LUSOFONIA

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Portugal: Jovem turista em hostel "abriu a janela e caiu, não se atirou!"— Do albergue espanhol e negligência 28 Fevereiro 2022

Não vem do insólito mas decerto há negligência oficial em fiscalizar espaços públicos antes e depois do seu licenciamento. Aconteceu no nosso Mindelo a 17 de dezembro. Dois meses depois, ocorre no caso do jovem espanhol que este sábado caiu do quarto andar do hostel (pousada de juventude) onde estava alojado no Porto, capital do norte de Portugal. A queda terminou numa casa em ruínas, com difícil acesso e de onde o resgataram bombeiros — chamados pelos colegas de quarto que em vão procuraram ajudá-lo.

Portugal: Jovem turista em hostel

"Está muito assustado, apesar de só apresentar algumas escoriações", diz um amigo do jovem espanhol que caiu ontem à tarde de uma altura de cerca de três metros para um prédio abandonado e em ruínas no coração do Porto (mapa).

Alojados no quarto andar do Hostel Nice Way, o grupo (vindo de Salamanca na sexta-feira e com regresso no domingo) tinha acabado de chegar de uma volta pela cidade. Assim que a vítima foi à janela "que abriu, caiu, não se atirou! Eu e uns amigos ainda tentámos ajudá-lo, mas não conseguimos, porque o local onde caiu é muito instável".

Segundo o Jornal de Notícias, o local muito instável dificultou a operação de resgate. Os bombeiros, Sapadores do Porto, mobilizaram uma autoescada e acabaram por retirar o jovem com ajuda de cordas, cerca de duas horas depois do alerta dado pelas 17H40. Além dos Sapadores do Porto, com três viaturas e 12 operacionais, estiveram ainda presentes meios dos Bombeiros Voluntários do Porto e do INEM. Foi depois encaminhado para o hospital de Santo António, no centro do Porto.

Alojamento turístico ao Deus-dará

A falta de fiscalização nas unidades de turismo é apontada sempre que algo corre mal. Isto não é de hoje, vem de décadas atrás. Mas piorou com o boom turístico da última década, o da onda que começou em Lisboa — em associação especulativa com a degradação de áreas do centro marcados por pédios mais antigos — e depois avançou para a segunda maior cidade.

O hostel enquanto unidade de alojamento de baixo preço continua a tradição do "albergue espanhol", que a França regista desde o século XVII. Um marcador xenófobo, presente nas relações entre nações, por vezes agudizado como em ocasiões de conflito.

A expressão "auberge espagnole" fossilizou-se como qualificativo dos alojamentos onde o viajante francês só podia contar com as comodidades — desde roupas de cama e talheres a serviços de refeição — que transportasse consigo.

Hoje a expressão especializou-se no sentido positivo de ponto de encontro, mas avulta ao espírito a significação antiga sempre que algo corre mal. E pode sempre correr mal, numa economia marcada pela busca do lucro apressado, que corre desenfreado sem antes resolver a degradação de áreas urbanas.

Porta, janela que dá para o vazio

É inevitável suspeitar-se de que falta fiscalização nas unidades de turismo, espaços de diversão sempre que se dá uma ocorrência que vitima pessoas.

Uma abertura — porta, janela — que dá para o vazio. Aconteceu também no coração do Mindelo, em 17 de dezembro transato com consequências trágicas que enlutaram não só a família mas também os fãs da voz prodigiosa que foi Dulce Matias. A culpa vai morrer solteira, não haverá lição a tirar?

Fonte: JN.pt/Arquivo A Semana.

Os artigos mais recentes

100% Prático

publicidade


  • Mediateca
    Cap-vert

    Uhau

    Uhau

    blogs

    Copyright 2018 ASemana Online | Crédito: AK-Project