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Portugal-China em guerra 21 Setembro 2021

Esta semana de setembro indícios de movimentação bélica no Mar da China — ’Ásia-Pacífico: (...) China denuncia pacto (AUKUS)que "intensifica corrida às armas" — levam a evocar a guerra de 1927 que obrigou Lisboa a enviar tropas em socorro da "grande comunidade de portugueses" residentes em Xangai, "a Paris do Oriente".

Portugal-China em guerra

O institucional Diário de Notícias ou o mais recente Diário de Lisboa (hoje extinto) escreveram então sobre o "perigo do comunismo" a avançar na China em março de 2017. Mas nada noticiaram sobre o desembarque de dezenas de soldados portugueses em Xangai a 10 de março de 1927.

É o relato do comodoro Guilherme Ivens Ferraz, comandante do cruzador República, um dos 63 navios de oito países destacados para a defesa das concessões estrangeiras que é a fonte para saber sobre a quase incrível história do dia em que Portugal invadiu a China há 94 anos.

"Gelados, encharcados e chapinhando lama", escreveu Ferraz, as tropas portuguesas desembarcaram em Xangai e foram "guarnecer trincheiras e redutos sem o menor abrigo".

Este trecho da despercebida história portuguesa na China do século XX está nas páginas do Expresso deste fim e semana. Mas o que a seguir se escreve decorre de leituras académicas.

A "Paris do Oriente" tinha entre 1920-1930 um total de 1.599 portugueses, o que fazia destes uma das comunidades estrangeiras mais importantes de Xangai.

"Entre os europeus, os portugueses estavam em terceiro lugar", indica o investigador da universidade de Xangai, Wang Zhicheng. Os primeiros eram os ingleses e depois os russos. Tudo consequência da "Guerra do Ópio"(1839-42), cujo desfecho obrigou a China a abrir cinco dos seus portos ao comércio internacional.

Os portugueses de Xangai totalizavam, segundo o Censo de 1930, mais 193 pessoas que os próprios franceses que governavam uma parte da cidade conhecida ainda hoje como "antiga concessão francesa", indica Wang Zhicheng. Ele também descobriu que essa "comunidade lusa" era sobretudo formada por oriundos de Macau, filhos de casamentos entre portugueses e chineses.

O académico chinês refere como chegou aos portugueses de Xangai. Após dez anos de pesquisa, publicou em 1993 a "História da Emigração Russa em Xangai".
A obra caiu no radar da Fundação Macau e "eles entraram em contacto comigo e propuseram-me que fizesse uma história idêntica acerca dos portugueses".

Entre as ’descobertas’ por Wang está que, em 1850, havia já seis portugueses a viver em Xangai e quinze anos mais tarde o número ultrapassava a centena. No século XX, a comunidade estava organizada em dezenas de associações recreativas e teve vários jornais, quase todos de reduzida tiragem e curta duração. "Os portugueses tiveram sempre uma posição influente na comunidade estrangeira de Xangai, mas o seu peso político, económico e cultural era bastante pequeno", conclui o académico de Xangai.

Fontes universitárias/Expresso.pt/. Fotos: (Reuters) Em setembro, indícios de movimentação bélica no Mar da China. (DN.pt) Portugal em 1927 entra na China.

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