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Portugal: Suspeito de terrorismo é autista e teve vontade de atirar ’cocktails molotov’ e esfaquear pessoas mas sem vontade de avançar 18 Outubro 2022

João Carreira, suspeito de planear um ataque terrorista à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, assumiu esta terça-feira em tribunal que teve vontade de "atirar ’cocktails molotov’, setas e esfaquear pessoas", mas considerou que se não avançou é porque não teria "coragem para matar uma pessoa".

Portugal: Suspeito de terrorismo é autista e teve vontade de atirar ’cocktails molotov’ e esfaquear pessoas mas sem vontade de avançar

Na primeira sessão do julgamento no Juízo Central Criminal de Lisboa, João, agora com 19 anos, acedeu a prestar declarações ao coletivo de juízes e, "num tom monocórdico e inexpressivo", tem respondido às questões, relata a imprensa que está a seguir a audiência.

O estudante do 1º ano de engenharia informática confirmou que comprou os materiais e disse que de há muito, "aí por volta dos catorze ou treze anos", começou a interessar-se por assassínios em massa. Também referiu o estado depressivo em que estava em fevereiro, quando foi detido pela Polícia Judiciária na véspera do ataque.

Plano vago. À pergunta do juiz-presidente sobre o que pretendia fazer quando chegasse à Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a resposta foi: "Talvez ir para o auditório e atirar cocktails molotov, atirar setas, esfaquear pessoas".

Confessou que não queria "atingir ninguém em especial" e ao descrever os sucessivos adiamentos da execução do ataque — que chegou a ser apontado para os dias 3, 4, 7 e 9, até fixar finalmente o dia 11 — defendeu que isso se traduzia numa vontade de não executar mesmo o ataque.

Em busca de atenção: motivo? O arguido, desterrado da sua aldeia e a viver sozinho pela primeira vez, sublinhou "a depressão, o facto de estar em Lisboa e querer a atenção das pessoas da comunidade".

O advogado de defesa do estudante — que em fevereiro, aos 18 anos, caiu no radar do FBI no Texas enquanto se preparava, alegadamente, para fazer um atentado em Lisboa — argumenta que não ia haver ataque à Faculdade de Ciências, logo o suspeito deve ser ilibado dos crimes de que é acusado, incluindo o de terrorismo.

Em declarações à RTP, o advogado já tinha endereçado críticas ao diretor da PJ, por considerar não ser necessário ter criado um "alarme daquela dimensão quando afinal se vem a apurar um conjunto de circunstâncias que não o justificavam".


Autista.
João revelou que teve acompanhamento médico por causa do autismo, mas que não contactou o médico por já não falar com ele há muito tempo.

Admitiu que sabia que "era errado" o que planeava, pensou em recorrer a ajuda psicológica, mas acabou por decidir que "podia resolver o problema sozinho".

MP não afrouxa medidas de coação

João Carreira esteve em prisão preventiva desde 11 de fevereiro e — com o MP a alegar "forte perigo de continuação da atividade criminosa e um intenso perigo de perturbação da tranquilidade e da ordem públicas" — foi internado no Hospital Prisional de Caxias.

Fontes: . Relacionado: FBI alertou Portugal: PJ trava "ataque terrorista" que caloiro de engenharia programou para hoje, 11.fev.022; João, indiciado por terrorismo agiu por vingança após acusação de plágio, 14.fev.022; Pais de caloiro de engenharia indiciado por terrorismo culpam namorada "mais velha", 10.abr.022; FBI travou João em Portugal mas nem detetou texano que matou 19 crianças, 28.mai.022.

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