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Portugal-desaparecimento de Maddie: "Alemão nada tem a ver. Principais responsáveis são os pais", diz inspetor Amaral da PJ 25 Agosto 2021

Numa entrevista ao jornal alemão "Bild", para um programa especial sobre o caso de Madeleine McCann, o ex-inspetor da Polícia Judiciária de Portugal, Gonçalo Amaral, que liderou a investigação do caso, aponta novamente para os pais como os "principais responsáveis" e que simularam o desaparecimento.

Portugal-desaparecimento de Maddie:

Na entrevista ao Bild.de, Gonçalo Amaral — que desde 2007 defende a teoria da morte acidental de Maddie — revelou que não tem dúvidas de que o rapto da criança "foi simulado". E que entre "várias provas" nesse sentido está "uma janela que ninguém sabia ao certo se estava aberta ou fechada, apenas fomos informados de que o suposto raptor entrou e saiu por lá e também havia impressões digitais da mãe, o que mostra que ela abriu a janela".

O ex-inspetor da Polícia Judiciária não hesita em apontar que "o comportamento dos pais era estranho, quase parecia que nada havia acontecido. Eles estavam mais preocupados por não lhes servirem chá do que pelo desaparecimento da filha, quando deveriam estar em estado de choque ou nervosos, mas não havia nervos. Não foi uma reação normal", refere.

No livro, Gonçalo Amaral defende que "a menor Madeleine McCann morreu no apartamento da Ocean Club, da Vila da Luz, na noite de 3 de maio de 2007", "a morte poderá ter sobrevindo em resultado de um trágico acidente; existem indícios de negligência na guarda e segurança dos filhos".

"A ocultação do cadáver por Kate Healy e Gerald McCann" deu-se primeiro com o seu congelamento e depois cremação. Entre esses dois momentos "ocorreu uma simulação de rapto", teoriza o inspetor no relatório.

O inspetor formado em direito e criminologia garante: "Temos consciência de ter dado o nosso melhor para a resolução do caso. As nossas convicções assentam na experiência profissional, em factos e indícios recolhidos e da sua interpretação à luz do direito".

’Monstro Brueckner’: bode expiatório

"Nas primeiras horas, mesmo antes de desconfiarmos dos pais, recebemos uma lista de pedófilos que moravam na região e Brueckner estava nessa lista. Mas como é que alguém invadiu o apartamento sem deixar impressões digitais ou outras provas?", questionou o ex-inspetor.

Prossegue, na entrevista: "As declarações públicas do Ministério Público [alemão] apenas serviram para a construção do suspeito, para que as pessoas digam ’que monstro é este Brueckner’ ".

Investigação incompleta por ordem de superiores

O ex-inspetor da PJ revelou ainda que a investigação "deveria ter sido mais completa", no sentido de enquadrar a hipótese de assassinato. É que, segundo Gonçalo Amaral, havia "traços biológicos seguros, fibras e cabelos", que apontavam para essa direção.

Não a ter seguido "foi um erro", causado pelo facto de que "os superiores queriam que abordássemos o caso como desaparecimento" e isso "tem impedido até hoje que se encontrem as pistas corretas".

Gonçalo Amaral apontou ainda que esta não foi a única imprecisão durante a investigação. As autoridades portuguesas nunca conseguiram ter acesso ao histórico médico de Maddie McCann, uma vez que "nem os pais, nem as autoridades britânicas permitiram ter acesso a esse documento".

Investigação alemã minimiza trabalho da PJ

O antigo investigador também deixou algumas observações sobre o procurador-geral da república alemão, durante a entrevista ao jornal "Bild". Gonçalo Amaral considera que o procurador nunca leu o relatório provisório assinado pelo ex-inspetor em setembro de 2007.

"Quando o procurador alemão fala que o suspeito entrou pela janela, ele não leu o arquivo, ele não tem informações sobre o que encontramos naquela sala na primeira vistoria. Caso contrário, não faria aquelas declarações".

Hans Christian Wolters, procurador-geral da república alemão, revelou, numa entrevista ao mesmo programa, que o ministério público alemão "não estava interessado na opinião de um ex-polícia português".

"Presumimos ainda que o ex-polícia não tem os nossos arquivos, portanto, as suas conclusões são completamente irrelevantes", afirmou Wolters certo de que tem o seu suspeito: Christian Brueckner "que na altura vivia a poucos metros do local onde a família McCann estava alojada".

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