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Portugal: 1º de dezembro dos 40 Conjurados teve ciganos e presidente Marcelo homenageou-os 01 Dezembro 2022

O primeiro-ministro António Costa homenageou esta quinta-feira a "memória dos que lutaram e contribuíram" para a restauração de 1640 e, na mesma toada, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa evocou os ciganos que "deram a vida" pela independência nacional e lamentou a discriminação de que têm sido alvo em Portugal.

Portugal: 1º de dezembro dos 40 Conjurados teve ciganos e presidente Marcelo homenageou-os

Na mensagem em que saúda o dia "em que valorosos guerreiros nos deram livre a Nação", o chefe de Estado destaca o cavaleiro fidalgo Jerónimo da Costa, um dos duzentos e cinquenta ciganos que serviram nas fronteiras e tombaram por Portugal.

O Dia da Independência em Portugal comemora, no primeiro de dezembro, o fim dos sessenta anos do domínio espanhol, 1580-1640. O descontentamento popular que marcou os anos do domínio espanhol não era partilhado pelos aristocratas que obtiveram muitas vantagens com a União Ibérica.

Mas com o tempo, os aristocratas foram-se apercebendo das medidas dos três sucessivos Felipes que iam apertando cada vez mais a autonomia portuguesa. Emergem os Quarenta Conjurados, um grupo de nobres que se reuniam periodicamente no Rossio no palácio de Antão Vaz de Almada, hoje Palácio da Independência.

O grupo alargou-se e contavam-se 120 Conspiradores no dia 1.12.1640. Marcharam uns até ao porto onde apreenderam os navios do rei Filipe III, outros até ao palácio real. Isabel duquesa de Mântua era a vice-rainha a governar em nome do avô Filipe III/ Felipe IV. A vice-rainha foi presa e o secretário de Estado, o "traidor" português Miguel Vasconcelos, foi sumariamente executado.

O papel dos Quarenta Conjurados ajudados ainda pela revolta que lavrava na Catalunha — em 1640 como hoje a lutar pela autonomia ou independência perante o poder central em Madrid— foi crucial para a vitória desse 1º de dezembro de 1640.

Mas o trauma profundo cavado na alma coletiva do povo por vezes emerge. Há sem dúvida uma associação determinante entre a perda da independência e o mito do sebastianismo que ainda perturba a identidade nacional portuguesa.

Fortaleza. Ilha de São Filipe, nunca dos Felipes

Registos históricos dão conta dos sessenta anos de resistência da ilha do Fogo ao domínio filipino, dos Felipes II, III e IV de Espanha. A outrora Ilha de São Filipe, perante a ordem para trocar os símbolos do reino de Portugal pelos do reino de Espanha, simplesmente não a cumpriu.

Nesse último quartel do século XVI, a política expansionista de Espanha em rivalidade com a Inglaterra — que promoveu as incursões de corsários como Francis Drake — ameaçava a existência de Cabo Verde pelo que urgia a construção de um forte para a cidade da Ribeira Grande cuja riqueza a tornava alvo constante da pirataria francesa e inglesa.

Erigida entre 1587 e 1593, a Fortaleza Real de São Filipe foi a primeira e única fortaleza que os Felipes ergueram em Cabo Verde. O também denominado Forte Real de São Filipe juntou-se às edificações militares existentes construídas nos reinados de D. Sebastião e D.Henrique.

Fontes: RTP/SIC/DN.pt/JN.pt. Fontes históricas. Fotos: Monumento da Restauração de 1640, em Lisboa. Fortaleza de São Filipe inaugurada em 1593 e restaurada em 2007, um evento histórico que trouxe à Cidade Velha a Rainha Sofia de Espanha.

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