OPINIÃO

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Política: Interesse ou conhecimento? 12 Junho 2018

A prática política, de um modo geral, não está preocupada com o conhecimento. Governantes e governados estão focados na defesa de seus interesses e privilégios.

* Por: José João Neves Barbosa Vicente

Política: Interesse ou conhecimento?

Para os homens, o conhecimento é indispensável, mas na política são os interesses e as defesas de privilégios que guiam suas ações; é por isso que o sentido do “bem comum” perde espaço a cada dia. O apego aos interesses e privilégios é uma doença presente não apenas nos governantes, mas também naqueles que os escolhem.

Raramente um “representante” é escolhido com base na avaliação rigorosa do seu “programa político” ou pelo seu conhecimento do verdadeiro sentido e significado da política, a escolha frequentemente acontece com base em seus “discursos”, suas “promessas”, sua “aparência” ou a partir das ideias pré-concebidas sobre o seu “partido político”. Não é por acaso, portanto, que, na política, frequentemente os inadequados passam a ser ativos, os adequados permanecem inativos. É por isso, também, que a política e um dos campos onde mais se distribuem ilusões ao povo.

Infelizmente, o modelo da “política” vigente se alimenta de interesses e privilégios, não de conhecimento; este não é bem – vindo nem entre aqueles que governam e nem entre aqueles que escolhem seus governantes. Para o primeiro grupo, é preciso lutar para que seus interesses e privilégios sejam mantidos e garantidos, para o segundo grupo, é preciso escolher sempre aqueles que prometem cuidar e defender seus interesses.

Nenhum lado se mostra interessado em saber o que é, de fato, a política, ou se alguém possui conhecimento nesse assunto; enquanto os governantes procuram usar suas “habilidades” para se manter no poder e desfrutar dos privilégios, o povo frequentemente usa o seu “poder” de voto para escolher governantes cujas promessas vão de encontro aos seus desejos.

A prática política, de um modo geral, não está preocupada com o conhecimento; governantes e governados estão focados na defesa de seus interesses e privilégios.
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*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT: Revista de Filosofia.

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