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Portugal: Consulado em Macau alerta sobre violência nas universidades de Hong Kong 14 Novembro 2019

Nesta quarta-feira, 13, terceiro dia dos violentos confrontos em universidades do território — entre elas, a ’Universidade Chinesa de Hong Kong’ onde a polícia usou, na terça-feira, 12, gás lacrimogéneo e balas de borracha contra estudantes —, o ’Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong’ pede aos "estudantes de nacionalidade portuguesa" que enviem os seus dados pessoais para obterem apoio. A representação diplomática, sediada em Macau e com escritório também em Hong Kong, disponibilizou linhas telefónicas para todas as 24 horas.

Portugal: Consulado  em Macau alerta sobre violência nas universidades de Hong Kong

No Facebook do consulado português, pode ler-se que a representação diplomática prestará qualquer apoio necessário e disponibiliza contactos durante as vinte e quatro horas. Para esse fim, "solicita a todos os estudantes de nacionalidade portuguesa que se encontrem em Hong Kong que nos transmitam via email para o endereço macau@mne.pt as seguintes informações: nome; Cartão de Cidadão ou passaporte; contacto telefónico; email; universidade onde estão a estudar", lê-se online.

Os quatro meses de confrontos violentos recrudesceram esta semana. Manifestantes contra polícias, tanto na área financeira da cidade como nas universidades. Pelo menos 11 instituições de ensino superior anunciaram que as aulas estão suspensas.

Em conferência de imprensa, na quarta-feira, a polícia de Hong Kong acusou a CUHK-’Universidade Chinesa de Hong Kong’ de se ter transformado numa "fábrica de armas". Prova: 400 bombas de cocktails molotov foram lançadas contra as autoridades na terça-feira e "várias centenas" foram lançadas no campus universitário.

Do lado da polícia foram lançados 1.567 disparos de gás lacrimogéneo, na terça-feira e 1.312 balas de borracha.

Estações de metropolitano e de comboio foram encerradas após os manifestantes antigovernamentais e pró-democracia bloquearem as entradas e vandalizarem as instalações.

Começou em junho-julho no 22º ano da retrocessão

Foi ao primeiro dia de julho que o mundo se surpreendeu com imagens de gigantescos protestos nas ruas, invasão do parlamento, tensão máxima e repressão policial. Nesse dia, a região administrativa especial de Hong Kong marcava o vigésimo-segundo aniversário da sua retrocessão à RP China.

Na manhã seguinte, imagens televisivas mostravam a polícia a guardar o edifício parlamentar que exibia os sinais da invasão da véspera.

Centenas de hongkonguenses tinham sido detidos nesse inédito , 1º de julho e as autoridades diziam esperar do poder judicial "a punição para os destruidores de bens públicos". Eram jovens, em torno da idade da criação da RAE de Hong Kong, a maioria dos manifestantes, que invadiram o parlamento, ao fim de três semanas de um braço de ferro com o poder.

Em junho, os hongkonguenses de todas as idades, classes e profissões manifestaram-se primeiro contra a lei da extradição. Uma onda de protestos que transbordou para lá da ilha e chegou à diáspora.

Ao executivo de Carrie Lam só restou fazer marcha-atrás e pedir compungidamente desculpas. Mas isso não acalmou os ânimos dos muitos hongkonguenses preocupados em proteger a ’autonomia e democracia’ permitida pelo princípio ’um país dois sistemas’.

Hong Kong faz parte da China … Ou não? E Macau?

A reivindicação desde junho em Hong Kong e que ecoa no planeta global (passe a redundância) levou muitos a prestar mais atenção à cidade mais visitada do planeta (diz a internet) e a fazer a pergunta acima.

A resposta não é simples: Macau e Hong Kong têm em comum terem colónias de Portugal e Inglaterra retrocedidas à China em 1999 e 1997, respetivamente.

Mas enquanto a presença britânica tem pouco mais de um século, os portugueses estão na China e em Macau há mais de 500 anos (Portugal: Presidente Marcelo retribui visita de Xi Jinping — "Firmar investimentos de parceiro há 500 anos", 27.abr.019).

Em Hong Kong, a bandeira chinesa flutua nos edifícios oficiais da ilha e o governo é nomeado por Pequim, mas há diferenças que são visíveis a quem chega, a começar pelo visto, passaporte e controlo na fronteira. Depois há a moeda (o hongkonguense dólar versus o chinês yuan), a língua oficial (a cantonesa e a inglesa em Hong Kong versus o mandarim na China). Mesmo se a base cultural é a mesma, os caminhos separaram-se por força dos cinquenta anos de comunismo no continente versus a influência inglesa na ilha cosmopolita.
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Fontes: Referidas/Arquivos. Foto: Em comum, Macau e Hong Kong protestaram em abril por maior liberdade e democracia, por ocasião da comemoração do trigésimo aniversário do massacre de Tiananmen.

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