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Portugal-Autárquicas: Lisboa é laranja, Costa "não esperava" — PSD derruba PS na capital e em Coimbra 27 Setembro 2021

O candidato social-democrata Carlos Moedas é — apesar da vitória tangencial de 34,25% ’versus’ os 33,3% de Medina — o grande vencedor das Autárquicas de Portugal 2021 ao arrebatar Lisboa ao socialista Fernando Medina, presidente cessante. Moedas cativou o eleitorado capitalino com o reavivar da ’Lisboa de bairro’ ou a proposta ecologista que inclui "ciclovias em ruas paralelas" na cidade das sete colinas.

Portugal-Autárquicas: Lisboa é laranja, Costa

O secretário-geral do PS, António Costa, assumiu no final de domingo a sua frustração com a "derrota inesperada" — por menos de 1.400 votos, no município de que foi presidente entre 2007 e 2015 — e desejou felicidades a Carlos Moedas.

O mapa autárquico de Portugal — segundo os resultados oficiais provisórios 12 horas após o fecho das urnas — apresenta-se assim: 34% PS, 19% coligações de direita, 13% PSD, 8% PCP-PEV, 6% Independentes, 4% Chega, 3% BE, 1% CDS, 12% outros. A abstenção foi a maior de sempre: 46%.

A vitória da coligação PSD-CDS-PPM em Lisboa, sobre a liderança socialista que completou 14 anos, contrariou as sondagens — ao fecho das urnas, a sondagem da SIC dava mesmo um empate técnico. É o renascer das velhas alianças que, de tempo em tempos, se reavivam na ala direita para a disputa do poder central ou autárquico.

A proposta que cativou o eleitorado capitalino vai na contramão da Lisboa cosmopolita, com uma economia pujante resultante do turismo e das feiras internacionais. Os lisboetas chumbaram a proposta socialista que ia continuar na senda económica virada para fora. Preferiram reavivar a ’Lisboa de bairro’, nostálgica, mas também a inovadora proposta ecologista que inclui "ciclovias em ruas paralelas" na cidade das sete colinas.

De Beja, terra vermelha de outrora e hoje mais laranja e às vezes rosa (socialista). O benjamim do comunista convicto "Zé" Moedas, fundador do Diário do Alentejo, reza a sua biografia, "nunca partilhou da ideologia política do pai". Ao contrário do Pedro Passos Coelho (vide infra, último parágrafo) que da infância à adolescência partilhou a "utopia marxista" com o pai médico, antes de se desvincular e aderir ao PSD aos 20 anos.

Porto: Rui Moreira, o edil recandidato, antigo social-democrata e independente desde 2017, venceu mas perdeu a maioria absoluta.

Também o Bloco de Esquerda está de parabéns na capital do Norte: elegeu um vereador pela primeira vez. O PS a afundar-se perdeu um e o PSD duplicou o mandato de 2017.

Amadora, cidade ’criola’ e de outros PALOP, continua socialista. Pela negativa, nota-se a invisibilidade de pessoas saídas dessas comunidades nas listas partidárias. A cidade ’criola’, com todas as suas assimetrias, progressivamente vai evoluindo também no sentido de "expulsar" os imigrantes dos PALOP para urbes limítrofes.

Entre outras, urbes no concelho de Sintra, que também continua socialista,, como se destaca nas candidaturas femininas vencedoras como em Rio de Mouro... Nota-se, por exemplo, Mem Martins (28,54% PS e 22,24% PSD; um recorde de 60% de abstenção) no concelho de Sintra, como a freguesia (sub-unidade do concelho) que a caminhar para os 100 mil habitantes se destacou nestas autárquicas como a maior freguesia do país.

Outro concelho com expressiva população cabo-verdiana é Oeiras do independente Isaltino Morais. A urbe à beira-mar da Grande Lisboa continua independente, com 60,18%. Bem distante do PS com 10, 68%. e PSD com 5,70%. Em 2017 Isaltino venceu, mas estando preso foi Vistas o Edil.

Coimbra: a capital da academia — ameaçada do despovoamento da geração 24-29 anos, a mais qualificada — deu a vitória ao social-democrata José Manuel Silva, que prometeu novos tempos para a ’Lusa Athena’.

Destronado, o histórico socialista Manuel Machado promete que "não é hora de me retirar".

Portugal autárquico tem 45 anos: quem venceu?

O mapa autárquico de Portugal — segundo os resultados oficiais provisórios 12 horas após o fecho das urnas — apresenta-se assim: 34% PS, 19% coligações de direita, 13% PSD, 8% PCP-PEV, 6% Independentes, 4% Chega, 3% BE, 1% CDS, 12% outros. A abstenção foi a maior de sempre: 46%.

O PS vence, pois, com 153 câmaras pelo menos — 34% muito semelhante aos 33,65% em 1976, ano das primeiras autárquicas. Melhor comparativamente aos 13% do PSD de hoje, contra os 24,77% de 1976.

A CDU (comunistas e ecologistas) despencou para 6%, uma queda idêntica à do PSD.

Os 4% do Chega destacam-se perante os 3% do BE ou o 1% do CDS.

A abstenção foi a maior de sempre nas autárquicas — que desde 1976 são as mais concorridas das eleições. 46% do eleitorado abstiveram-se, mais um por cento que em 2017.

A substituição de Rui Rio é conjetura reforçada com mais esta derrota (a autárquica de 26-9) e o nome de Pedro Passos Coelho, ex-primeiro-ministro, um histórico do PSD vem à tona. A ver vamos.

Fontes: RTP/SIC/Sites das candidaturas. Foto: O líder do PSD Rui Rio (com um dos piores resultados de sempre); vitorioso em Lisboa é Carlos Moedas, de 51 anos; o líder do CDS Francisco Rodrigues dos Santos — nascido em 1988, o ano em que o caloiro de engenharia Carlos, vindo de Beja, passou a residir na "Lisboa de bairro".

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