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Brasil: Senador do flagrante ’dinheiro na cueca’ retoma lugar 22 Fevereiro 2021

O senador Francisco Assis ’Chico’ Rodrigues, afastado do cargo desde outubro — quando foi flagrado pela Polícia Federal com trinta mil reais escondidos na roupa interior, além de mais cem mil em casa — voltou a ocupar o assento no Senado, na quinta-feira, 18.

Brasil:  Senador do flagrante ’dinheiro na cueca’ retoma lugar

O escândalo do dinheiro na cueca levou Rodrigues — representante dos Democratas, pelo Estado de Roraima, e apoiante do presidente Bolsonaro — a pedir uma licença parlamentar de 121 dias. Inicialmente, o ’ministro’ do Supremo tinha-o condenado a 90 dias de suspensão, o que inviabilizaria a sua substituição (que só acontece para um afastamento superior a 120 dias).

De acordo com o regimento do Senado, o primeiro suplente de Rodrigues seria o seu filho, Pedro Arthur Rodrigues, que nunca chegou a substituir o pai. Por isso, o Senado passou os últimos quatro meses com apenas 80 parlamentares.

Segundo a imprensa brasileira, o ministro do Supremo autorizou o regresso por entender que não há elementos a sustentar o receio de que o senador pode prejudicar o andamento das investigações em curso.

Contudo, Rodrigues não poderá retomar o lugar na comissão financeira responsável pela atribuição de valores para combater a pandemia de coronavírus.

"Seria um contrassenso permitir que o investigado pelos supostos desvios viabilizados pela atuação na comissão parlamentar voltasse a nela atuar no curso da investigação", justificou o ministro do Supremo.

O escândalo

Em 15 de outubro último, Rodrigues foi alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga desvios de recursos direcionados ao combate à pandemia. O escândalo foi agravado por detalhes bizarros do caso: montante foi encontrado após um dos policiais identificar "um grande volume, em formato retangular, na parte traseira das vestes do senador".

O dinheiro escondido "entre as nádegas" totalizava R$ 33,150 (mais de mil contos)

Rodrigues sempre negou qualquer irregularidade. Menos de 24 horas após a operação, o presidente Jair Bolsonaro exonerou o senador da vice-liderança do governo no Senado. O parlamentar também pediu a sua desvinculação de membro do Conselho de Ética da Casa Parlamentar, órgão que aliás está sem funcionar há mais de um ano.

No inquérito, Rodrigues é suspeito de fraude e dispensa indevida de licitações, peculato e de integrar organização criminosa voltada ao desvio de recursos federais para o combate à pandemia.

Lar invadido, autodefesa

O Senador reagia em 16 de outubro, em comunicado, ao mandado policial que fez uma busca domiciliária de que resultou a apreensão de mais cem mil reais (perto de quatro mil contos).

"Acredito na justiça dos homens e na justiça divina. Por este motivo estou tranquilo com o facto ocorrido hoje em minha residência em Boa Vista, capital de Roraima. A Policia Federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado. No entanto, tive meu lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate à Covid-19 para a saúde do Estado.

Tenho um passado limpo e uma vida decente. Nunca me envolvi em escândalos de nenhum porte. Se houve processos contra minha pessoa no passado, foi provado na justiça que sou inocente. Na vida pública é assim, e ao logo dos meus 30 anos dentro da política conheci muita gente mal intencionada a fim de macular minha imagem. Ainda mais em um período eleitoral conturbado como está sendo o pleito em nossa capital.

"Digo a quem me conhece que, fiquem tranquilos. Confio na justiça, vou provar que não tenho, nem tive nada a ver com qualquer ato ilícito. Não sou executivo, portanto, não sou ordenador de despesas, e como legislativo sigo fazendo minha parte trazendo recursos para que Roraima se desenvolva. Que a justiça seja feita e que se houver algum culpado que seja punido nos rigores de lei". Fontes: DW/G1/Terra.br.

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