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Portugal: Integração dos afro-descendentes é um caminho a fazer ao lado questão da regularização – activista social 30 Novembro 2022

O filho de cabo-verdianos em Portugal José Reis considerou que a questão da integração no país, juntamente com a regularização dos emigrantes, é um caminho que se está a percorrer e com “alguns ganhos” alcançados.

Portugal: Integração dos afro-descendentes é um caminho a fazer ao lado questão da regularização – activista social

Em declarações à Inforpress, em Lisboa, José Reis, que é vogal do Alto Comissariado para as Migrações (ACM) de Portugal, disse que viu as dificuldades que os pais passaram na questão da regularização, um “problema que ainda persiste”, mesmo com as “muitas alterações” à lei de estrangeiros que tem vindo a facilitar a questão.

“Efectivamente houve um caminho que foi sempre feito (…). E se nós pensarmos que Portugal é um país que hoje, mais do que nunca, necessita de trabalhadores estrangeiros, é fundamental que quanto mais cedo eles tiverem a sua situação regularizada, melhor, porque começam a contribuir de forma activa para o nosso país”, explicou.

Tendo em conta o tempo de espera para se ter a situação regularizada, José Reis entende que não se pode dizer que está “tudo bem”, mas também acredita que a situação “não ficou estanque”, porque houve um trabalho e hoje existem muitos mecanismos que foram criados para facilitar essa regularização.

O líder associativo durante duas décadas na Associação Luso-Cabo-verdiana de Sintra considerou que o associativismo desempenha um papel “muito importante” na integração, não apenas na vertente cultural, mas também numa vertente mais de apoio psicossocial.

José Reis contou que a ideia da criação da associação surgiu em Cabo Verde quando foi convidado, em 2002, para participar no congresso de quadros, quando ganhou a medalha de ouro no campeonato europeu de thai-boxing, juntamente com vários jovens filhos de cabo-verdianos que estavam a se destacar em alguma área, e percebeu que podia fazer mais.

“Foi um momento muito importante e ter acontecido em Cabo Verde, tudo caminhou para mostrar que tinha que fazer mais para minha afirmação individualmente”, considerou, sublinhando que esse trabalho para a integração foi muito ajudado pelo Programa Escolhas, que permitiu também dar “maior robustez” no trabalho que era feito.

Segundo ele, o Programa Escolhas é “fundamental”, porque existe há 21 anos e trabalha em “várias zonas sensíveis, problemáticas e que carecem de uma intervenção estrutural”, quer a nível da educação, da formação, da educação cívica, da digitalização e da questão cultural, ou seja, nas valências que servem para diminuir um pouco a desigualdade social.

Para o também campeão intercontinental e campeão mundial no thai-boxing, o desporto ou os vários tipos de artes, para quem vem de um “contexto problemático”, é uma forma de crescimento, baseado em princípios, valores, disciplina e resiliência, e que, no seu caso, foi um “factor de orgulho”, tanto para Portugal, como para Cabo Verde.

Segundo a mesma fonte, o desporto “influenciou muito” o facto de ter continuado a estudar e formar-se em Direito, e fazer uma carreira na Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, de 1999 a 2020, onde começou como monitor e terminou como director do centro educativo, reiterando a importância que pode ter na integração.

O agora um dos treinadores da selecção nacional do Thai-Boxing de Portugal lembrou ainda que durante a sua carreira trabalho com jovens que praticavam factos classificados como crimes, mas por serem imputáveis em razão de idade, em vez de irem para a prisão ficam num centro educativo, ou seja, “jovens do fim de linha de delinquência juvenil”.

Conforme contou, a maior parte dos jovens vêm de contextos mais complicados, um dos motivos que o levou a criar a associação, como forma de ter respostas que evitasse que os miúdos entrassem nesses comportamentos de riscos e irem parar a um centro educativo ou uma prisão.

Ou seja, o trabalho da associação tem uma “importância muito forte” na prevenção dos comportamentos desviantes de certos jovens que acabam por enveredar por caminhos mais complicados, indicou.

“Queria deixar uma mensagem de não desistirem, para prepararem-se para trabalhar muito, porque baseando na minha experiência, ou nós demonstramos claramente o nosso valor, ou não nos podemos queixar que não tivemos hipótese. Não se conformem com o médio, tentem ser os melhores. Se falharem vão ser muito bons e se falharem muito, vão ser bons. Ao serem médios, se falharem, passam a medíocres”, concluiu.

A Semana com Inforpress

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