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Portugal-Cova da Moura: "Fomos torturados numa esquadra por agentes do Estado" 06 Fevereiro 2021

Os seis jovens da Cova da Moura que foram, em fevereiro de 2015, agredidos e injuriados na esquadra da PSP de Alfragide, Amadora, fizeram por ocasião dos seis anos do caso, um apelo à Provedoria de Justiça para que sejam punidos os oito agentes que ainda continuam ao serviço, depois de o Tribunal de recurso ter confirmado a sua condenação. "Fomos torturados numa esquadra por agentes do Estado. Não queremos que mais ninguém seja", disseram ontem (sexta-feira, 5) ao ’Diário de Notícias’.

Portugal-Cova da Moura:

Em 20 de novembro de 2019 o Tribunal da Relação de Lisboa confirmou a sentença do tribunal de Sintra que, seis meses antes, tinha condenado oito agentes da PSP da esquadra de Alfragide por sequestro agravado, ofensas à integridade física qualificada, injúria, denúncia caluniosa e falso testemunho contra seis vítimas residentes no bairro da Cova da Moura em 2015.

A condenação era histórica. Histórico também era o processo em que um total de 18 agentes da autoridade eram suspeitos de motivação racista e tortura contra seis jovens da Cova da Moura — dois dos quais fazem parte da Associação Cultural Moinho da Juventude, distinguida com o prémio de Direitos Humanos, pela Assembleia da República.

Arguidos e timas recorreram da sentença. Os agentes da PSP, que em julgamento sempre negaram em bloco todos os crimes de que estavam acusados, pediram a absolvição. Dois deles requereram audiência de julgamento para apresentar o que alegavam ser novas provas.

Em junho passado, numa proposta de acórdão aos recursos apresentados sobre a decisão da 1.ª instância, o Tribunal de Relação de Lisboa considerou "discutível" a "legitimidade" e o "interesse" dos seis jovens — que exigiram penas mais duras para os polícias, pois só um dos oito é condenado a uma pena de prisão efetiva. Pois é, a Justiça hoje é mais complexa que a de Salomão.
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Fontes: DN/TVI. Relacionado: «Violência policial é constante na Cova da Moura», bairro ’criolo’, 25.maio.019. Foto (DN): Flávio Almada (à esquerda) e Celso Lopes, fotografados em 14 de fevereiro de 2015, nove dias depois dos incidentes, com Celso ainda lesionado. Ao fundo, imagens dos ferimentos.

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