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Portugal: Jovem empresário mandante de incêndio de prédio no Porto com vítima mortal, vendeu-o quando estava preso e tentou remessa para a China 16 Janeiro 2020

Arrancou esta semana no Porto o julgamento do crime, dez meses depois do incêndio de um prédio no Porto, que o empresário Chenglong Li, de 24 anos, planeou e pagou a executantes. Um dos inquilinos, de 55 anos, morreu carbonizado, cinco pessoas ficaram feridas e sem casa. A venda efetivou-se, com ele já na cadeia, e Li mandou a esposa enviar o lucro de c.600 mil euros para a China. O banco suspeitou e acionou o Ministério Público.

Portugal: Jovem empresário mandante de incêndio de prédio no Porto com vítima mortal, vendeu-o quando estava preso e tentou remessa para a China

O empresário Chenglong Li, a esposa, três portugueses e uma sociedade de investimentos são acusados pelo Ministério Público do incêndio num prédio do centro da cidade do Porto que matou uma pessoa, deixou cinco pessoas hospitalizadas — três ocupantes do prédio incendiado e mais duas pessoas, uma delas grávida, no prédio contíguo.

Segundo o Jornal de Notícias, na edição de quinta-feira, mesmo depois de ter sido em junho detido, o principal arguido conseguiu vender o imóvel através de uma procuração à esposa. Adquirira-o por 645 mil euros, vendeu-o por 1,2 milhão e o lucro de 555 mil euros tentou enviá-lo para a China.

No entanto, quando o banco (Millennium BCP) comunicou ao Ministério Público suspeitas de branqueamento de capitais, a operação bancária foi suspensa e o valor apreendido.

Segundo a acusação, o empresário tinha celebrado, em fins de 2018, um contrato de compra e venda, que o obrigava a entregar o imóvel vazio até 31 de maio de 2019.

O "não cumprimento deste contrato e a não entrega do prédio livre de pessoas e bens implicaria, para o empresário chinês e para a sociedade que representava, um prejuízo de pelo menos 320 mil euros, tendo em conta o valor do sinal".


"Vocês vão sair a bem ou mal"

Segundo a acusação, o empresário tentou, por vários meios, forçar a saída dos inquilinos da casa cujo arrendamento estava em nome da octogenária. Quando não o conseguiu a bem, usou de meios criminosos: contratou "pessoas ligadas à noite do Porto", para "através da intimidação e ameaça" obrigar os inquilinos a sair.

Em 23 de fevereiro de 2019, "na execução do planeado" pelo empresário, os seus contratados atearam o primeiro fogo ao prédio, que "teve uma fraca evolução", segundo o inquérito judicial, "por motivos alheios à vontade dos arguidos".

Uma semana depois, a 02 de março, o empresário chinês mandou "atear outro fogo ao edifício e matar os seus ocupantes". "Os pontos de início do incêndio", que deflagrou cerca das quatro e meia da madrugada, "localizaram-se junto à porta de acesso ao 3.º piso, que era o único habitado", descreve o inquérito judicial.

Contudo, informações posteriores deram conta que a família ocupava também o quarto piso, de águas-furtadas, e que foi ali que os bombeiros encontraram os restos carbonizados de um dos quatro últimos inquilinos.

Os bombeiros tinham, pois, resgatado três moradores: a mãe de 88 anos e dois dos três filhos que vivam com ela. O outro filho, de 55 anos, só foi encontrado no final da tarde desse dia, carbonizado, nas águas-furtadas do prédio.

A acusação não tem dúvidas de que Chenglong Li "estava determinado" a "desocupar o imóvel pelo fogo e pela morte dos seus habitantes para a obtenção de um maior enriquecimento".
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Fonte referida. Foto (ilustrativa) de bombeiros a combater fogo em prédio.

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