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Polónia vs. Rússia: Presidente ameaça boicotar Fórum de Holocausto em Israel 06 Janeiro 2020

O presidente polaco Andrzej Duda está a ponderar não ir ao Fórum Internacional do Holocausto, no dia 23 em Israel, segundo a imprensa polaca, para não ter de ouvir Vladimir Putin a acusar de novo a Polónia pelo alegado envolvimento no extermínio de judeus sob o nazismo na Segunda Guerra.

Polónia vs. Rússia: Presidente ameaça boicotar Fórum de Holocausto em Israel

A Rússia e a Polónia estão em conflito relativo ao Holocausto, cujo término em 1945 será celebrado em Jerusalém no próximo dia 23, na presença de líderes mundiais.

"O presidente da Rússia decidiu de repente estudar História e instantaneamente concluiu que nós na Polónia cooperámos com os nazis no Holocausto", disse um porta-voz da presidência polaca na sexta-feira, 3.

O presidente polaco está prestes a boicotar de novo um evento relativo ao Holocausto. O ano passado, cancelou-se a visita de Netanyahu à Polónia agendada para 13 de maio, para evitar o divisivo tema da restituição de bens privados, que Israel teima em discutir.

O governo do primeiro-ministro Mateusz Morawiecki, ao anunciar há sete meses o cancelamento, voltou a lembrar que a Polónia está a trabalhar no processo de restituir à comunidade judia os cemitérios, sinagogas e outros edifícios de antes da guerra de 1939-45.

E voltou a enfatizar: "Nós polacos fomos ainda mais vítimas que os judeus". Rematou com o argumento judicial: "Os proprietários privados devem recorrer ao tribunal".

Trump assinou "Lei 447" aplicável em 46 países

O decreto assinado em 9 de maio de 2018 pelo presidente Donald Trump responsabiliza o departamento de Estado "pela monitorização do progresso na devolução dos bens deixados em 46 países" por judeus vítimas do holocausto nazi.

A contestação à lei tem posto em turbilhão largas franjas da sociedade polaca, como se viu o ano passado quando o primeiro-ministro — em ano de eleições na Polónia: legislativas em outubro, europeias de maio — presente num piquenique nas festas do primeiro de maio não teve como escapar à catarse pela qual os participantes "lavaram a alma".

Entre as posições aí defendidas estão que a "lei de Trump" visa satisfazer o lóbi de "judeus americanos ricos" em detrimento dos "etnicamente polacos que também foram vítimas do nazismo".

Os mesmos argumentos foram retomados na manifestação que no sábado seguinte ganhou as ruas da capital polaca, Varsóvia.

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Fontes: Haaretz/Times of Israel/ Relacionado: Polónia protesta contra devolução de bens de judeus "porque há polacos vítimas do Holocausto", 13.mai.019; Brasil: Bolsonaro referiu Holocausto ’’perdoável’’ — Israel repreende-o, 16.abr.019; Holocausto: Novo estudo aponta para mais de 15 milhões de vítimas,6.mar.013; Historiador defende que Salazar foi cúmplice "involuntário" do Holocausto, 29.out.012. Fotos: O mapa do Holocausto. O presidente polaco, Andrzej Duda, à esquerda, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no Castelo Real de Varsóvia, em fevereiro de 2019.

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