar, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori (de 1994 a 2000) terá a sua terceira derrota tangencial numa segunda-volta presidencial: 2011, 2016 e 2021.

A indecisão sobre o plebiscito ao fim de sete dias da segunda-volta presidencial é mais uma derrota no Peru flagelado pela Covid, o número-1 mundial em taxa de mortes — este sábado, o país de 33,3 milhões de habitantes regista 186.511 óbitos e atingiu o total de 1.983.570 infeções. O Peru, com 5.585 óbitos por milhão de habitantes é, pois, o 1º mundial em letalidade — num ranking que tem o Brasil, Estados Unidos e Índia respetivamente em 11º (2213), 18º (1840) e 108º (252) lugares. Cabo Verde está na 82ª posição com a taxa de 475.

Dois perfis. O professor primário e sindicalista Pedro Castillo, de 51 anos, nasceu numa família de camponeses pobres e iletrados, estudou até obter uma licenciatura na universidade. Bateu os demais 17 candidatos na eleição de 11 de abril e pela contagem, que o dá à frente, está quase a vencer a segunda-volta.

A empresária e política Keiko Sofía Fujimori Higuch, de 46 anos, pertence à elite peruana. Foi a primeira-dama do país desde 1994, ano em que os pais se divorciaram, até 2000. Esteve no Congresso entre 2006 e 2011 e desde 2010 liderou o Força Popular, partido fundado por Alberto Fujimori.

Constante crise política, minada pela corrupção

A instabilidade política é constante, como mostra o facto recente de o Peru ter tido três presidentes em apenas sete meses. Primeiro, o Congresso votou a destituição do presidente Martin Vizcarra em novembro último, apenas dois anos após o então vice-presidente substituir Pedro Pablo Kuczynski.

Uma moção tinha levado a eleições legislativas antecipadas em outubro de 2020, que a oposição venceu. Dias depois, a 09 de novembro, o Congresso destituiu Vizcarra por "incapacidade moral", um termo vago datado do século dezanove e que significava incapacidade mental do presidente.

A manobra foi tida como um golpe de Estado e levou aos protestos de 2020. O presidente Manuel Merino só esteve cinco dias no poder: no dia 15, com os protestos a serem "manchados por mortes de civis" pediu a demissão. O Congresso de maioria conservadora votou em Sagasti para presidente até 28 de julho próximo.

Nota do palácio repreende embaixadas

Ontem (sexta-feira) o chefe de Estado interino, Sagasti indicado para presidente até 28 de julho próximo, enviou um comunicado às embaixadas da Argentina, Brasil, Nicarágua e outros da América Latina que deram os parabéns ao "presidente eleito" Pedro Castillo quando ainda não há resultados oficiais.

Covid-19: Peru é 1º mundial em taxa de mortes

Este sábado, o país de 33,3 milhões de habitantes regista 188.100 óbitos e atingiu o total de 1.998.056. Com 5.631 óbitos por milhão de habitantes é, pois, o 1º mundial em letalidade — num ranking que tem o Brasil, Estados Unidos e Índia respetivamente nas posições 11ª (2363), 19ª (1848) e 108ª (252). Cabo Verde está na 82ª posição com a taxa de 484.

Fontes: AP/Le Monde/El País.es/UOL/. Relacionado: Covid-19 no Peru agudiza crise política — 4 mil óbitos em 24 H, país é 3º em letalidade, 15.ago.020; 2ª volta presidencial no Peru flagelado pela Covid: Duelo entre filha de Fujimori e filho de camponeses, 08.jun.021. Fotos: Pedro Castillo, de 51 anos, quase certo presidente da República do Chile. Cemitérios a abarrotar no país com a maior taxa mundial de óbitos por Covid.

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