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Picassos por impostos, acerto com o fisco por ajuste direto 22 Setembro 2021

Em mais de oitenta anos a criar arte, Picasso deixou umas cinquenta mil peças — de excelência incontroversa. A controvérsia atual é gerada pela utilização monetarizável que os descendentes franceses fazem do legado do espanhol de Málaga. O mais recente exemplo é o "arranjo de dação" que a filha e três netos de Picasso fizeram com o Estado francês: obras de arte para pagar as dívidas fiscais, como anunciaram esta segunda-feira, 20, a ministra da Cultura e o ministro da Economia conjuntamente.

Picassos por impostos, acerto com o fisco por ajuste direto

Maria de la Conception, a Maya que Picasso pinta aos seis anos (ambas nas fotos ao centro), trouxe os filhos Olivier e Diane para o ato solene que tem lugar na sala do Museu Picasso de Paris: a dação ao Tesouro Francês das seis pinturas, um álbum de desenhos, uma estátua e uma obra etnográfica.

A dação é contrato jurídico que nada tem a ver com a doação, esta marcada pela generosidade. A primeira reveste um aspeto de troca monetarizável que a doação não tem. Neste caso, o acerto com o fisco por ajuste direto.

O lado artístico mas também o político-económico deste "arranjo" é comentado hoje — por vozes autorizadas e também não, na academia, na comunidade de marchands, na opinião pública mais ou menos esclarecida.

Predomina a crítica, talvez exacerbada pelo anonimato, a este contrato de troca direta de Picassos por impostos. Questiona-se o lado político-económico: Será que o liberal Macron começa "a taxar os ricos"? Mas será que a regularização das contas fiscais em espécie vai virar moda? "Posso pagar ao fisco com as minhas courgettes/bobrinhas?"

O valor das nove peças não foi noticiado mas deve ascender a mais de mil milhões de euros (dez dígitos, equivalente a doze em CVE), se calcular com base no montante atingido por obras picassianas leiloadas nos anos mais recentes, na ordem de 170-200 milhões de euros por tela.

Fontes: Le Figaro/... Fotos: 1. A primeira-dama, Brigitte Macron, no Museu Picasso com a filha de Pablo, Maria de la Conception ’Maya’, Olivier e Diana (dois dos três filhos dela). 2. ’Maya’ aos seis anos, em 1941. 3. A mãe de Maya, Marie-Thérèse, de 24 anos captada a dormir na tela Le Rêve/O Sonho (à esqª ao alto) em 1932; o investimento do casal novaiorquino Victor e Sally Ganz, que foi em 1941 de sete mil dólares, atingiu em 1997 os $48,4 milhões (lucro de c. de 700 mil por cento).

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