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Bela de Neve: Por ser diferente pais abandonaram a bebé que hoje é top-model 01 Maio 2021

Uma rara condição genética fez Xueli Abbing nascer diferente. Albina, não tem pigmento na pele e cabelos e sofre com a luz do sol. Foi por isso que a abandonaram bebé à porta do orfanato, mas também foi a sua diferença que anos depois fez dela top-model, contratada para revistas como a Vogue.

Bela de Neve: Por ser diferente pais abandonaram a  bebé que hoje é top-model

O albinismo é para alguns uma maldição. Na China onde nasceu Xueli, a política do filho único, vigente até há poucos anos, tornava insuportável a existência de um albino na família. A solução para muitos pais era abandonar o albino para terem a oportunidade de ter um filho "normal".

Mas foi precisamente por parecer diferente que Xueli Abbing despertou a atenção que lhe iria abrir as portas do mundo da moda.

Em entrevista à BBC na edição desta sexta-feira, a menina de 16 anos contou porquê mantém o nome que lhe foi dado no orfanato onde chegou sem qualquer referência: "Nem sei a data do meu nascimento".

"Com três anos, fui adotada. Passei a viver com a minha mãe e irmã nos Países-Baixos. A minha mãe disse-me que o meu nome — Xue "neve" e Li "bela" — era o mais perfeito para mim, que não o iria mudar por nada já que era importante eu manter uma referência às minhas raízes na China".

"Há um ano fiz um raio-x à mão para saber com mais certeza a minha idade. Os médicos concordaram que eu devia ter então quinze anos".

1º desfile: ’Imperfeições perfeitas’

"Tornei-me modelo por acaso, aos onze anos. A minha mãe estava em contacto com uma estilista natural de Hong Kong. Ela tem um filho com o lábio leporino (fenda palatal) e decidiu que ia fazê-lo usar roupas tão bonitas que ninguém ia reparar no seu lábio (imperfeito)".

"A estilista criou uma campanha a que chamou ’Imperfeições perfeitas’ e perguntou-me se eu queria participar no seu desfile de moda em Hong Kong. Esta foi uma maravilhosa experiência".

"A partir daí, comecei a ser convidada para sessões de fotos. Uma delas foi pelo Brock Elbank no seu estúdio em Londres. Ele publicou essa minha foto no Instagram. A agência de modelos Zebedee Talent contactou-me e perguntou se eu queria ajudá-los na sua missão de levar pessoas com deficiências a aparecerem na indústria da moda.

"Uma das fotos que o Brock me tirou foi escolhida para a Vogue italiana em junho de 2019, com a Lana del Rey na capa. Até essa altura, eu não sabia que a Vogue era uma revista muito importante e demorei algum tempo para perceber porque é que tanta gente achava que era uma grande coisa eu aparecer na revista".


Posar em tempos de pandemia; estereótipos

Xueli falou sobre a experiência de fotografar em tempos de pandemia. "Tive a oportunidade de mostrar o meu estilo e dirigir a sessão com a minha irmã, porque o fotógrafo não podia estar no estúdio, por causa das medidas anti-coronavírus".

O que podia ser uma coisa má acabou por se revelar uma experiência única, "que me deixou mais liberdade para me exprimir".

"Pessoas com deficiências ou diferenças estão cada vez mais a aparecer nas revistas e outros media e isso é muito bom, mas devia ser tomado como normal".

"Os modelos com albinismo costumam ser estereotipados nas fotos onde aparecem ora como anjos ora como fantasmas e isso deixa-me muito triste. Sobretudo porque reforçam os mitos que põem em perigo a realidade da vida de quem é diferente", rematou Xueli, a bela de neve.

Fonte: BBC.

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