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Porto Novo: 180 jovens fora do sistema de ensino formal querem prosseguir estudos apesar de dificuldades económicas 23 Agosto 2018

Cento e oitenta jovens, com níveis de escolaridade entre o oitavo e o décimo primeiro anos, no Porto Novo, Santo Antão, excluídos, actualmente, do sistema de ensino público formal, desejam prosseguir os estudos, apesar das “dificuldades financeiras”.

Porto Novo: 180 jovens fora do sistema de ensino formal querem prosseguir estudos apesar de dificuldades económicas

Esta é a conclusão de um inquerido, feito em Agosto, pela escola secundária privada Progresso, na cidade do Porto Novo, que já submeteu à Direcção Nacional da Educação (DNE) um projecto educativo para demanda deste público que não se enquadra no perfil público do ensino e sem “condições financeiras para a auto-sustentabilidade dos estudos ou de uma formação profissional”.

Elísio Rocha, director da escola Progresso, fundada em 2002, disse ter apresentado à DNE uma proposta de alteração dos estatutos deste estabelecimento, que permita-o transformar-se numa “instituição social do ramo do ensino secundário e profissional”, com vista à “inserção e inclusão” desses jovens, que não se enquadram no perfil público do ensino formal, “evitando assim os efeitos sociais menos positivos”.

O inquérito abrangeu 188 jovens que, sobretudo, por dificuldades económicas, mas também devido a outros factores, como gravidez e acesso à escola, deixaram de estudar, mas 181 desejam prosseguir os estudos, apesar destas vicissitudes, designadamente financeira.

A nível do oitavo ano, dos 75 jovens inqueridos, 72 querem continuar os estudos, enquanto que no nono ano, 50 dos 52 jovens inquiridos querem, igualmente, voltar a estudar.

No décimo ano, 38 dos 39 jovens que ficaram pelo caminho querem retomar a escola, enquanto que 22 jovens que não concluíram o décimo segundo ano desejam o fazer, caso consiga os meios para tal.

Com novos estatutos, a escola secundária Progresso pretende o “enquadramento legal e adaptável” às novas demandas formativas no Porto Novo, visando “criar alternativas viáveis” para responder às necessidades da comunidade educativa neste concelho, avançou Elísio Rocha.

O projecto educativo, já apresentado à DNE pela direcção do Progresso, passa pela “reestruturação” e transformação deste numa “escola social”, no âmbito de uma parceria público-privada, permitindo, assim, “a absorção dos alunos que não se enquadram no perfil público do ensino formal”, abarcando a vertente profissional.

Para a realização do seu novo projecto educativo, Progresso, avançou o director, conta com “a estreita articulação” com a delegada do Ministério da Educação e com o Centro Concelhio da Educação de Adultos no Porto Novo, bem assim com edilidade portonovense e com o Centro de Emprego e Formação Profissional de Santo Antão.

O projecto inclui ainda a dinamização da biblioteca escolar e de oficinas de aprendizagens específicas, além da criação da associação dos estudantes do ensino privado neste município.

Segundo Elísio Rocha, Progresso, ao longo desses 16 anos, “cumpriu o seu papel social, chegando ao fim de um ciclo”, marcado por “insustentabilidade como escola privada”, mas afasta o fim deste estabelecimento do ensino, que está a ser reestruturado para “afirmar-se agora com novas demandas profissionais”.

A Câmara Municipal do Porto Novo confirmou estar a trabalhar com a direcção do Progresso no processo de reorganização da escola “para dar oportunidades aos jovens portonovenses, fora dos sistema de ensino, de prosseguirem os seus estudos”. A Semana/Inforpress

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