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Portugal-Guiné-Bissau: Sissoco Embaló perde processo contra Ana Gomes que "tem direito à liberdade de expressão" — Intentona com 11 mortes: Presidente indica "pessoas envolvidas no tráfico de droga" 04 Fevereiro 2022

Esta semana, a mesma do "golpe-de-Estado" em Bissau que causou onze mortes no palácio do governo, a justiça portuguesa decidiu arquivar a queixa-crime por difamação que o presidente bissau-guineense interpôs contra a ex-eurodeputada portuguesa Ana Gomes que acusou Umaro Sissoco Embaló de envolvimento com o narcotráfico.

Portugal-Guiné-Bissau: Sissoco Embaló  perde processo contra Ana Gomes  que

Segundo o chefe de Estado bissau-guineense, o "golpe-de-Estado" na terça-feira foi uma operação "bem preparada", "bem organizada" por "pessoas envolvidas no tráfico de droga" que queriam matar "o chefe de Estado, primeiro-ministro e ministros".

O presidente Embaló fez estas afirmações — porém sem as fundamentar — no seguimento da sua libertação, ao fim dumas cinco horas de sequestro dos dirigentes de topo reunidos no palácio do governo.

A conjura contra o poder, segundo Embaló, decorreu no palácio do governo e não no palácio presidencial "que está mais protegido".

Ana Gomes tem direito à liberdade de expressão

O Tribunal de Cascais, arredores de Lisboa, aceitou a tese do direito de liberdade de expressão e decidiu "não avançar com o processo" de difamação interposto pelo presidente Sissoco Embaló, cuja "autoproclamação" e tomada de posse em junho de 2020, bem como, a sua legitimação dada pela presença do presidente Marcelo foram muito criticadas pela portuguesa Ana Gomes.

Nessa ocasião, Ana Gomes — com base na sua experiência como diplomata e jurista, bem como em "informações privilegiadas" e documentação "fundamentada" — afirmou publicamente que "Portugal escolheu respaldar um indivíduo que tem antecedentes de narcotráfico" e "até de ligações a grupos terroristas" ativos na região do Sahel, "ao antigo líder líbio, Muammar Kadhafi, e líderes islâmicos senegaleses".

Dezoito meses depois destas declarações de Ana Gomes, feitas à SIC, o tribunal sentenciou "que não havia motivo para o queixoso se considerar difamado. E por isso entendeu que eu não deveria ir a julgamento. Essa já era também a posição do Ministério Público, que a juíza veio confirmar", congratulou-se Ana Gomes que agradece, em particular, ao advogado Teixeira da Mota "pela brilhante defesa do [meu] direito à liberdade de expressão".

Fontes: BBC/DW/Al-Jazeera/SIC. Fotos: Ana Gomes livrou-se do processo de difamação e "mantém o que disse" há dezoito meses: acredita que o presidente bissau-guineense tem ligações ao narcotráfico e, ainda, que estará por trás do golpe deste 1º de fevereiro que causou onze mortes.

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