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Polémica em Santa Catarina: População de Palha Carga, Entre Picos de Reda e Chã de Lagoa manifesta-se contra estrada de calçada 12 Maio 2019

A polémica está instalada. A população de Palha Carga, Entre Picos de Reda e Chã de Lagoa manifestou-se, este sexta-feira, à frente dos Paços do Concelho de Santa Catarina contra a colocação de pavimento de calçada na estrada local, dando preferência ao asfalto.

Polémica em Santa Catarina: População de Palha Carga, Entre Picos de Reda e Chã de Lagoa manifesta-se contra estrada de calçada

Conforme descreve a Inforpress, as obras na estrada que liga Achada Grande, Palha Carga, Entre Picos de Reda e Chã de Lagoa arrancaram no dia 21 de Abril e devem estar concluídas em 16 meses, representado um investimento global de 261 mil contos.

Esta via tem uma extensão de 10 quilómetros (km), com plataforma de 6 metros (m) sendo, faixa de rodagem 5m, 2 bermas de 0,5 m cada e raio mínimo das curvas em planta de 20m. A mesma resulta de um financiamento do Banco Mundial e do Governo de Cabo Verde.

Pavimento em calçada de pedra, construção de muros, drenagem (valetas), obras hidráulicas, sinalização e segurança são as principais actividades a serem desenvolvidas.

Entre, os manifestantes que concentram-se, na sexta-feira, à frente dos Paços do Concelho de Santa Catarina, empunhavam cartazes onde se podia ler frases como “Calcetamento pela segunda vez em Palha Carga não”, “Queremos que a nossa voz seja ouvida”, “Queremos ajudar na decisão pública”, “Presidente [José Alves Fernandes] ausculta o seu povo e não a sua ambição” , “Alcatrão sim , calçada de pedra não” e “Chã de Lagoa quer uma estrada asfaltada”.

Segundo disse à Inforpress o porta-voz dos manifestantes, Felisberto Varela Monteiro, apesar de a estrada ser uma das reivindicações antigas dos moradores dessas três localidades, na sua perspectiva uma estrada de calçada de pedra, não vai trazer benefícios para estes povoados.

Aliás, lembrou que Palha Carga já teve estrada em calçada de pedra feita em 1969, mas que hoje se encontra de terra batida, o que no entender deste jovem prova que uma estrada asfaltada “é melhor que uma de calçada de pedra”.

Nesse sentido, as comunidades dessas três zonas rurais consideraram de “projectinho do Governo” as obras que já arrancaram e dizem que essa iniciativa “é para os calar a boca”. Por isso, foram unânimes em afirmar que não querem calcetamento, mas sim uma estrada asfaltada.

Contrariando as afirmações do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que na altura do lançamento das obras tinha realçado que uma estrada de calçada de pedra tem as mesmas condições de qualidade e segurança, Felisberto Monteiro esclareceu que uma estrada asfaltada “é mais segura e mais estética” e que permite uma “travagem brusca” em segurança mais do que uma de calçada.

Segundo ele, tendo em conta que está provado tecnicamente que uma estrada de calçada é “mais cara” que de asfalto, ressalva por isso não entender porque é que se optou por uma de calçada em vez do contrário.

Segundo ainda a Inforpress, sublinhou, por outro lado, que se sentem “menosprezados” visto que as localidades vizinhas como Rincão, João Bernardo e Chã de Tanque e entre outras foram todas contempladas com estradas asfaltadas em detrimento da calçada.

Relevantemente ao emprego, os manifestantes disseram que a justificativa dada pelas autoridades não corresponde a verdade, até porque “essas localidades não têm calceteiros profissionais”.

Projetinho e luta vai continuar

Por isso, entendem que se fosse uma estrada asfaltada, da qual reivindicam que a população ia beneficiar ainda mais e não apenas 140 pessoas.

Na ocasião, Felisberto Monteiro avançou ainda que os emigrantes locais estão também revoltados com este projecto e que comungam também da opinião de que o calcetamento “não vai trazer nenhum benefício” para essas zonais rurais.

“Esta manifestação é apenas o início dessa nossa luta que não vai parar por aqui. Iremos até às últimas consequências e fazer com que a nossa voz seja ouvida pelas autoridades”, disse Monteiro, lembrando que são três localidades representando ao todo 1800 pessoas que estão contra esse “projectinho”.

A Inforpress contactou a edilidade para esclarecimentos que entenderem necessários, mas prometeram reagir sobre este assunto depois.

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