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Portugal-2 pesos em tribunal: Juiz ameaçada por militar réu — Juiz prendeu mãe da Cláudia que "sem ela morreu de desgosto" 29 Novembro 2021

"A [nossa] mãe exaltou-se, porque era injusto o juiz dizer que a Cláudia não era doente e fazia tudo sozinha", diz o José Amaral. Ana Cristina está desde junho presa por "insultar" o juiz e não foi autorizada a ir ao funeral da filha. "Não matou, não roubou nem violou", ela que vive há anos a angústia de não saber quanto tempo de vida ia ter a filha "cometeu um erro". O seu castigo, "o mais duro que se possa imaginar", levou Cláudia a suplicar: "Prendam-me com ela".

A lei é dura mas é a lei. Ponto, que é um princípio universal. E a ponderação que se espera de quem tem a alta missão de julgar o seu semelhante? Em tempos em que a perceção de injustiça é uma constante e se propaga pela web-esfera, somos interpelados pelo caso, divulgado esta semana, da mãe da ’raríssima’ Cláudia Amaral falecida neste dia 19.

Os relatos são de familiares que as reportagens da SIC e TVI ouviram por terem nas redes sociais expressado a sua tristeza e também indignação perante a "desumanidade que fizeram com a Cláudia e com a mãe". Ana Cristina está desde junho em prisão efetiva, condenada a um ano e dois meses por "insultar" o juiz.

"É desumano", escreveu no Facebook Carlos Carolina Cunha sobre a prima, "a Cristina foi privada de acompanhar a filha[. P]erdeu a filha e não pôde escolher a última roupinha [dela.] [N]ão pôde sequer acompanhar a filha na sua última viagem".

Entre outros relatos pungentes, está que a Cláudia "chegou a pedir para cumprir pena com a mãe", que toda a vida esteve com ela. Em casa na cidade de Viseu e nas deslocações para tratamento, que incluíram viagens aos Estados Unidos onde estava integrada no projeto PRP-Progeria Research Project para obter a cura da sua doença, objetivo que a fundação sediada em Boston acredita atingir em 2023.

Estiveram a vida toda juntas, Cláudia e a mãe "cuidadora exclusiva" e "a única que conhecia tudo sobre a doença e sabia como tratar a filha".

Ana Pais foi colocada na cadeia no Porto, longe da residência em Viseu. Desde junho detida no Porto só foi transferida para a cadeia da Guarda (a c.200km) no dia em que a filha morreu, a semana passada. Chegou a estar no velório, mas não teve autorização para permanecer e acompanhar o funeral.

Segundo os relatos da família, "nos últimos meses de vida, Cláudia tinha apenas um desejo: queria ter a mãe ao seu lado". Pedido negado até ao fim.

A entidade própria, a DGRSP-Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, confirmou e justifica que o estabelecimento prisional está a cumprir "as regras impostas pela pandemia".

Pesos variam

A venda-nos-olhos simboliza a imparcialidade da Justiça, entidade emanando da divindade em todos os mitos em que assenta a instituição. Por isso, a sociedade fica em choque perante a ausência da imparcialidade fundamental na aplicação da lei para uma sociedade mais justa.

A injustiça evidencia-se ao comparar a dureza do castigo aplicado à mãe da raríssima Cláudia e a liberdade de que goza o militar da GNR-Guarda Nacional Republicana que, em abril, publicou mensagens nas redes sociais com insultos e ameaças a uma juiz do distrito de Braga, no norte de Portugal.

"Gostava de te puxar o cabelo e espetar-te com os dentes contra um lancil e partir-te o maxilar. Cortar-te a língua e fazer um colar com as orelhas, como se fazia na Guerra Colonial". Isto lê-se no Facebook do soldado Carlos Lima da GNR, entidade com jurisdição também policial em certas partes do território português,

Segundo o Jornal de Notícias, o GNR Carlos Lima é acusado de um total de 66 crimes de injúria, difamação e perseguição. Além da juiz, dois procuradores foram também alvo de textos ameaçadores que o militar lhes dirigiu via redes sociais. Esta quarta-feira o julgamento teve início no tribunal de Braga.

Fontes: JN.pt/outras referidas. Relacionado: Portugal: Raríssima Cláudia de 23 anos atingiu recorde de longevidade da Progéria, 23.nov.021. A Semana com Inforpress

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