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Portugal: PJ Contra-Terrorismo detém irmãos iraquianos suspeitos de djihadismo 03 Setembro 2021

Dois iraquianos suspeitos de pertencerem ao Estado Islâmico foram detidos esta quarta-feira, 1, em Lisboa numa operação da unidade de Contra-Terrorismo da Polícia Judiciária. Tinham obtido o estatuto de refugiados em 2017.

Portugal: PJ Contra-Terrorismo detém irmãos iraquianos suspeitos de djihadismo

Segundo o comunicado desta quinta-feira, a investigação do DCIAP-Departamento Central de Investigação e Ação Penal sobre os dois suspeitos que são irmãos, começou desde que entraram em Portugal para pedir asilo. Contou com o apoio do SEF-Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal e das autoridades judiciárias do Iraque.

Os dois suspeitos são irmãos e tinham entrado em Portugal em 2017 a partir da Grécia, no âmbito do programa de recolocação e refugiados da União Europeia. Devido a alegados comportamentos suspeitos denunciados, as autoridades passaram a monitorizá-los. O SEF é a polícia responsável por estes acompanhamentos.

Durante a investigação, a UNCT contou com o apoio das autoridades judiciárias iraquianas, através da UNITAD- ONU, o organismo da Nações Unidas que apoia as investigações internacionais relacionadas com os crimes do Daesh.

Esta colaboração, adianta a PJ "permitiu recolher prova indiciária bastante para imputar os referidos crimes".

"As provas recolhidas indiciam que estes dois indivíduos assumiram distintas posições na estrutura do ISIS / Daesh" e "foram igualmente objeto de investigação por parte das competentes autoridades judiciárias iraquianas", refere a nota da Judiciária, que sublinha não existirem por agora indícios de atividade em Portugal destes dois suspeitos de terrorismo.

Infiltrações de terroristas entre refugiados. São raras, garantem as autoridades. O mesmo garante ao DN, edição de hoje, o analista de risco e investigador académico de terrorismo internacional, Diogo Noivo.

"O acolhimento de refugiados, ou de requerentes de asilo, não constitui um problema de segurança. É, contudo, um desafio. Tem de ser escrutinado e acompanhado de perto pelas forças e serviços de segurança do país de acolhimento, tanto para garantir a segurança nacional como para assegurar a cabal integração dos que chegam".

O académico refere que "os dados quantitativos disponíveis não demonstram qualquer correlação entre o acolhimento de refugiados e o aumento de incidência de violência terrorista. De resto, a presença de refugiados em conspirações terroristas na Europa e nos Estados Unidos da América é absolutamente marginal, sobretudo quando comparado com o total de refugiados acolhidos", assinala.

Este é o mais recente caso, após o dos dois marroquinos da ’Célula de Aveiro’ que trabalhavam para o ISIS: Abdessalam Tazi, de 63 anos (foto em baixo), e Hicham El Hanafi (desenho), de 27 anos.

Em 2013, entraram em Portugal num voo de Casablanca via Bissau. Tinham documentos do leste europeu que se provaram falsos, mas alegaram que eram perseguidos no Reino de Marrrocos por pertencerem ao Movimento 20 de Fevereiro, ligado à Primavera Árabe.

Assim obtiveram o estatuto de refugiados em 2014 e mudaram de Loures, na Grande Lisboa, para um novo domicílio em Aveiro, no norte de Portugal. Recebiam 250 euros mensais e alojavam-se numa unidade gerida por uma associação de beneficência.

Entretanto estavam, sem levantar suspeitas, a desenvolver atividades como o recrutamento de terroristas, em ligação com outros djihadistas internacionais, em França e na Bélgica. Os seus documentos de residentes em Portugal permitiram-lhes circular por todo o Espaço Schengen e até à Turquia na sua "missão de recrutadores".

Hicham El-Hanafi foi em fins de novembro de 2016 detido em França acusado de estar a preparar atentados para o Natal, no âmbito da célula de Estrasburgo. Neste
17 de fevereiro (2021) foi condenado em França a 30 anos de prisão.

Fontes: DN/DW/Le Monde.fr. Fotos (DN e JN.pt/DakarActu): Edifício da PJ em Lisboa. Os dois marroquinos: o mais velho foi condenado pela Justiça de Portugal e faleceu na prisão de Monsanto).

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