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Portugal: Morreu João Semedo, do Bloco de Esquerda — Médico inovador em tratamento de infecciosas e políticas de saúde 17 Julho 2018

João Semedo, ex-líder do Bloco de Esquerda, morreu aos 66 anos esta terça-feira, 17. Durante anos a combater um cancro, o político e médico foi vencido pela doença, noticia o diário ’Esquerda.net’, órgão do partido bloquista.

Portugal: Morreu João Semedo, do Bloco de Esquerda  — Médico inovador em tratamento de infecciosas e políticas  de saúde

O deputado que durante nove anos brilhou nas suas intervenções no parlamento português — afastou-se em 2015, devido à doença — tinha, na sua última grande entrevista, resumido o que podia ser o seu epitáfio: "Tive a vida que escolhi, a vida que quis, não tenho nada de que me arrependa no que foi importante".

Entre março de 2006 — após ter, desde 2003, a convite de Miguel Portas protagonizado candidaturas independentes nas listas do BE às Autárquicas, Europeias e Legislativas — e até 2015, João Semedo assumiu a coordenação dos temas relacionados com a política de saúde, como vice-presidente da comissão parlamentar de Saúde, primeiro como independente e a partir de 2007, ano em que se filiou no Bloco de Esquerda, como deputado bloquista.

Como vice-presidente da comissão parlamentar de Saúde, votou leis importantes que inovaram os tratamentos nas áreas das doenças infeciosas. Participou na apresentação e aprovação de outras leis importantes como a que regula os tratamentos em fim de vida. Entre muitas propostas chumbadas, João Semedo congratulou-se com a aprovação do "Testamento Vital", que permite escolhas importantes sobre o fim da vida, feitas enquanto a pessoa está de posse das suas faculdades.

Biografia política começa no ambiente familiar

João Semedo participou nas primeiras mobilizações contra o fascismo no fim dos anos sessenta, ainda estudante liceal. "As sessões de conversas organizadas pelo padre Vítor Feytor Pinto no Liceu Camões fizeram-no abrir horizontes e conhecer o mundo de que não se falava nas salas de aula". Em 1968, a estudar na Faculdade de Medicina, "participa na primeira manifestação, contra a guerra do Vietname, interrompida por uma carga policial". Em 1973, eleito para a direção da Associação de Estudantes, chegou a ser preso por distribuir panfletos a exigir eleições livres. Passou duas semanas preso em Caxias, por ter recusado assinar "o documento elaborado pela PIDE a confessar atividades subversivas e a comprometer-se a abandoná-las".

Já depois do 25 de Abril, o médico continua a sua participação política. Assim é um dos criadores, em Lisboa, do Movimento ALFA, para a alfabetização de adultos. No Porto em 1978, como funcionário do PCP, desempenha tarefas de organização no setor intelectual, política de saúde, relações com a imprensa e, mais tarde, na organização concelhia.

Em 1991, o PCP treme. Os dirigentes críticos Raimundo Narciso, José Luís Judas, Mário Lino e Barros Moura são expulsos. Semedo votou contra a expulsão e no dia seguinte demitiu-se de funcionário e de membro do Comité Central.

Fonte: "Esquerda.net/ Facebook de Catarina Martins (foto), que escreveu esta manhã de terça-feira apenas duas palavras "Obrigada, João".

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