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Portugal: João Loureiro do Boavista e voo do Brasil com 500 kg de cocaína 20 Fevereiro 2021

Esta sexta-feira, 19, uma semana depois de ficar retido no Brasil — afirma que por decisão própria, "para resolver o caso", e não por estar detido como adiantaram alguns órgãos de informação portugueses —, o ex-presidente do Boavista e filho do carismático Valentim Loureiro já se encontra em Portugal.

Portugal: João Loureiro do Boavista e voo do Brasil com 500 kg de cocaína

Segundo o que contou, por escrito, à agência noticiosa Lusa, o ex-presidente do Boavista tinha, a 10 de fevereiro, lugar marcado "junto com vários outros passageiros" — de facto eram só dois, ele e um espanhol, e três tripulantes — na aeronave com partida do aeroporto internacional de Salvador, Bahia, com destino a uma base aérea privada, Tires, na Área Metropolitana de Lisboa.

Segundo a narrativa de João Loureiro, ele por estar em São Paulo, já tinha desistido de viajar a partir de Salvador. Pouco depois, soube que o comandante pediu instruções à embaixada. Seguiu-se a intervenção da PF que resultou na deteção de quinhentos quilos de cocaína, no avião fretado a uma companhia privada em Lisboa.

O jurista filho do major Valentim Loureiro — figura dominante nos útlimos anos do século XX, tanto da política (dirigente do PSD, presidente de câmara) como na direção do futebol — afirma que é "alheio" à situação e que fez questão de por "mote próprio" falar com as autoridades brasileiras na qualidade de testemunha, antes de regressar a Portugal. Por isso, "demorou mais um tempo".

Sobre essa apreensão feita pela Polícia Federal, chega mesmo a dizer: "Acredito que talvez o tenha sido, devido ao meu pedido para que houvesse uma inspeção rigorosa ao avião".

João Loureiro confessou estar "tranquilo" desde então e até agora. Afirma que, por respeito às autoridades brasileiras e pelo segredo de justiça do processo, não prestará mais declarações públicas.

"Aproveito ainda para agradecer profundamente as muitas mensagens de solidariedade que me têm chegado de Portugal”, rematou.

Comandante contactou embaixada, empresa de aviação explica-se

A representação diplomática portuguesa no Brasil inquirida pela Lusa explicou que só o comandante contactou a entidade "logo na altura". Infere-se: o reponsável pelo avião suspeitou de que estava a ocorrer algo de anómalo que interferia no funcionamento da aeronave. Afinal mais meia tonelada de carga, seja ela qual for, terá peso num avião com dois passageiros.

"A única pessoa relacionada com este voo que contactou o Consulado, logo na altura [do facto], foi o comandante do avião. O comandante do avião pediu uma informação que lhe foi prestada. É o que eu posso dizer sobre o assunto", disse o embaixador Luís Faro Ramos."Todo o resto está a ser objeto de averiguações das autoridades policiais aqui do Brasil", concluiu.

Dois dias depois da apreensão de droga, a administração da empresa portuguesa OMNI Aviação e Tecnologia explicou, em comunicado enviado à Lusa, ter sido "contratada para fazer um voo executivo, com saída de Portugal e destino ao Brasil e, subsequente, regresso a Portugal poucos dias depois".

As cinco pessoas a bordo eram um cidadão português e um espanhol e a tripulação, composta por três pessoas. Na nota de imprensa, a empresa esclareceu ainda que a informação dada era que os passageiros viajavam por motivos profissionais. O voo ocorreu a 27 de janeiro, depois de inicialmente previsto para 26.

Apanhados na suspensão de voos devido à pandemia

"Sucede que, quando o voo saiu de Cascais ainda não havia a informação/publicação do Despacho nº 1125-D/2021, de 27 de janeiro, através do qual se procedia à suspensão de voos de e para o Brasil (a partir das 00:00 do dia 29 de janeiro", informou.

Nessa altura, o voo de ida e regresso foi pois autorizado. Todavia, ao tomar conhecimento do despacho que punha em causa a autorização para o voo de regresso a 01 de fevereiro, a OMNI Aviação foi notificada para fazer novo pedido de autorização, como "voo de repatriamento".

Contudo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros recusou o pedido a 08 de fevereiro, "um dia antes da apreensão da droga, por o voo não cumprir os requisitos de um ’voo de repatriamento’, segundo a empresa.

PF: "Todos estão autorizados a sair do país"

Segundo informa a assessoria de comunicação da Polícia Federal em Salvador, nenhum passageiro ou tripulante da aeronave foi detido ou impedido de sair do país.

"Foram ouvidos até agora somente a tripulação, os pilotos e aeromoça, e o pessoal do hangar do aeroporto", disse a assessoria de comunicação.

"Alguns [passageiros] já voltaram para a Europa [e] outros serão ouvidos hoje. Nenhuma pessoa foi presa", acrescentou.

Questionada sobre o caso e quais os suspeitos, as autoridades brasileiras limitaram-se a referir que "os factos ainda estão sendo analisados".

"A investigação está em andamento, isso não está sendo informado em detalhes para não comprometer as investigações", completou a polícia.

Brasil intermediário na rota da cocaína

Sem produção própria de cocaína, o Brasil é um importante intermediário nas rotas de embarque para a Europa da droga produzida nos países andinos.

Neste caso a deteção deu-se porque o piloto da aeronave comunica estar a ter problemas nos comandos de voo da aeronave.

Mecânicos foram ao avião para verificar o problema, descobriram parte da droga e chamaram a Polícia Federal.

"Com o apoio de especialistas criminais federais e cães treinados para detetar drogas da Polícia Civil, foram encontrados na aeronave outros esconderijos onde estava o resto da droga", informou a Polícia Federal em nota.

A droga tinha sido dividida em embalagens com indicação de marcas desportivas famosas.

Fontes: Portugal digital/Lusa.

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