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A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Praia: A cidade em que animais vagueiam pelas ruas e atacam pessoas na barba cara das autoridades 14 Junho 2018

Na Cidade da Praia, não é preciso ficar muito tempo na rua para se encontrar com animais à solta, um pouco por todos os lados, principalmente vacas, cabras, ovelhas e cães vadios. Basta dar uma volta por alguns bairros, nomeadamente por Palmarejo, Várzea, Tira-Capéu, Terra Branca, Eugénio Lima, Castelão, Achada Mato, entre outros, para vê-los, na barba cara das autoridades, rasgando e espalhando o lixo doméstico pelo chão. Para os transeuntes, trata-se de um perigo à saúde pública, que precisa de mais atenção, tanto por parte do poder público, como por parte da sociedade civil. A probabilidade de proliferação de doenças é, segundo os críticos, grande, além do risco de ataques a pessoas e acidentes de trânsito por parte desses animais. Esta situação “alarmante” é comum em muitos pontos do Município da Praia e é fácil constatar currais, pocilgas e capoeiras junto às residências – um problema em que nenhuma das Câmaras teve “coragem” de enfrentar e resolver.

Praia: A cidade em que animais vagueiam pelas ruas e atacam pessoas na barba cara das autoridades

Este diário digital recebe “sistematicamente” vários protestos e imagens de leitores, moradores e pessoas que visitam a Capital do País, denunciando animais soltos pelas ruas. Conforme as mesmas fontes, configura uma situação onde as pessoas convivem com um grande grande número de animais em pastagem ou abandonados - talvez a maior registada na história de Cabo Verde.

Segundo o Asemanaonline apurou no terreno, diariamente rebanho (ovelhas) manada (bois e vacas), matilhas (cães vadios, incluindo alguns ferozes) e cabras desfilam-se pela Rua do “Ilhéu de Santa Maria” - Palmarejo, deixando ainda mais lento e inseguro o trânsito, que já é complicado devido ao sentido único da rodovia. Além do risco de acidentes de trânsito, o problema contribui ainda para a promoção de uma imagem “ruim” pelos que visitam a Cidade da Praia – considerada uma região metropolitana.

Para alguns citadinos, o problema dos animais soltos nas ruas, já é recorrente no bairro de Palmarejo e consideram-no um atentado à segurança no trânsito e, consequentemente, à saúde pública.

José António é um morador do centro do Palmarejo que se mostra indignado com a livre circulação de gados bovino e caprino pelas ruas deste bairro que, frequentemente procuram papéis e outros lixos domésticos para se alimentarem, já que podem transmitir doenças e reviram contentores e sacos de lixo doméstico.

“Mudam-se os tempos, mudam-se as equipas de gestão municipal, mas existem problemas que persistem na nossa Cidade e que nunca serão resolvidos por parte da autarquia local. O passeio das vacas, cabras e ovelhas pelas principais artérias da nossa capital é ainda uma realidade incontornável”, lamenta.

Manuela, outra moradora do bairro, tem a mesma opinião. Esta aponta o dedo à edilidade da Praia e exige que autoridades do poder público tomem medidas com os animais que vagueiam pelas principais artérias da Cidade. “Somos confrontados diariamente com o problema das vacas e dos cães vadios que circulam no meio da estrada, o que põe em risco, não só a segurança dos automobilistas, mas também a nossa saúde. As autoridades municipais devem definir com clareza, quais são as zonas destinadas ao pastoreio e, por último, agir de forma firme sobre os prevaricadores. O poder autárquico não pode ser conivente com este tipo de situações”, critica.

Moradores preocupados com cães vadios

Vários moradores da zona de Monte Vermelho, Cidade da Praia, dizem-se incomodados com as dezenas de cães vadios que, para além de invadirem as ruas, atacam as pessoas e perturbam-nas durante à noite.

Perante esta inquietação, os mesmos “aguardam” uma atenção “especial” por parte do poder público na tomada de providências mais rígidas para resolver esse tipo de problema, que há muito reina neste bairro.

Luísa Semedo é também outra moradora do Monte Vermelho, que se mostra descontente com a livre circulação de várias espécies de animais pelas ruas e conta que todos os dias confronta com dezenas de cães a deambularem pelas ruas e junto às moradias, restaurantes, cafés, padarias e mini-mercados à procura de sacos com restos de comida que são postos no chão. “São muitos cães que, além de intimidarem as pessoas, emporcalham espaços públicos com fezes, deixando a imagem dessa zona de expansão num estado calamitoso em termos de higiene e saúde públicas”. Daí que todos exigem soluções urgentes para o problema por parte das autoridades municipais.

O cenário é idêntico na Achada de Santo António. Um leitor deste diário digital descreve que, num do sítios desse bairro, tem sido atacado, durante o seu exercício físico matinal, por mais de 80 cães famintos.

Para Francisco Fernandes, esses animais abandonados preocupam todos os moradores, não só de Monte Vermelho, mas também, um pouco por todos os bairros da Capital. “O pior ainda acontece à noite, pois eles atacam as pessoas e nos perturbam durante o descanso. E mais: há vizinhos que criam mais de três cães, sem condições de os sustentar, de modo que eles ficam abandonados na rua e constituem um perigo iminente para a saúde das pessoas, sobretudo as crianças, porque a maior parte destes caninos parece estar doente», alerta.

“Outros ainda estão habituados a ficarem junto à entrada de restaurantes à espera de restos de comidas, pois nota-se neles alguns sinais de doenças (coceiras e feridas no corpo), que poderão contaminar as pessoas que por aí passam, sobretudo as crianças”, confessa Mário Andrade.

Abordado pela nossa reportagem, muitos munícipes reconhecem que esse problema reina um pouco por todos os bairros da capital do País, mas apelam para uma campanha de sensibilização dos criadores e, ao mesmo tempo, a todos os residentes que evitem colocar o lixo no chão, porque "caso contrário, contribuem para o aumento desses animais nas ruas".

A equipa deste diário digital deslocou-se várias vezes à CMP para auscultar a opinião do vereador pela área do saneamento do meio, mas tal não foi possível, pelo que promete divulgar nas próximas edições, informações sobre as medidas tomadas ou a serem tomadas pelo Executivo de Óscar Santos para pôr cobro a esta situação, que poderá ter consequências “nefastas” sobre o trânsito de veículos e saúde pública na Capital Cabo-verdiana.

Celso Lobo

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