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Polémica com a proibição da TACV de voar para UE: PAICV exige expliçações do governo sobre a perda do certificado e a entrega a Icelandair do avião arrestado no Sal 10 Julho 2022

O PAICV, na voz do seu secretário-geral, convocou a imprensa este sábado para pedir explicações ao Governo de Ulisses Correia e Silva sobre a perda do certificado de operador aéreo que proíbe a TACV de voar para a Europa e a entrega do avião que tinha sido arrestado no Sal para alegadamente cobrir as dívidas da companhia Icelandair. Julião Varela advertiu que a «TACV é hoje uma companhia sem norte», onde o «amadorismo e a cultura da mediocridade» caracterizam a atual administração da empresa, que se encontra numa situação financeira difícil.

Polémica com a proibição da TACV de voar para UE: PAICV exige expliçações do governo sobre a perda do certificado e a entrega a Icelandair do avião arrestado no Sal

Reagindo a este caso que está agitar o país, Varela fez questão de realçar que «o amadorismo e a cultura da mediocridade que caracterizam a atual administração da TACV» não se compatibilizam com a gestão de um setor tão especializado e complexo como é o da aviação civil. «A gestão de uma companhia aérea exige requisitos especiais e competências específicas e os gestores devem ser escolhidos com base em critérios rigorosos de que se deve destacar a formação especializada na área ou uma vasta experiência de gestão. Não é esse o caso da TACV que é hoje uma companhia sem norte, fazendo navegação à vista, sem uma política comercial, enfim, sem uma estratégia de desenvolvimento a prazo e, somando prejuízos aos seus acionistas, no caso, os cabo-verdianos», fundamentou aquele responsável do maior partido da oposição.

Segundo a mesma fonte, este novo episódio vem juntar-se ao quadro já muito precário da TACV, com os trabalhadores a braços com salários em atraso, ao mesmo passo que se denuncia «a situação difícil da companhia de bandeira nacional», que inclusive já propõe uma redução substancial dos salários dos trabalhadores. Realçou que « o estado da empresa é tão inconsistente» que a própria presidente do Conselho de Administração admite que o maior desafio de momento é manter a companhia a voar.

«A esta situação, em si muito grave, acrescenta-se, também, um novo facto por ser esclarecido que é o desfecho do processo do avião arrestado na ilha do Sal, com todo o aparato, há um ano atrás. Afinal com que garantia ficou o País para cobrar as elevadas dívidas da Icelandair para com Cabo Verde, incluindo o valor da venda da empresa – os tais 48 mil contos», questionou Julião Varela, perguntando a que preço o Governo de Cabo Verde e o seu primeiro-ministro «teimam em manter este insustentável estado das coisas» na transportadora aérea nacional.

Irresponsabilidades e aviso da Europa

O político criticou, por outro lado, a forma alegadamente irresponsável como a campanha informou os passageiros da suspensão das viagens, dizendo apenas que, «por motivos operacionais” os voos agendados para os dias 7 e 8 de julho foram cancelados e seriam repostos a partir de sábado, 9 de julho. «É desta a forma, tão simplista quanto irresponsável, que a TACV encara a proibição, pela Europa, por meio da EASA (European Aviation Servive Agency), de voos da TACV em solo europeu, até que a transportadora aérea nacional regularize o seu certificado aeronáutico que está caducado», advertiu.

Segundo informações que vieram a público, o secretário-geral do PAICV adiantou que cerca de 110 passageiros do voo Mindelo-Lisboa da última quinta-feira ficaram no chão e que a companhia pediu aos que seguiam nos voos de Lisboa/ Cabo Verde para não se dirigirem ao Aeroporto Internacional Humberto Delgado, pedindo para esperarem novas indicações do serviço de apoio ao cliente da TACV, Cabo Verde Airlines.

Referindo-se à medida da proibição da TACV de voar para a Europa, Julião Varela lembrou que não foi por falta de aviso, já que a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) vinha, desde setembro de 2021, alertando a administração da empresa para a necessidade de passarem para a certificação designada como TCO (Operador de Terceiro País, não europeu que realiza voos comerciais para a UE), que é uma autorização de segurança operacional, emitida pela EASA.

«A displicência com que esta informação é dada aos passageiros, a incompetência e a irresponsabilidade face a requisitos tão básicos, mas relevantes da aviação civil, como é o caso em apreço, são sinais de marca da gestão da companhia e da governação do país», concluiu Varela.

Para o político, a TACV e a aviação cabo-verdiana têm um histórico de boas práticas em termos de certificações para voar para várias regiões do mundo, que estão a ser desbaratadas neste momento. «Vale lembrar que no domínio da certificação, a TACV e a aviação civil cabo-verdiana têm um histórico de boas práticas patentes na montagem de dossiês que conduziram a certificações como a da Categoria I da Administração Federal da Aviação dos EUA (FAA), a da IOSA (Certificado de segurança da IATA) e a da própria EASA (Agência Europeia dos Serviços da Aviação).Foram ativos importantes que deram muito prestígio e credibilidade à companhia e ao país e que, infelizmente, estão a ser desbaratados pelo atual governo», concluiu Julião Varela, que é também deputado da nação.

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