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Poeta critica realizações e perspectivas do Ministério da Cultura nos domínios do livro e da língua cabo-verdiana: Aponta dois «maiores fracassos» do autal governo 15 Julho 2021

O poeta cabo-verdiano José Luiz Tavares criticou hoje aquilo que considera ser os dois “maiores fracassos” do anterior Governo do arquipélago no domínio da cultura que têm que ver com o livro e a língua cabo-verdiana.

Poeta critica realizações e perspectivas do Ministério da Cultura nos domínios do livro e da língua cabo-verdiana: Aponta dois «maiores fracassos»  do autal governo

O escritor falava à Inforpress, em Lisboa, a propósito da escolha, para o Plano Nacional de Leitura de Portugal, dos Sonetos de Luís de Camões traduzidos por ele para a língua cabo-verdiana e que chegaram recentemente às livrarias numa edição bilingue da Abysmo, com o duplo título “Ku Ki Vos” e “Com que voz”.

Sobre a recepção do livro traduzido para o crioulo, de mais de 200 páginas, composto por 65 sonetos do poeta português e autor de “Os Lusíadas, o poeta cabo-verdiano, vestido agora de tradutor, diz que não vale a pena ter “grandes expectativas”.

“Tanto assim é, que nem Portugal ou Cabo Verde adquiriram um único exemplar para as bibliotecas dessa obra que me levou quinze anos a realizar”, lamentou, indicando que em relação ao arquipélago “não é de estranhar, dado que os dois maiores fracassos do anterior governo no domínio da cultura têm que ver com o livro e a língua cabo-verdiana”.

“Zero investimento no livro, com o malfadado e manhoso Festival Morabeza a levar a totalidade do dinheiro dos patrocínios arrecadados”, vincou.

Segundo a mesma fonte, José Luiz Tavares destacou também a falta de investimento na língua cabo-verdiana, “enquanto se prosseguia a política da pedra, arranjando igrejinhas, capelas e quejandos, afagando a crença e o ego dos cristãos, tudo com o olho nos dividendos eleitorais”.

O autor de “Rua antes do Céu Trovão” apontou ainda a aposta “numa monumentalidade saloia, digna de um ministério das obras públicas ou de infra-estruturas, que não da cultura”.

“Não é por acaso que o propagandista-mor do governo, o ministro da Cultura, no seu balanço de legislatura, a que ele apoda pomposamente de legado, não toca nem de ao leve na questão do livro”.
Aliás, quanto ao livro, José Luiz Tavares afirmou que as declarações dos novos responsáveis não auguram nenhuma melhoria.

“Continua o `mantra` da aposta no digital, porque não têm nenhuma ideia no que concerne à literatura, que é um domínio muito específico, que requer quem saiba da literatura do ponto de vista criativo ou teórico, e não o domínio académico de vagas disciplinas das chamadas humanidades. Em todo o caso, cá estaremos para sermos desmentidos, o que seria um bom sinal, mas não temos esperanças”, criticou.

Percurso do escritor

Conforme ainda a Inforpress, José Luiz Tavares nasceu a 10 de Junho 1967, no Tarrafal, ilha de Santiago, Cabo Verde. Estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive.

Entre 2003 e 2020 publicou catorze livros espalhados por Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Colômbia.

Recebeu uma dezena de prémios atribuídos em Cabo Verde, Brasil, Portugal e Espanha, sendo o autor cabo-verdiano mais premiado de sempre. Não aceitou nenhuma medalha ou comenda, até agora.

Traduziu Camões e Pessoa para a língua cabo-verdiana. As obras do poeta estão traduzidas para inglês, castelhano, francês, alemão, mandarim, neerlandês, italiano, catalão, russo, galês, finlandês e letão, conclui a fonte deste jornal.

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