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Portuguesa Navex vê Cabo Verde como ’hub’ para operadores de energia na África Ocidental 24 Mar�o 2022

A empresa portuguesa de navegação Navex, do grupo ETE, anunciou hoje que pretende transformar Cabo Verde num ’hub’ na África Ocidental para navios de operadores de petróleo, gás e energias renováveis, criando para esse efeito a Navex Energy Logistics.

Portuguesa Navex vê Cabo Verde como ’hub’ para operadores de energia na África Ocidental

"O setor das energias está claramente em cima da mesa e é um setor onde nós achamos que, do ponto de vista dos serviços logísticos, transportes, tudo o que está associado à cadeia logística dessa indústria, ainda há muita coisa por fazer, sobretudo nas geografias em que nós operamos, ou seja, Portugal e África Ocidental", disse à Lusa Bruno Silva, diretor da Navex Cabo Verde.

Em 2021, o arquipélago apoiou operações de navegação de cerca de uma dúzia de navios ligados ao setor da energia, atividade concentrada no Mindelo, ilha de São Vicente, explicou o responsável, à margem da participação da Navex na III Feira Internacional de Energias Renováveis e Eficiência, que arranca hoje e vai decorrer até sábado, na Praia.

"Mas cada navio desses podem movimentar à vontade 100 tripulantes, mais os técnicos, enquanto um navio normal desembarca um marinheiro e embarca outro", exemplificou.

A "ambição", apontou, é "transformar Cabo Verde num ’hub’ para a África Ocidental de todos os temas e negócios dentro desta indústria". O "problema", refere, é que o arquipélago ainda não entrou na rota destes serviços, algo que a nova marca Navex Energy Logistics quer mudar: "A indústria ainda não conhece Cabo Verde, não sabe as capacidades que existem cá".

"São indústrias com requerimentos e navios muito específicos, com necessidades de transporte também muito específicas, seja porque as eólicas têm dimensões muito grandes e não são fáceis de transportar, seja porque os painéis solares são para zonas com défice de transporte e em grandes quantidades, o que exige também alguma complexidade e algum conhecimento", apontou Bruno Silva.

Para o responsável da Navex em Cabo Verde citado pela Lusa, o agenciamento deste tipo de navios é uma oportunidade na região da África Ocidental, e no espaço lusófono, face à falta de oferta de "serviços integrados e formatados para esta indústria", e daí "a necessidade de criar a marca".

"Vemos esta indústria muito desenvolvida nas Canárias [arquipélago espanhol junto à costa africana], é uma indústria muito forte, é um ponto de paragem normalíssimo para navios de prospeção, para transbordo deste tipo de produtos, para descarga das torres eólicas para distribuição noutros sítios e nós ficamos sempre tentados a dizer que se faz isto nas Canárias, porque não fazer em Cabo Verde", observou ainda.

Em causa está a atividade de agenciamento para este tipo de navios, nomeadamente os ligados à indústria de petróleo e gás, que precisam de paragens para troca de tripulações, para abastecer mantimentos ou combustível e fazer pequenas reparações.

"Isto é possível em Cabo Verde e nós temos vindo a fazer. Por vezes até pode permitir poupanças significativas aos operadores. Isso também é possível, e importa dizer, porque o ambiente de negócios em Cabo Verde é muito favorável", sublinhou o responsável da Navex no arquipélago.

Acrescentou que com estes serviços de agenciamento dedicados ao setor também "é possível, nas energias renováveis, fazer de Cabo Verde um ’hub’ de distribuição".

"E sem adicionar muito custo. Por exemplo, para armazenar e distribuir painéis solares, componentes da indústria eólica, para estabelecer centros de controlo ou de conhecimento de energias renováveis que depois trabalham para a África Ocidental", disse.

Com a Europa à procura de novas origens para compra de gás, face ao conflito na Ucrânia e a dependência de energia da Rússia, ao mesmo tempo que se preparam para emergir novos produtores em África, como Moçambique, a localização estratégica de Cabo Verde pode vir a fazer a diferença para chamar a atenção no movimento destes navios e o seu agenciamento, acrescenta a Lusa.

"As pessoas tipicamente pensam que não há meios, mas há muita vontade, muito interesse, muita disponibilidade das entidades que estão associadas a isto em fazer acontecer em Cabo Verde", insistiu Bruno Silva.

Acresce, sublinhou, nas energias renováveis, as eólicas ’offshore’ ou a produção de energias através das ondas, que começam a nascer e "onde claramente Cabo Verde se devia posicionar".

"E nós temos interesse nisso", garante o responsável pela Navex em Cabo Verde, recordando os projetos desta indústria em que o grupo ETE já está envolvido.

A Navex Cabo Verde é o agente de navegação do grupo ETE, com escritórios próprios da empresa Navex em Portugal continental, Madeira e Açores. Em Cabo Verde, a empresa prevê ter escritórios próprios em todas as ilhas a partir de 01 de abril, com a abertura das agências no Fogo, Brava, Maio e São Nicolau, além da aposta, agora, na Navex Energy Logistics, conclui a fonte deste jornal.

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