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Porta-voz de estudantes do Fogo em Santiago lança SOS: Situação é difícil em tempos do Covid - 19 08 Maio 2020

Mais de 300 estudantes do Fogo que frequentam várias universidades na cidade da Praia e na Assomada lançam o SOS de alerta, avisando as autoridades nacionais que estão a passar, na sequência das restrições impostas pelo Estado de Emergência, por privações diversas, não tendo recursos para pagar a renda de apartamentos e a propina e nem dinheiro para compra de alimentos. Em entrevista exclusiva ao Asemanaonline, o porta-voz desses alunos admite que muitos estão a passar fome e denuncia que as Câmaras do Fogo e o Governo esqueceram deles. «Na situação em que nos encontramos, não se pode culpar ninguém. Entretanto, uma coisa deva ser dita: tanto as câmaras como o governo fizeram muitos planos de contingência no âmbito da pandemia do Covid -19, planos para travar as consequências ou amenizá-las, mas esqueceram-se de nós estudantes que vivemos, muitas vezes, graças ao parco recurso dos nossos pais. Recursos ganhos no dia-a-dia e que o estado de emergência simplesmente os anulou. Alguns poucos alunos conseguiram regressar ao Fogo antes da declaração da proibição das viagens inter-ilhas e assim viram-se amparados. Ao menos não passam fome», disse Lúcio Baptista (ver foto), reconhecendo, porém, alguns apoios recebidos das Câmaras dos Mosteiros e de Santa Catarina do Fogo. Mas em relação ao Município de São Filipe, donde os alunos são na sua maioria naturais, Lúcio informa que não obtiveram ainda nenhuma ajuda, apesar do pedido feito neste sentido. Confira a história de vida desses estudantes, na entrevista que se segue em tempos do Covid -19.

Porta-voz de estudantes do Fogo em Santiago lança SOS: Situação é difícil em tempos do Covid - 19

ASemanaonline - Como carateriza a situação dos estudantes do Fogo que frequentam várias universidades na ilha de Santago em tempos de Covid - 19?

Lúcio Baptista -A situação é péssima. Não só na Praia mas, diria, em outras partes da ilha de Santiago, nomeadamente em Santa Catarina, onde há estudantes do Fogo. A situação é péssima porque estamos numa ilha que não é nossa e em confinamento e para muitos de nós falta-nos o básico para garantir o "três por dia”, para garantir a higiene pessoal e do espaço onde vivemos.

Quais as maiores dificuldades que enfrentam?

- As maiores dificuldades neste momento tem a ver com a alimentação, isto é, café, almoço e jantar. Mas temos o problema de renda. Vivemos em quartos alugados e muitas vezes somos 3 ou 4 num único quarto, mas falta-nos recurso para pagar as rendas. Estamos em fase de confinamento e distanciamento social e as aulas são online em algumas universidades, mas temos dificuldades com o custo da internet.

Com que apoios já contaram até agora?

- Todas as câmaras municipais do Fogo mostraram-se sensíveis à nossa situação e as de Santa Catarina e Mosteiros já ajudaram os seus estudantes, segundo a sua capacidade e generosidade. Entre nós também tem havido muita solidariedade, companheirismo e inter-ajuda.

Consta que a Câmara de São Filipe é a única que até esta não disponibilizou nenhum apoio aos estudantes, que na sua maioria são desse concelho do Fogo?

- É verdade. Embora tenham, como já disse, mostrado sensível e prometido ajudar, mas até esta data ainda não recebemos nada. É possível que o processo esteja atrasado.

Que apelos fazem às autoridades municipais do Fogo e ao governo em geral face aos problemas que enfrentam para que possam continuar os estudos na Capital?

- O nosso apelo às autoridades, para que possamos realmente continuar os estudos, é que nos apoiem efetivamente até superarmos o atual estado das coisas. É verdade que muitos de nós recebemos já um subsídio ou uma bolsa que serve para pagar parte ou totalidade da propina e os nossos país e nós mesmos conseguíamos a outra parte para a renda e alimentação, mas com a atual situação nem os nossos pais, nem nós mesmos estamos em condições de garantir nem a alimentação nem a renda.

Com isso, quer dizer que o governo e as câmaras do Fogo esqueceram -se dos vossos problemas?

- Na situação em que nos encontramos, não se pode culpar ninguém. Entretanto, uma coisa deva ser dita: tanto as câmaras como o governo fizeram muitos planos de contingência no âmbito da pandemia do Covid -19, planos para travar as consequências ou amenizá-las, mas esqueceram-se de nós estudantes que vivemos, muitas vezes, graças ao parco recurso dos nossos pais. Recursos ganhos no dia-a-dia e que o estado de emergência simplesmente os anulou. Alguns poucos alunos conseguiram regressar ao Fogo antes da declaração da proibição das viagens inter-ilhas e assim viram-se amparados. Ao menos não passam fome.

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