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Portugal: 2 acusadas de homicídio de Diogo de 21 anos, Maria é condenada a 25 anos e Mariana sai livre 01 Maio 2021

O Tribunal de Portimão, Algarve condenou hoje a 25 anos de prisão Maria (à direita na foto), uma das duas acusadas da morte e desmembramento do jovem Diogo em março de 2020, no Algarve. Mariana, à esquerda na foto, que foi absolvida do homicídio e condenada a quatro anos por outros crimes, saiu em liberdade.

Portugal: 2 acusadas de homicídio de Diogo de 21 anos, Maria é condenada a 25 anos e Mariana sai livre

Na leitura do acórdão esta terça-feira, a presidente do júri afirmou que o tribunal deu como provado que Maria Malveiro, hoje com 20 anos, matou Diogo Gonçalves, de 21 anos, embora não tenha conseguido provar a participação no homicídio da outra arguida. Assim, Mariana Fonseca, hoje com 24 anos, foi condenada a quatro anos por ocultação de cadáver, burla qualificada e peculato, "crimes não passíveis de configurar a aplicação de prisão preventiva".

O tribunal decidiu condenar Maria Malveiro à pena máxima, 25 anos, pelos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver, acesso ilegítimo, burla informática, roubo simples e uso de veículo.

Quanto à outra acusada, o júri considerou que ela, enfermeira, "tentou reanimar Diogo, o que afasta qualquer intenção de o matar". Mariana Fonseca pôde sair em liberdade.

Mariana Fonseca à sua saída da prisão de Tires (foto à esquerda) tinha o pai, um militar da GNR, e a reportagem do CM-Correio da Manhã à sua espera. O advogado dela expressou ao CM a intenção de recorrer da sentença.

Crime inspirado em ’Dexter’

A série televisiva Dexter foi apresentada por ambas como a fonte de inspiração para o ’modus operandi’ do crime.

Mariana Fonseca, enfermeira que trabalhava nos hospitais de Portimão e Lagos, e Maria Malveiro, segurança, estavam acusadas dos mesmos crimes.

Mas em tribunal, a defesa de Mariana alegou que a enfermeira fez manobras de reanimação em Diogo inconsciente e que ele estava de novo acordado quando Maria voltou a apertar-lhe o pescoço — o que levou à sua morte.

Esta nova versão foi desmentida por Maria, que aliás tinha assumido a autoria do homicídio desde os primeiros interrogatórios. Uma atitude que, segundo ela, visou proteger Mariana. Porém segundo Maria, isso já não faz sentido depois de romperem a relação em janeiro do corrente.

Mas o tribunal de Portimão acabou por não ter em conta o novo depoimento de Maria, por entender ser "mais consistente" a versão da Mariana.

Móbil: ciúmes ou seguro de 70 mil euros

Diogo, a vítima, tinha recebido 70 mil euros de indemnização pela morte da mãe, atropelada na zona de Albufeira, em 2016. A mãe era o sustento da família depois de, em 2010, o pai ficar doente.

Segundo a acusação, as duas mulheres, que formavam um casal, urdiram o plano de roubar Diogo Gonçalves, de 21 anos que era colega de Maria num hotel de Albufeira. Para isso, Maria iria fingir corresponder ao amor do jovem, um "ingénuo". Foi assim que no dia fatal Diogo e Maria entraram na casa dele e ela amarrou-o a pretexto de um jogo erótico.

Depois chegou Mariana e, juntas, levaram avante o plano de lhe extorquirem dinheiro. O resultado final foi a morte do jovem de 21 anos. Um jovem exemplar de quem dependia o pai doente. Diogo apaixonado por Maria que às ocultas formava um casal com Mariana.

Os contornos do homicídio — crime talvez premeditado seguido de desmembramento do corpo e que chocou o Portugal dos brandos costumes — não ficaram de todo esclarecidos.

Fica a dúvida sobre o alegado móbil dos ciúmes apresentados por ambas as arguidas. Fica a sensação de que a justiça não foi feita de modo total.

Indemnização ao pai

A ex-funcionária de segurança Maria Malveiro foi condenada ainda a pagar uma indemnização de 265.396 euros (c. 30 mil contos) ao pai da vítima. Mariana vai pagar 350 euros de multa.

Fontes: Observador/ TVI/Sol.pt/JN.pt/Facebook. Relacionado: Portugal estarrecido: 1 triângulo, 1 crime macabro inspirado em série televisiva, 28.jun.020. Fotos/Mapas: Locais onde foram desenterrados os restos mortais do malogrado jovem, nos extremos oriental e ocidental da costa algarvia, respetivamente, Tavira e Sagres distantes 150 km.

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