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Portugal-Líder do PCP tacha de "repugnante" artigo que lhe atribui ’vida secreta’ de ’filho do patrão’ — "A minha vida fala por si" 23 Outubro 2022

O líder comunista Jerónimo de Sousa foi tema de um artigo no mínimo polémico, "repugnante" — "com o único objetivo de lançar lama" — como o visado o qualificou numa entrevista esta semana na TV pública, ao fazer o balanço do que foi a Conferência Nacional comunista nos dias 12 e 13.

Portugal-Líder do PCP tacha de

A manchete destacada na capa dum jornal, a 12 de outubro, apontava para uma alegada "vida secreta" do secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, a quem era atribuída uma origem diferente, alegamente com um pai ’patrão’. As biografias do líder dos comunistas, porém, indicam que é filho dum casal de operários da periferia de Lisboa.

Em declarações à RTP, Jerónimo de Sousa afirmou: "Essa notícia, se é que se pode chamar notícia àquilo, procurou atingir a minha mãe", ao referir que o secretário-geral comunista é "filho do `patrão` da mãe".

Aquela manchete tinha apenas o objetivo de "tentar enlamear alguém que tem uma vida que fala por si".

"Considero isso, de facto, algo de repugnante, em que do anonimato se procura apenas enlamear quem, no mínimo, deve receber, não o acordo ou a compreensão, mas o respeito, tendo em conta essa vida que tive de trabalho, desde os 14 anos, no duro", continuou.

Jerónimo de Sousa disse que ainda tem o "cartão de quando foi para a fábrica" para desempenhar a função de metalúrgico, que exerceu até "entrar para deputado constituinte".

Confessa que ficou enfurecido com o artigo que "é algo de abjeto". Mas que "depois lá me sossego... Não, a tua vida prova outra coisa", concluiu o líder do PCP.

PCP faz falta

"Muita gente que não é comunista, nem está próxima [do partido], tira uma conclusão: o PCP faz falta. O PCP faz falta aos trabalhadores, aos reformados e pensionistas, aos que menos têm, aos que menos podem, aos agricultores, aos pequenos e médios empresários", rematou o duas vezes candidato a Presidente da República.

Jerónimo de Sousa baseia-se na sua biografia política para sustentar que o comunismo ainda não morreu. Prova-o a votação nas duas vezes em que foi candidato presidencial. Em 1996 quando desistiu a favor do candidato socialista, Jorge Sampaio. Em 2006, quando foi o único candidato a vencer um distrito a Cavaco Silva, o de Beja, e o segundo candidato a vencer mais concelhos (16), atrás de Cavaco Silva.

SG do PCP: 3 têm origens operárias, 2 têm origens burguesas, aristocráticas

Fontes históricas indicam que tal como Jerónimo de Sousa, também os dois primeirosl líderes comunistas, o algarvio João Carlos Rates eleito em 1923 (dois anos após a fundação do PSP) e Bento António Gonçalves (02.03.1902 – 11.09.1942) têm origens operárias.

O transmontano Bento que começou a trabalhar como operário aos 13-14 anos — e desde os 17 era ativo sindicalista — em 1929 começou a liderar o partido ilegalizado. Perseguido pela PIDE, Bento esteve preso vários anos em Portugal até à inauguração do campo de concentração do Tarrafal — Campo da Morte Lenta — onde veio a morrer seis anos depois. Uma fonte dá-o como tendo estado deportado em Cabo Verde entre 1931 e 1932.

Em 1942 Álvaro Cunhal — filho da burguesia coimbrã com raízes na antiga aristocracia — passou a liderar o PCP, após a morte do "Mártir da Liberdade" Bento António Gonçalves. Líder do partido na clandestinidade, Cunhal esteve onze anos preso em Peniche, até que em 1949 protagonizou uma fuga épica.

Entretanto, foi ainda na prisão que Cunhal se licenciou e terá sido o único estudante da Faculdade de Direito a obter média final de vinte valores (confira-se: o seu eterno adversário, Mário Soares, licenciou-se com a média de dez).

Cunhal manteve-se até aos 78 anos, em 1992, como secretário-geral, cargo formalizado em 1962.

Em 1992, o líder eleito foi o economista Carlos Carvalhas, filho da burguesia vindo da província para conquistar Lisboa.

Em 2005, Jerónimo foi eleito líder.

Fontes: RTP /Lusa/DN.pt/. Foto (Público): Jerónimo de Sousa, 75 anos.

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