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Polícia barra passagem de professores em manifestação: SINDEP vai solicitar intervenção do PR e das instâncias judiciais sobre o livre exercício do direito da manifestação e greve e pede demissão do ministro da Educação 23 Mar�o 2022

O líder do SINDEP denuncia o facto de os professores terem sido impedidos, por vários agentes da Polícia Nacional, de passar, durante a manifestação pacífica de hoje, junto do palácio do governo, na Praia. Jorge Cardoso anuncia que vai pedir o Presidente da República para exercer a sua magistratura de influência no sentido de o governo respeitar o livre exercício do direito da manifestação e greve, ao mesmo tempo que vai acionar queixas junto do Tribunal Constitucional e da Provedoria da Justiça para exigir uma clarificação jurídica em relação ao caso em apreço. Em jeito de balanço, o sindicalista garante que mais de 3 mil professores participaram nas jornadas de luta sindical realizadas esta quarta-feira em todas as ilhas, durante as quais os presentes pediram, além da resolução urgente das suas reivindicações pendentes, a demissão do ministro da Educação Amadeu Cruz e anunciaram prosseguir com a luta, congelando, no terceiro trimestre deste ano, as notas dos alunos nos diferentes estabelecimentos de ensino público.

Polícia barra passagem de professores em manifestação: SINDEP vai solicitar intervenção do PR e das instâncias judiciais sobre o livre exercício do direito da manifestação e greve e pede demissão do ministro da Educação

«O governo pode estar ciente de que, de uma forma ou outra, teremos de vencer essa luta. Porque é basta ver o que está a passar aqui (na rotunda de EcoBank). Já nem sequer podemos manifestar-se, passando frente ao Palácio do Governo. Não podemos sequer aproximar-se ao lado do estádio da Várzea, porque é o governo que manda. Voltamos à ditadura. A democracia propalada no dia 13 de janeiro é uma falácia por parte deste governo», alertou o líder do SINDEP, ao contestar a intervenção de um grupo de mais de uma dezena de agentes da Polícia Nacional, incluindo as de Intervenção Rápida, que impediu que os manifestantes passassem frente ao Palácio do Governo, que é vedado por um murro de proteção. Tudo com o fundamento de se fazer cumprir a lei, que, segundo agentes de serviço no local, proíbe a concentração de pessoas a menos de 100 metros das instalações da entidade visada.

Como apurou o Asemanaonline no local, esta situação fez exaltar os ânimos dos manifestantes, que teimavam seguir na Avenida Cidade de Lisboa em direção ao palácio do governo e à rotunda do homem de pedra. Revoltados com este bloqueio por parte da polícia, os professores permaneceram (de pé e sentados no chão no meio da estrada) durante cerca de uma hora. Recursam-se ficar num espaço perto da sede da Federação Cabo Verdiana (FCF) indicado pelas autoridades, por alegaram sentir-se humilhados com esta medida. Depois de algum diálogo entre o SINDEP e a polícia, os presentes dispersaram-se insatisfeitos do local, contornando a rotunda referida.

Questionado sobre este particular, o líder do SINDEP contesta a atuação da polícia e anuncia que vai pedir uma audiência ao Presidente da República para não só transmitir a indignação dos professores perante essa ocorrência alegadamente ilegal como também pedir ao PR para exercer a sua magistratura de influência «no sentido de se proteger o livre exercido do direito de manifestação e grave no país». Jorge Cardoso revela ainda que vai avançar com queixas junto do Tribunal Constitucional e da Provedoria da Justiça, solicitando uma clarificação jurídica sobre esta medida do governo que impediu a passagem dos manifestantes ao lado do palácio do governo - isto tem sido uma pártica, desde há muito, com todas as entidades que promovem manifestações na Praia.

Mais de 3 mil professores na rua e pedido de demissão do ministro da Educação

Apesar das investidas de delgados e diretores das escolas com o apoio do SINDPROF contra a greve e manifestação de hoje, o líder do SINDEP avança que mais de três mil professores saíram à rua em todas as ilhas de Cabo Verde, em protesto contra o bloqueio do governo em resolver as várias reivindicações pendentes da classe.

Em jeito de balanço provisório, Jorge Cardoso revela que em São registou-se a participação em massa de mais de 700 professores. Em Santiago, estima-se terem aderido à manifestação entre duas e três centenas de docentes. Já no Sal e Tarrafal de São Nicolau, a presença na jornada sindical desta quarta-feira atingiu a cifra de 80% dos professores locais. «Na ilha do maio a presença foi óptima e em Santo Antão ultrapassou a fasquia de 70% dos docentes da ilha», sintetizou Jorge Cardoso, que, no momento do fecho desta edição, informou que estavam ainda por recolher os dados das restantes ilhas.

Durante as manifestações de hoje, os docentes pediram a cabeça do ministro da Educação, Amadeu Cruz, principalmente em São Vicente.

«O ministro da Educação não tem consideração para com a classe docente. O ministro da Educação deveria estar aqui no Palácio do Governo para receber e conversar com a classe. E não ficar aí somente a propalar falsas medidas e enganar os professores. Os professores estão fartos desta tentativa do Sr. ministro da Educação em proferir palavras bonitas e conversas fiadas. Os professores estão cansados com isto», avisa o líder do SINDEP.

Pendentes e luta com congelamento de notas

O líder do SINDEP avisa que os professores estão a exigir a resolução urgente dos seus problemas. «Nós estamos a exigir a resolução total das pendências. Queremos as reclassificações de 2016 a esta parte. Estamos a exigir o pagamento de subsídio pela não redução da carga horária dos professores que trabalham na monodocência desde 2017 a esta parte. Estamos a exigir a evolução na carreira. Estamos a exigir a publicação imediata no Boletim Oficial de cerca 147 professores que até então o governo não fez, de entre outras pendências que estão engavetadas no gabinete do Sr. ministro da Educação e também na Administração Pública».

O sindicalista vai mais longe, ao anunciar que a luta vai prosseguir em outras formas, com destaque para o congelamento de notas. «Nós vamos ter que auscultar os professores. Se entenderem que temos de parir de novo para a luta, dentro em breve, ou seja no terceiro trimestre deste ano, podemos avançar com o congelamento das notas dos alunos nos diferentes estabelecimentos de ensino. Isto até que o ME resolva a totalidade dos problemas, porque este governo não tem respeito para com a classe docente», vai avisando Jorge Cardoso, para quem, com estas manifestações e greves de hoje, fica claro que o SINDEP é o único e maior sindicato que está em condições de representar e defender os interesses da classe docente em Cabo Verde.

Em 23 de abril, Dia do Professor, vai haver luto nacional. Ou seja, trajados de preto, os professores vão transmitir o seu sentimento de luto, por causa da não resolução das suas reivindicações pelo governo de Ulisses Correia e Silva.

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