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"Porquê a Casa Real britânica investiga Meghan e não André?" — Entrevista "do século" expõe profundo mal-estar 09 Mar�o 2021

Ao longo dos últimos cinco dias, várias personalidades têm-se solidarizado com a ex-atriz e atual esposa do príncipe Harry que está sob investigação por "intimidar e humillhar três funcionários". A Casa Real britânica fez o anúncio, na quarta-feira, 3, a seguir à "histórica entrevista" do casal Harry-Meghan ao programa da Oprah.

Antes mesmo da emissão no domingo 7, a entrevista a Harry e Meghan conduzida pela Oprah, na segunda-feira, 1, suscitou um grande redemoinho mediático, com celebridades a manifestarem-se sobre a "injustiça" que é o Palácio de Buckingham sede da realeza estar a investigar Meghan e não investigar as alegações "muito mais graves" de que o príncipe André terá "violado a americana de 17 anos", que Epstein lhe ’ofereceu’.

Analistas, celebridades, personalidades têm ao longo deste dias apontado "o padrão duplo" que a Casa Real usa. Num caso, protege o "Prince Andrew" suspeito de pedofilia e atira à fogueira Meghan a quem, segundo revelou o ’The Times’, três funcionários ao seu serviço no palácio de Kensington, em Londres acusaram de os ter "humilhado". Noutro caso, retira a Harry os títulos militares, mas não faz o mesmo a André.

Acusações forjadas. Muitos são os que entendem que as acusações de funcionários não passam de "uma vingança" da Casa Real, que incumbe a sua assessoria de imprensa de criar "mentiras" em ofensiva à entrevista com Oprah. Como diz o jornalista Nico Hines do Daily Beast: "É o máximo isto de a Família Real, que durante séculos maltratou os seus servos, estar agora a defendê-los".

Meghan entre Kate e Camilla

Entre os artigos jornalísticos saídos ao longo da semana finda, destaque-se o mais recente, no sábado, 6, em que o Daily Mail revelou os nomes envolvidos nesta Guerra do Trono em que as armas são as fugas de informação sobre Meghan da Casa de Sussex.

Segundo esse jornal londrino, os ataques a Meghan — que levaram ao ’Megxit’, com o casal a mudar-se em janeiro de 2020 para o Canadá e desde julho para Los Angeles — partiram tanto de Kate de Cambridge como de Camilla de Windsor, respetivamente 2ª e 1ª futuras rainhas-consortes de William e Carlos.

As fugas de informação estão por trás de "várias falsidades" que Meghan acusa "a Casa Real de perpetuar", contra ela e Harry.

Uma dessas "fugas" terá levado à divulgação pública de excertos da carta que Meghan escreveu ao pai. O caso "de violação da vida privada" foi condenado por um tribunal londrino que obrigou a Associated Newspapers a pagar uma indemnização de £450.000 (640 mil contos) e a dirigir uma retractação à ofendida.

E se precisar de ajuda? "Não é bom para a instituição", foi a resposta que Meghan obteve quando a sua saúde mental foi afetada pelo assédio da imprensa A tal ponto que pensou em "desaparecer para que tudo voltasse ao normal".

Meghan confessou na entrevista que, grávida, foi assaltada por pensamentos suicidas tão fundos que tinha medo de ficar sozinha, após vários ataques dos média, que a tornaram uma presa diária — "tal como fizeram à minha mãe", diz Henry cuja mãe morreu numa tentativa de evitar os paparazzi em 1997.

Casa Real é ratoeira. Sobre Lady Di, Harry diz ter a certeza que ela pressentira que ele um dia deixaria a Família Real. A herança (segundo a Forbes, são 10 milhões) da mãe ajudou a tomar a decisão, admite. Mas se não tivesse sido por Meghan, "que sem dúvida me salvou, eu nunca teria deixado a ratoeira".

Harry que abdicou dos títulos, património real e demais privilégios de 7º na sucessão ao trono, lamentou entretanto o pai (que não lhe fala, mas com espera reconciliar-se) e o irmão, 1º e 2º na sucessão à Rainha Isabel, "que nunca vão libertar-se da ratoeira".

André e o caso Epstein

"Porquê a Casa Real britânica investiga Meghan e não André?", pergunta Gloria Allred, advogada de algumas das alegadas vítimas de Jeffrey Epstein, entre elas a que acusa André de a ter violado numa das casas de Epstein aos 17 anos.

Gloria Allred tinha, em 02 de julho último, exortado o prince Andrew a "revelar tudo o que sabe" às autoridades. "É seu dever fazê-lo sem perder tempo. É tão traumatizante e difícil para as vítimas... Será esta uma espécie de teste de tortura a que o príncipe André está a submeter às vítimas?"

Um ano antes, em 2019, o escândalo do envolvimento de André no caso Epstein agudizara-se com o aparente suicídio de Epstein na prisão em Nova Iorque em 10 de agosto. No dia seguinte, o segundo dos três filhos varões da soberana esteve na televisão pública a exprimir um frouxo "todos os dias o lamento" sobre o ter continuado a frequentar a casa do amigo após Epstein ter saído da prisão em 2010, que admitiu, "é algo que não se espera de um membro da família real".

Em 11 de agosto de 2019, a Rainha Isabel II foi com André à missa dominical, no que foi entendido como um sinal de que estava a defender o filho de uma acusação injusta.

Mas dias depois, a 20, André comunicou que se afastava da representação oficial da casa real em mais de duzentas organizações filantrópicas, "para não prejudicar o trabalho de outros membros da minha família". A decisão surgiu depois de entidades e empresas anunciarem "reavaliar a colaboração" com o príncipe, dada a repercussão da entrevista na BBC. Para muitos, o príncipe "menosprezou as vítimas" e "pôs acima de tudo a amizade com Espstein", pedófilo condenado e repetente.
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Fontes: Reuters/BBC/Daily Mail/CBS. Fotos (Getty): André e Harry, PM Johnson, Meghan e esposa de Johnson em 2019. O casal Harry-Meghan entrevistado por Oprah, em 01 de março (com emissão no dia 07), falou da "Família Real" que "promove fugas de informação" e discutia "sem a presença de Meghan se o Archie ia nascer muito escuro"; e na sua presença lembravam ao casal que o filho nunca seria príncipe nem teria títulos.

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