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Portugal: Bolsonaro em Lisboa teve selfies com fãs e críticas por ’idiota que falava francês’ — Espantou investidores árabes com "floresta tropical não arde" 21 Novembro 2021

O presidente Jair Bolsonaro aponta que a imprensa brasileira é responsável pela má imagem do Brasil no que toca à desflorestação na Amazónia. Disse-o ao relatar sobre um "bate-boca" nesta sexta-feira no aeroporto de Lisboa, onde fez uma curta escala após viajar pelo Golfo Pérsico. "Fui muito bem tratado em todos os lugares que fui" exceto por um "idiota" que "falava francês", disse referindo-se a quem o criticou pelos incêndios na Amazónia.

Portugal: Bolsonaro em Lisboa teve selfies com fãs e críticas por ’idiota que falava francês’ — Espantou investidores árabes com

Bolsonaro relatou o "bate-boca" durante a sua tradicional transmissão em vídeo na rede social Facebook. Sem surpresa, aproveitou a oportunidade para desancar na imprensa brasileira que transmite "notícias mentirosas".

"Fui muito bem tratado em todos os lugares que fui, tive apenas um pequeno bate-boca, não vou falar tudo aqui porque sou um cara [homem] educado. Fizemos escala em Lisboa (...) e fomos no free shop. Não comprei nada, porque para mim está caro, mas de repente chega um cara (e eu não tenho nada contra), baixinho, barrigudo, cabeludo e barbudo, parecia um anãozinho". Nada destoante do estilo bolsonarista.

"Ele começou a falar em francês e pedi para traduzirem. ’O cara está falando para você parar de atear fogo na Amazónia’. A resposta que eu dei para ele, não posso dar para vocês, mas pedi para traduzirem para aquele picareta [irresponsável] que eu quero é saber das florestas da França, da energia da França. (...) Quero saber sobre a reflorestação na França. Porque é que esse idiota veio falar isso com a gente? porque fica lendo notícias mentirosas que vêm do Brasil!", lamentou o presidente brasileiro.

Bolsonaro espanta árabes: "floresta tropical não arde"

O chefe de Estado brasileiro esteve em périplo por países do Golfo Pérsico. Em encontros com investidores árabes, que convidou a visitar o Brasil, chegou a afirmar que a Amazónia não arde porque é uma "floresta tropical" e que são injustos os ataques que o Brasil sofre.

A culpa segundo Bolsonaro cabe aos meios de comunicação social do Brasil que publicam "matéria, na maioria das vezes, patrocinada por brasileiros que estão trabalhando contra o seu país", disse.

"Tem desflorestação ilegal [na Amazónia]? Tem. É só outros países não comprarem madeira nossa, é simples. Tem queimada ilegal? Tem, mas não é nessa proporção toda que dizem aí", alegou o presidente do Brasil.

Dados divulgados só pós-COP26

Os dados divulgados na 5ªfª, 18, contraditam o presidente Bolsonaro ao apontarem que a Amazónia brasileira perdeu 13.235 quilómetros quadrados de cobertura vegetal entre agosto de 2020 e julho de 2021. 22% a mais em relação ao período anterior e um recorde dos últimos 15 anos, segundo tais dados oficiais cuja divulgação só no pós- COP26 é muito criticada como manobra do governo de Bolsonaro.

Segundo imagens de satélite do INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão governamental, essa superfície devastada é maior do que a de países inteiros como o Qatar, Jamaica ou Líbano (respetivamente com 11.610 km2, 10.990 km2, segundo o IndexMundi que lista ainda mais 40 países com superfície ainda menor).

Fontes: JN.pt/SIC/ g1/Sites especializados. Bolsonaro no aeroporto de Lisboa fez selfies com apoiantes, teve bate-boca sobre a desflorestação da Amazónia.

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