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Porto Novo: Líder local do PAICV denuncia situação dramática por desleixo do Governo e da Câmara Municipal 12 Dezembro 2017

O Concelho do Poto Novo de Santo Antão está, por causa do mau ano agrícola, a viver uma situação preocupante com animais a morrer e perder crias e pessoas de interior a migrar para a cidade do Porto Novo à procura de alternativas de sobrevivência. A denúncia foi feita, hoje, em conferência de imprensa, pela primeira secretária do sector do PAICV, Elisa Pinheiro, para quem tudo se deve ao desgoverno do MpD e ao desempenho medíocre da actual Câmara chefiada por Aníbal Fonseca.

Porto Novo: Líder local do PAICV denuncia situação dramática por desleixo do Governo e da Câmara Municipal

Descrevendo o quadro socioeconómico reinante no Porto Novo, a responsável concelhia do maior partido da oposição alerta que é provável que o MPD não queira saber ou inteirar-se da situação dramática provocada pelo mau ano agrícola no concelho. «Talvez o MPD não saiba, ou não queira saber, que os animais estão a morrer, que as fêmeas ainda vivas estão a perder as suas crias por falta de forças, que os criadores estão a vender os seus animais ao desbarato por falta de alimento e água numa tentativa desesperada de salvar alguma coisa. Ou que em desespero, algumas famílias já começaram a abandonar as suas localidades rumo à cidade do Porto Novo, onde se esperam conseguir encontrar uma nova alternativa de vida. Pois, definitivamente o pasto realmente não está cá e a situação está cada vez mais dramática!».

Segundo Elisa Pincheir, agravar ainda mais esta situação calamitosa, no interior do Concelho não há um único posto de trabalho público, o que demonstra claramente o estado de abandono dessas populações e o tamanho da insensibilidade do Governo Central e da Câmara Municipal do Porto Novo.

Diante de tudo isto, a jovem politica volta a solicitar às Entidades competentes que comecem, de uma vez por todas a implementar ações concretas do Programa de emergência para a mitigação da seca e do mau ano agrícola, com destaque para a mobilização de água e a abertura de frentes de trabalho, e que disponibilizem rações para venda em diferentes localidades a um preço acessível. «Pois, também duvidamos dos resultados da linha de crédito disponibilizada pelo Governo, onde é solicitado fiadores ou outras garantias que os mesmos criadores de gado dizem não ter, para além de serem obrigados a começar a pagar o empréstimo num curto espaço de tempo de 9 meses, quando não se têm a certeza se já haverá chuva e muito menos se essas pessoas já terão alguma condição financeira para começarem a amortizar a dívida que poderão vir a contrair».

Elisa Pinheiro desmonta que, e em jeito de mais uma propaganda, na semana passada, foi assinado mais um contrato-programa entre o Governo e a Câmara Municipal, cujo valor ficou muito abaixo do montante necessário para fazer face à dramática situação que se vive no Porto Novo. « Mas continuam a gastar rios de dinheiro em festas, deslocações e outras atividades que servem apenas para alimentar egos pessoais, que não são de todo prioritários, e que não têm demostrado resultados plausíveis para o nosso Concelho. Ou seja, o anunciado plano de mergencia inclui um conjunto de intenções que demonstram ser insuficientes e que ainda não se sabe se chegará a tempo para socorrer quem mais precisa».

Desempenho negativo da Câmara

Referindo-se ao facto do MPD ter-se congratulado com a avaliação feita pela empresa Afrosondagem à Câmara do Porto Novo, Elisa diz desafiar ao dirigentes para precisarem em que partes do relatório da Sondagem encontraram alguma referência específica sobre Porto Novo. «Pois, por aquilo que se lê no relatório, as três Câmaras de Santo Antão foram avaliadas globalmente como um todo, com uma classificação de cerca de 5 pontos, numa escala de 0 a 10. E se atendermos que a Câmara da Rª Grande teve sempre uma avaliação entre os 7 e 8 pontos, facilmente chegaremos à conclusão que a fatia que cabe à Câmara do Porto Novo e ao seu Presidente deve estar abaixo dos 4 pontos, o que continua a dar uma avaliação MEDIUCRE, conforme a própria Câmara já teria salientado na última Sessão da Assembleia Municipal. Espanta-nos por isso, que o Senhor Deputado Nacional e Coordenador do MPD tenha congratulado com tão pouco e que esteja no sentido contrário daquilo que é a sondagem real existente e que está claramente estampada no rosto dos Portonovenses».

Para a mesma fonte, esta avaliação negativa da Câmara não surpreende ninguém, porquanto, outra coisa não era de se esperar, tendo em conta que há cerca de um ano e meio que Porto Novo está parado e completamente desgovernado. «O desemprego continua a aumentar de forma galopante; Os despedimentos de trabalhadores continuam na Câmara Municipal e nos Serviços do Estado; Os jovens têm cada vez menos alternativas;Os Delegados, sem o perfil exigido pela lei, colocados na maioria das Delegações Municipais, continuam a fazer escola no Concelho, com grandes prejuízos para as populações locais; A penúria de água potável e para o gado tornou-se ainda mais alarmante, principalmente em determinadas localidades do interior; A população do interior do Concelho continua completamente abandonada».

Promessas engavetadas

Descreve ainda que, por imposição do Governo e falta de apoio da Câmara Municipal, muitas crianças continuem a percorrer grandes distâncias a pé para poderem chegar às suas salas de aulas. Isto sem contar com os operadores turísticos seleccionados como beneficiários do Programa “ Rota das Aldeias Rurais” de Santo Antão, lançado ainda em 2016 pelo Governo do PAICV, que continuem sem usufruir dos prometidos financiamentos.

A líder concelhia do PAICV lembra, por outro lado, que as grandes promessas feitas pelo líder Ulisses Correia e Edil Aníbal Fonseca à população do Porto Novo nas últimas campanhas já foram, no entanto, engavetadas. São, segundo ela, a construção do aeroporto, a conclusão da segunda fase do porto do Porto Novo, a construção do cais de pesca, a construção da estrada para o primeiro Povoado de Alto Mira, a estrada para Monte Trigo, a construção do Muro de Proteção de Tarrafal de Monte Trigo e a instalação da Universidade no Porto Novo.

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