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Portugal precisa vacinar mais, mas guardou metade das suas 411.600 doses — Queixas sobre prioridades e 90% de médicos por vacinar 07 Fevereiro 2021

A decisão do Ministério da Saúde de garantir as segundas tomas de vacina está a ser criticada como "exagerada", num momento em que a maior urgência é imunizar o maior número de pessoas no menor tempo possível. A ministra Marta Temido ainda trabalha com o Plano que prevê vacinar até final de março 80% dos prioritários da primeira fase — maiores de 80 anos e profissionais de saúde.

Portugal precisa vacinar mais, mas guardou metade das suas 411.600 doses — Queixas sobre prioridades e  90% de médicos por vacinar

A briga pela prioridade entrou em força na sociedade portuguesa, mesmo com o Plano de Vacinação "amplamente socializado nos últimos meses". Está a reinar a escassez que deu o ditado "Onde falta pão todos brigam e ninguém tem razão".

Brigam porque há fura-filas, brigam porque nunca mais são chamados para a fila embora sejam contemplados como prioritários no Plano. Entre estes, está o grupo dos profissionais de Saúde, considerados como de primeira linha, na primeira fase de prioridade de vacinação.

Mas na prática há uma divisão entre os do setor público, tidos como prioritários, e os do privado, não-prioritários. Isso causa "alguma perturbação, e até indignação, de muitos profissionais", segundo o presidente da APHP-Associação Portuguesa de Hospitalização Privada.

Óscar Gaspar mostrou os números ao pronunciar-se, esta quarta-feira no parlamento: 90% dos profissionais de saúde dos hospitais privados ainda não receberam a vacina.

Apenas "1.700 do total de profissionais de saúde nos hospitais privados estão vacinados", 570 dos quais são médicos. "Estamos a falar de cerca de 90% do pessoal de saúde que ainda não foi vacinado e, pior do que isso, não sabe quando é que vai ser", afirmou Óscar Gaspar.

Numa intervenção anterior, durante a primeira ronda da audição no parlamento, Óscar Gaspar fez questão de dizer que já mostrou ao Ministério da Saúde disponibilidade para vacinar os portugueses, uma vez que consultam "centenas de milhares de cidadãos que não têm médico de famílias" que recorrem aos privados.

Mais denúncias de "fura-filas" — Secretário de Estado nega e processa bastonária Ana Cavaco

Na segunda-feira, 1, o jornal algarvio ’Sul Informação’ noticiava que o responsável algarvio pelo combate à Covid, o secretário de Estado da Descentralização e da Administração Local, ia processar por difamação a bastonária dos enfermeiros. Dois dias antes, Ana Rita Cavaco acusara numa rede social o governante Jorge Botelho e a esposa de serem "fura-filas e chicos espertos" que se vacinaram indevidamente contra a Covid-19.

Dois dias depois, na quarta-feira, 3, a notícia regional ganhou dimensão nacional. O governante confirmou à Lusa: "A queixa foi enviada por correio para o Tribunal Judicial da Comarca de Tavira, onde deverá ter dado entrada hoje ou dará amanhã [quinta-feira]".

O governante enviou ainda um desmentido à imprensa, em que "repudia a informação falsa veiculada pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, através das redes sociais, sobre um alegado favorecimento [s]eu e da [su]a família na administração da vacina contra a Covid-19".

Segundo a publicação da bastonária denuncia, a esposa de Botelho, que é diretora regional da Segurança Social, "pegou nela, dizem, na família e nuns amigos socialistas e toca de fazer de fura-filas e chicos espertos a tomar a vacina".

Vacinação da presidente de Câmara

Ao denunciar o que alega ter sido "a vacinação indevida da autarca Isilda Gomes", a bastonária não se coibe aliás nos termos reprováveis: "Gorda fura-filas, já tem a sua dose no papinho. Malvada a hora que nasci magra" (Ver neste online a publicação do dia 4 p.p).

A edilidade reagiu à denúncia da bastonária dos enfermeiros sobre a vacinação da Edil: "Na data da abertura do CHUA [Centro Hospitalar Universitário do Algarve], todos os que exerciam funções foram vacinados, o mesmo tendo sido solicitado a Isilda Gomes na qualidade de voluntária do projeto Visitas Virtuais, tendo sido esta condição necessária para que pudesse exercer esta função", lê-se na publicação do município de Portimão numa rede social.

Fontes: Referidas/SIC/TVI/Observador. Fotos (Sul Informação): O CHUA-Arena, hospital de campanha de Portimão. A presidente da câmara local exerce ali voluntariado, o que segundo a edilidade tornou a vacina uma "condição necessária". Recebeu a 1ª dose em 11 de janeiro, dois dias antes da abertura do hospital, e a 2ª dose no dia 29.

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