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Portugal: Idosos alvo de furto por ’nova’ geração de carteiristas 16 Mar�o 2021

Sem exagero, conhecemos pelo menos uma pessoa que — no nosso círculo, bairro capitalino ou da segunda grande cidade — foi vítima de assalto (para não contar também as tentativas) e não apresentou queixa nos últimos meses. Em sociedades mais organizadas, a maior facilidade na apresentação das queixas e Por outro lado, a maior especialização da polícia no tratamento do fenómeno, quer pela sua formação cada vez mais científica quer pela representação mais cuidada dessa realidade pode explicar o facto de os números da criminalidade não estarem a baixar.

Portugal: Idosos alvo de furto por ’nova’ geração de carteiristas

Mas hão-de lá chegar porque aumenta o crime mas também os meios de combate. O exemplo a seguir pode elucidar.

As autoridades portuguesas denunciaram esta semana a eliminação de mais uma célula de carteiristas. Três irmãs formaram uma célula dedicada ao crime de furto cujas vítimas eram em especial idosos a quem subtraíam a carteira com dinheiro e cartões bancários.

Quando uma das manas metralhas foi detida em novembro, o trio de carteiristas foi refeito com um homem de 63 anos. Com a sua detenção em flagrante nesta segunda-feira, 8, a PSP apurou que quarenta vítimas, que incluem turistas mas sobretudo idosas foram espoliadas dum total em torno de trinta mil euros.

A PSP-Polícia de Segurança Pública informou, na quarta-feira, que os três detidos foram levados a primeiro interrogatório e que o tribunal lhes aplicou medidas de coação diferentes: prisão preventiva às mulheres, de 54 e 53 anos de idade; apresentações semanais ao homem de 63 anos.

Em nove meses de atividade na área metropolitana de Lisboa, o trio — primeiro de irmãs, até que a prisão de uma levou à sua substituição por um indivíduo de 63 anos — lesou em trinta mil euros (mais de três mil contos) as quarenta vítimas.

Na nota enviada às redações, a PSP sublinha que "estas detenções surgem no decurso de uma investigação em coordenação com a 3.ª Secção do DIAP de Lisboa", realizada ao longo de nove meses em que seguiram a "atividade dos suspeitos".

Segundo a PSP, "na sequência da recolha de indícios suficientes da prática de vários crimes de furto por parte do trio, foram emitidos os competentes mandados de detenção por parte do Ministério Público".


Modus operandi incluía perseguição até grandes superfícies

Segundo a descrição da PSP as manas metralhas identificavam a sua próxima vítima e seguiam-na até um lugar de grande movimento, em geral uma grande superfície comercial, e aguardavam o momento adequado para "dar o bote".

Na segunda-feira às duas da tarde, as duas irmãs foram detidas em flagrante com o dinheiro e cartões bancários subtraídos a uma idosa de 77 anos, que tinha acabado de levantar 250 euros num multibanco.

A quase octogenária idosa ainda nem se tinha apercebido do furto, já a PSP deitava a mão às carteiristas. A investigação de nove meses deu à luz mais uma célula destruída.

O que diz o Censo?

O aumento do número de crimes direcionados aos mais idosos é explicado pelos resultados dos levantamentos estatísticos periódicos do recenseamento demográfico.

Segundo o Censos mais recente, a população idosa em Portugal (+65 anos) representa cerca de 20% da população total. O número dos que vivem sozinhos, ou residem exclusivamente com outras pessoas também idosas, aumentou cerca de 30%.

Esta viragem demográfica explicará em parte a mudança no perfil das vítimas, como se está a assistir no terceiro milénio.

Há todavia outros fatores como o policiamento dos pontos turísticos, dado que segundo estatísticas, mais de 60% dos crimes contra turistas em Lisboa são praticados por carteiristas.

Além de portugueses, destacam-se estrangeiros — dos quais muitos sazonais, que provêm do leste europeu e fazem o tour da Europa de carteiristas. Em novembro a PSP desmantelou uma célula, constituída por três romenas que seguiam idosas no Multibanco do bairro de Campo de Ourique em Lisboa. Obtido subrepticiamente o código ATM, depois roubavam o cartão.

As zonas "mais quentes" do turismo atacadas incluem as redes de transportes que as servem. Entre elas a famosa carreira de elétricos nº 28, que — além de, por si só, entrar na linha de estudos da Lisboa Crioula — atravessa sobre carris alguns dos pontos turísticos mais importantes da capital.

Outro fator ainda para a mudança de perfil das vítimas é a maior formação dada à polícia no sentido da especialização, e que já levou à criação de uma brigada especial na PSP para combater o crime contra turistas.

Perante o aumento do número de pessoas idosas vítimas, é de esperar que se crie outra brigada policial com a nova especialidade na área metropolitana de Lisboa.

Fontes: MSN.pt/Sites oficiais. Fotos: O furto é favorecido pela vulnerabilidade, pelo descuido das vítimas. Carteiristas em ação, nos transportes coletivos.

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