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Portugal: Bárbara assassinada por colega obcecado, que lhe fez 315 chamadas 19 Novembro 2019

Um homicídio "ilógico", "surpreendente e inexplicável" deixou órfãos um menino de 9 anos e uma menina de 4 anos e o marido, com quem Bárbara, de 40 anos, estava casada havia doze anos, retém o derradeiro e inútil grito de socorro: "Amor, amor, ele está aqui! O Ricardo! Ai!"

Portugal: Bárbara assassinada por colega obcecado, que lhe fez 315 chamadas

Seis meses após aquele trágico 30 de abril que devastou a família e amigos, há muitas perguntas sem resposta. O homicida — que segundo relatos de testemunhas começou por agredir verbal e fisicamente a colega e depois foi buscar a arma de alto calibre ao carro — continua em estado vegetativo, com danos cerebrais severos autoinfligicos com a mesma arma com que matou a colega Bárbara.

A investigação da PJ ouviu dezenas de testemunhas, entre familiares, amigos, colegas e conclui que a vítima e agressor eram "ambos reconhecidos como bons profissionais, não conflituosos, amigos e solidários", "Ricardo era mais exuberante e afetivo, Bárbara era ativa, comunicativa e alegre".

O que, segundo os testemunhos, começou por ser uma amizade entre Bárbara e Ricardo, em determinado momento passou a ser, para ele, algo mais. A análise dos registos telefónicos indica que em seis meses, de 1 de outubro de 2018 a 19 de abril, Ricardo telefonou 315 vezes a Bárbara e que esta lhe telefonou 13 vezes.

Uma amiga de há trinta anos além de colega contou à PJ que em fevereiro, dois meses antes do homicídio, Bárbara lhe confidenciou que estava a ser assediada por Ricardo. Essa colega e também amiga de Ricardo, que conhecia desde 2012, ofereceu-se para falar com ele e levá-lo a compreender a indisponibilidade dela.

A 29 de março, a amiga, que sabia que Bárbara era "feliz no casamento", soube que Ricardo a tinha ameaçado e que ela contara ao marido.

Outra colega e amiga depôs que Ricardo em abril durante as férias de Bárbara perguntou insistentemente por ela e deu-lhe a entender que se "sentia gozado", que Bárbara brincara com os seus sentimentos.

"Ficou implícito o desgosto de Ricardo", mas nunca pensou que ele chegaria a tal extremo "pois era uma pessoa muito pacífica", "de bem com a vida, a última pessoa que imaginava a fazer o que fez" .

Pedido de desculpas ao marido

Ramiro, o marido de Bárbara contou aos investigadores que no final de março ao caminhar junto ao edifício do Tagus Park, cenário da tragédia um mês depois, foi abordado por Ricardo que lhe pediu para falarem a sós.

Surpreendido por ver que o assunto não era profissional — ambos trabalhavam para o mesmo banco, mas em departamentos diferentes e só se conheciam de vista — Ramiro ficou ainda mais estupefacto com o que lhe disse Ricardo.

Ricardo começou por pedir desculpas ao marido de Bárbara por ter enviado a esta mensagens e por estar apaixonado por ela.

"O pedido de desculpas pareceu legítimo, humilde e educado", afirmou Ramiro no seu depoimento.

Ao chegar a casa, contou a Bárbara — com quem namorou seis anos antes de casar — o sucedido e esta reconheceu a "ligação especial" com Ricardo. Ela contou que "tinham saído algumas vezes", mas garantiu que era só por amizade e que "tinha cortado a possibilidade de sequer continuar a amizade com ele, no momento em que ele manifestou outra intenção".

No entanto, Ricardo voltou a telefonar algumas vezes a Ramiro, a pedir de novo desculpas e agradecer-lhe por ser "um tipo porreiro".

Em retrospetiva, no depoimento à PJ, Ramiro pensa que "afinal Ricardo queria provocar zangas" entre o casal, "na esperança" de que se separassem".

No dia 30, às 13H07, Bárbara ligou ao marido a dizer que estava a dirigir-se para o carro. De repente ele ouviu o grito de socorro. Telefonou a uma colega de ambos e pediu-lhe para ir ver Bárbara. Minutos depois, ela ligou a dar-lhe a trágica notícia.

A reconstituição do cenário a partir de imagens das câmaras de videovigilância mostrou que o homicida esperava dentro do seu carro no parque de estacionamento desde as 11 horas.

MP: "Personalidade perversa e cruel"

Para o Ministério Público, o homicida "revelou uma personalidade perversa e cruel, conduta ainda mais censurável, tendo em conta a relação de amizade com a vítima".

O crime hediondo foi preparado com meses de antecedência, suspeitam os investigadores, com base em elementos colhidos, um deles o facto de o homicida ter comprado a arma de guerra meses antes.

Fontes: DN. Relacionado: Portugal: Uma mulher morreu, o atirador tentou suicidar-se após ’briga fútil’ no centro de inovação tecnológica inaugurado por Isaltino Morais, 01.mai.019. Fotos: O casal Ramiro e Bárbara. Tagus Park, cenário da morte dela.

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