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Portugal: Delatora da Lava-Jato e outro brasileiro detidos como donos da droga no caso "avião de João Loureiro" 20 Abril 2022

A brasileira detida esta terça-feira 19 num hotel 5-estrelas de Lisboa é Nelma Kodama, a primeira delatora da Lava-Jato, condenada à prisão em 2014 pelo crime de lavagem de dinheiro. Só cumpriu três dos 18 anos da pena, graças a um indulto de Natal decretado pelo presidente Michel Temer em 2017.

Portugal: Delatora da Lava-Jato e outro brasileiro detidos como donos da droga no caso

A "doleira" Nelma (responsável pela gestão financeira do grupo) foi detida no âmbito da Operação Descobrimento, deflagrada para combater o tráfico internacional de drogas. Sobre o outro brasileiro detido em Lisboa, não foi divulgado qual o seu papel na organização criminosa.

Os agentes da Polícia Federal estão a cumprir mandados em cinco Estados brasileiros — Bahia, São Paulo, Mato Grosso, Rondônia, Pernambuco — e Portugal.

A Justiça brasileira decretou ainda medidas patrimoniais de apreensão, sequestro de imóveis e congelamento de valores em contas bancárias usadas pelos suspeitos.

Figura "folclórica"

Desde 2014 que a doleira da "força-tarefa Lava-Jato" se tornou conhecida, também pelas suas extravagâncias. A primeira: em 15 de março de 2014, Nelma foi flagrada de madrugada no aeeroporto de Guarulhos, em São Paulo, "com 200 mil euros escondidos na calcinha". Em vez de voar para Milão foi parar à prisão.

Em agosto de 2019, foi repreendida pelo juiz que aplicou o indulto presidencial: "Com a divulgação de vídeo retratando o rompimento do lacre da tornozeleira eletrônica, Nelma Mitsue Penasso Kodama presta um desserviço à sociedade brasileira. A atitude, longe de perpassar pela liberdade de expressão, a todos assegurada constitucionalmente, configura inegável comportamento antiético e ofensivo à dignidade de justiça", escreveu.

Nelma, em prisão domiciliária, tinha colocado no Insta um tutorial "como se livrar do equipamento de vigilância eletrónica" (na foto, com sapato de luxo e tornozeleira). Ela tinha conseguido em junho de 2016 o benefício do regime aberto.

João Loureiro de suspeito a ilibado

Em 19 de fevereiro do ano passado, uma semana depois de ficar retido no Brasil — afirma que por decisão própria, "para resolver o caso", e não por estar detido como adiantaram alguns órgãos de informação portugueses —, o ex-presidente do Boavista e filho do carismático Valentim Loureiro já se encontrava em Portugal.

Segundo o que o próprio contou por escrito à agência noticiosa Lusa, o ex-presidente do Boavista tinha, a 10 de fevereiro, lugar marcado "junto com vários outros passageiros" — de facto eram só dois, ele e um espanhol, e três tripulantes — na aeronave com partida do aeroporto internacional de Salvador, Bahia, com destino a uma base aérea privada, Tires, na Área Metropolitana de Lisboa. A mesma de onde embarcara para o Brasil duas semanas antes (no dia 27-1).

O jurista filho do major Valentim Loureiro — figura dominante nos útlimos anos do século XX, tanto como político (dirigente do PSD, presidente de câmara) como dorigente do futebol — afirma que é "alheio" à situação e que fez questão de por "mote próprio" falar com as autoridades brasileiras na qualidade de testemunha, antes de regressar a Portugal. Por isso, "demorou mais um tempo".

Dois dias depois da apreensão de droga, a administração da empresa portuguesa OMNI Aviação e Tecnologia explicou, em comunicado enviado à Lusa, ter sido "contratada para fazer um voo executivo, com saída de Portugal e destino ao Brasil e, subsequente, regresso a Portugal poucos dias depois".

As cinco pessoas a bordo eram um cidadão português e um espanhol — Mansur Herédia, que desde então se encontra em paradeiro incerto — e a tripulação, composta por três pessoas. Na nota de imprensa, a empresa esclareceu ainda que a informação dada era que os passageiros viajavam por motivos profissionais.

Brasil intermediário na rota da cocaína

Sem produção própria de cocaína, o Brasil é um importante intermediário nas rotas de embarque para a Europa da droga produzida nos países andinos. Neste caso, a deteção deu-se porque o piloto da aeronave comunicou estar a ter problemas nos comandos de voo da aeronave. Mecânicos foram ao avião para verificar o problema, descobriram parte da droga e chamaram a Polícia Federal.

"Com o apoio de especialistas criminais federais e cães treinados para detetar drogas da Polícia Civil, foram encontrados na aeronave outros esconderijos onde estava o resto da droga", informou a Polícia Federal em nota. A droga tinha sido dividida em embalagens com indicação de marcas desportivas famosas.

Fontes: Sapo.pt/TV Globo/Lusa. Relacionado: Portugal: João Loureiro do Boavista e voo do Brasil com 500 kg de cocaína, 20.fev.021; Portugal: Ana Gomes e cocaína em avião: "Aeródromos e voos privados: ninguém quer ver!", 22.fev.021.

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