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Portugal: José Luís Tavares dá à estampa primeira obra totalmente escrita crioulo 04 Junho 2022

O autor cabo-verdiano José Luís Tavares apresentou na tarde/noite desta sexta-feira, 03, em Lisboa, o livro “E ka Lobu ki Fase – tratadu di grandeza i mizéria di pátria kabuverdi”, a sua primeira obra totalmente escrita na língua cabo-verdiana.

Portugal: José Luís Tavares dá à estampa primeira obra totalmente escrita crioulo

No livro, que teve apresentação a cargo de Apolo de Carvalho e que conta com as ilustrações do artista plástico Tchalé Figueira, o poeta cabo-verdiano, que também está retratado na obra, traz sátiras de personagens inspiradas em figuras conhecidas na área da política, social, cultural e intelectual de Cabo Verde.

Para o apresentador, cada uma das obras de José Luís Tavares “é um monumento da literatura cabo-verdiana”, sublinhando que uma obra escrita na língua cabo-verdiana tem “sempre um potencial universal”, já que preserva uma parte da memória do mundo.

“É uma obra inédita na forma e no conteúdo e a função da mesma é ser uma provocadora (…). Este livro vai elevar a qualidade da literatura cabo-verdiana e mais do que uma obra político/filosófico, é uma obra de arte”, considerou o apresentador do livro totalmente escrito numa das variantes do crioulo, tem cerca de 400 páginas.

À Inforpress, o autor explicou que na história foram introduzidas várias personagens da vida cultural, política e intelectual cabo-verdiana, “quase com os seus próprios nomes”, em que qualquer cabo-verdiano os podem identificar.

“Não sei se este livro tem uma mensagem, porque é ao próprio leitor que cabe definir a mensagem. Quis dar certos pontos de vistas dos próprios personagens, porque são eles que falam e contam as suas verdades e mentiras, ou seja, é tratado de miséria e grandeza de Cabo Verde”, disse José Luís Tavares no evento que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Tarrafal, José dos Reis, de onde é natural.

José Luiz Tavares estudou literatura e filosofia em Portugal, onde vive, tendo já publicado vários trabalhos, nomeadamente “Paraíso apagado por um trovão”, “Agreste matéria mundo”, “Polaróides de distintos naufrágios”, “Rua antes do céu”, “Prólogo à invenção do dilúvio/prólogo a la invención del diluvio”, “Ku ki vos/ Com que voz”, “Instruções para uso posterior ao naufrágio” e “Com o fósforo duma só estrela/Com el fósforo de una sola estrella”.

Membro da Academia Cabo-verdiana de Letras, os poemas do escritor estão traduzidos para inglês, espanhol, francês, alemão, neerlandês, italiano, catalão, letão, finlandês, russo, mandarim e galês, sendo que ele já traduziu Camões, Pessoa e João Cabral de Melo Neto para a língua cabo-verdiana.

O poeta já foi agraciado com prémios como Prémio Revelação Cesário Verde em 1999, Prémio Mário António de Poesia, Fundação Calouste Gulbenkian em 2004, Prémio Jorge Barbosa, Associação de Escritores Cabo-verdianos em 2006, Prémio Pedro Cardoso, Ministério da Cultura em 2009, Prémio de Poesia Cidade de Ourense (Espanha”), em 2010, e prémio BCA/Academia Cabo-verdeana de Letras, em 2016.

Por três vezes consecutivas – 2008, 2009 e 2010 – recebeu o Prémio Literatura para Todos do Ministério da Educação do Brasil, por livros destinados a neo-leitores jovens e adultos, e Prémio Vasco Graça Moura /Imprensa Nacional Casa da Moeda (2018).
A Semana com Inforpress

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