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Pesquisa revela que uma cifra de 73 % dos entrevistados num estudo considera que o Governo agiu mal no Caso Alex Saab 21 Janeiro 2021

Uma pesquisa realizada nas principais Cidades de Cabo Verde, Praia e Mindelo, sobre a gestão da crise diplomática, que envolveu a figura de Alex Saab, dá conta, segundo anuncia a defesa que não cita quem realizou esse estudo, de um conjunto de apreciações críticas em relação à atuação das autoridades cabo-verdianas, que continuam a não se pronunciar sobre as consequências das atitudes que tomaram ao autorizar politicamente a extradição do diplomata venezuelano para o EUA.

Pesquisa revela que  uma cifra de 73 % dos entrevistados num estudo considera que o Governo agiu mal no Caso Alex Saab

Segundo a mesma fonte, a lei cabo-verdiana sobre a extradição permite ao governo, na fase política do processo, decidir a favor ou contra a extradição. Considera que o governo de Cabo Verde pretende passar a ideia que atou como Pilatos. “Lavou as mãos do assunto, ao deixar que um caso que podia resolver politicamente fosse entregue ao Tribunais, colocando os juízes no papel de Herodes”, diz a equipa de defesa de Saab em comunicado remetido a este jornal.

Acrescenta que esta postura do Governo, já censurada nas redes sociais, através dos comentários, as notícias e também, por alguns juristas independentes, é agora censurada pela maioria dos cidadãos das principais cidades do País.

“Na pesquisa a que tivemos acesso, 60.6% dos inquiridos considera que o Governo não deveria ter envolvido o país nesse caso. No mesmo sentido 20% considera que o diplomata, e agora embaixador suplente da Venezuela na OUA , não devia ser extraditado, 8,3 % não tem opinião formada sobre o assunto e apenas 11,1 % defendeu a extradição de Alex Saab”, diz a nota que vimos citando.

Ainda segundo o documento, estes dados, para além de colocar em ”xeque” as decisões do governo, mostram que não tem o apoio popular na cruzada para enviar Saab para as prisões norte-americanas. Quando perguntados se o Governo de Cabo Verde agiu bem ou mal, 73% dos entrevistados consideram que o Governo agiu mal e apenas 13,4 % acha que agiu bem.

Considera que esta desaprovação dá voz às críticas de alguns juristas e comentaristas que Cabo Verde agiu mal nesse processo por ter posto em causa princípios do direito internacional consagrados há séculos, entre os quais o relacionado com a inviolabilidade e imunidade do diplomata que goza da dupla proteção não só como Enviado Especial da Venezuela, mas também, desde 24 de dezembro de 2020, e com efeito imediato, como Representante Permanente ad ínterim da Venezuela junto à União Africana.

91% exige tratamento médico adequado para Alex Saab

De acordo com o estudo referido pele equipa jurídica, 91% dos entrevistados exige tratamento médico adequado para Alex Saab. Mas onde o governo é mais penalizado, é na atitude de recusar cuidados médicos adequados ao visado, que conforme a nota, padece de um cancro no estômago e de outras patologias, indo contra a opinião de um especialista mundial como Sikora, que esteve na Ilha do Sal, mas foi impedido de ver o paciente que está detido.

Também, ignorando apelos da Venezuela, da família e dos advogados de defesa que pediram, numa carta, ao Primeiro-ministro cabo-verdiano, “compaixão e humanidade” perante o estado de saúde de Alex Saab, que já perdeu 26 quilos desde 21 de junho.

De acordo com a mesma fonte, a penalização a essa atitude de Cabo Verde está expressa em 91,1% da amostra que considera que a posição do Governo em não permitir a prestação de cuidados médicos a Alex Saab foi incorreta e também, de 87 % que acham que o governo deve autorizar que o detido seja visto por médicos devido ao seu estado de saúde.

“Fica claro, que os cidadãos das duas principais cidades de Cabo Verde, ouvidos pela pesquisa não se revêm na posição do seu governo. Posição esta, que vai contra a decisão do Tribunal de Justiça da CEDEAO, que a 30 de Novembro ordenou ao Estado de Cabo Verde que colocasse Alex Saab, em regime de detenção em permanência domiciliária, sob supervisão das autoridades judiciárias do Estado por forma a garantir-lhe melhores condições de acomodação e de acesso a tratamento médico e de visitas, compatíveis com a sua situação pessoal, às expensas próprias do demandante, não devendo este ser extraditado até que se profira a decisão de mérito.

De salientar que a Juíza relatora do acórdão do Tribunal da CEDEAO é a cabo-verdiana, Januária Costa”, diz o documento, acrescentando que a ficha técnica da pesquisa diz que foram entrevistadas 972 pessoas nas cidades do Mindelo e da Praia e que a amostra foi estratificada por idade, sexo e zona de residência. “Foi utilizado o método da amostragem proporcional e a margem de confiança é de 98 % e a margem de erro: 2, 5 %”, diz a nota da defesa remetida ao Asemanaonline, que não revelou, no entanto, quem fez o referido estudo.

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