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Portugal: Delatora da Lava-Jato detida por tráfico aceita ser extraditada 21 Outubro 2022

A ’Dama da Droga’ Nelma Kodama, há seis meses detida em Lisboa por tráfico de meia tonelada de cocaína e que começou por se opor à extradição para o Brasil, mudou de opinião e pediu para voltar à terra natal, onde promete colaborar com a justiça.

Portugal: Delatora da Lava-Jato detida por tráfico aceita ser extraditada

A imprensa de Portugal e Brasil noticiam esta sexta-feira que a cidadã brasileira de alto perfil no mundo do crime terá viajado já para o Brasil na quinta-feira.

A brasileira Nelma Kodama, detida em 19 de abril num hotel 5-estrelas de Lisboa, é a primeira delatora da Lava-Jato, condenada à prisão em 2014 pelo crime de lavagem de dinheiro. Só cumpriu três dos 18 anos da pena, graças a um indulto de Natal decretado pelo presidente Michel Temer em 2017.

A "doleira" Nelma (responsável pela gestão financeira do grupo) foi detida no âmbito da Operação Descobrimento, deflagrada para combater o tráfico internacional de drogas. Sobre o outro brasileiro detido em Lisboa, não foi divulgado qual o seu papel na organização criminosa.

A justiça brasileira além de fazer cumprir mandados em cinco Estados brasileiros — Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, Pernambuco — e Portugal, decretou ainda medidas patrimoniais de apreensão, sequestro de imóveis e congelamento de valores em contas bancárias usadas pelos suspeitos.

Figura "folclórica"

Desde 2014 que a doleira da "força-tarefa Lava-Jato" se tornou conhecida, também pelas suas extravagâncias. A primeira: em 15 de março de 2014, Nelma foi flagrada de madrugada no aeeroporto de Guarulhos, em São Paulo, "com 200 mil euros escondidos na calcinha". Em vez de voar para Milão foi parar à prisão.

Em agosto de 2019, foi repreendida pelo juiz que aplicou o indulto presidencial: "Com a divulgação de vídeo retratando o rompimento do lacre da tornozeleira eletrônica, Nelma Mitsue Penasso Kodama presta um desserviço à sociedade brasileira. A atitude, longe de perpassar pela liberdade de expressão, a todos assegurada constitucionalmente, configura inegável comportamento antiético e ofensivo à dignidade de justiça", escreveu.

Nelma, em prisão domiciliária, tinha colocado no Insta um tutorial "como se livrar do equipamento de vigilância eletrónica" (na foto, com sapato de luxo e tornozeleira). Ela tinha conseguido em junho de 2016 o benefício do regime aberto.

Brasil intermediário na rota da cocaína

Sem produção própria de cocaína, o Brasil é um importante intermediário nas rotas de embarque para a Europa da droga produzida nos países andinos. Neste caso, a deteção deu-se porque o piloto da aeronave comunicou estar a ter problemas nos comandos de voo da aeronave. Mecânicos foram ao avião para verificar o problema, descobriram parte da droga e chamaram a Polícia Federal.

"Com o apoio de especialistas criminais federais e cães treinados para detetar drogas da Polícia Civil, foram encontrados na aeronave outros esconderijos onde estava o resto da droga", informou a Polícia Federal em nota. A droga tinha sido dividida em embalagens com indicação de marcas desportivas famosas.

Fontes: Sapo.pt/TV Globo/Lusa. Relacionado: Portugal: Delatora da Lava-Jato e outro brasileiro detidos como donos da droga no caso "avião de João Loureiro", 20.abr.022; Portugal: Ana Gomes e cocaína em avião: "Aeródromos e voos privados: ninguém quer ver!", 22.fev.021.

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