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Praia/Reportagem: Concorrência desleal tira “paz” aos taxistas que clamam pela resolução do problema 07 Abril 2021

O presidente da Associação dos Taxistas da cidade da Praia denuncia que a concorrência desleal (táxis clandestinos) é o principal problema que afeta e« tira paz» à classe neste momento. Adriano Monteiro acusa as autoridades competentes, nomeadamente a Polícia de Trânsito e o Ministério de Transportes, de não fazerem nada para combater este flagelo. Corrobora a mesma posição o presidente da Associação dos Proprietarios de Táxis na Capital, Carlos Semedo, para quem o caso tem inclsuive gerado conflitos entre as partes desavindas em plena via pública.

Praia/Reportagem: Concorrência desleal tira “paz” aos taxistas que clamam pela resolução do problema

Na cidade da Praia operam aproximadamente 1000 táxis, sendo 300 dos quais em regime clandestino. A equipa da reportagem do Asemanaonline foi inteirar dos problemas que essa classe profissional enfrenta, bem como de medidas de soluções que propõem às autoridades centrais.

Em entrevista a este jornal, o presidente da Associação dos Taxistas revela que um dos seus maiores constrangimentos neste momento é a concorrência desleal com táxis que não são licenciados (táxis clandestinos). Adriano Monteiro informa que, actualmente numa média de 800 táxis, existem 300 que não são licenciados e operam de forma ilegal e sem que tenha acontecido qualquer exigência por parte das autoridades centrais no tocante ao cumprimento da lei.

“É complicado quando um taxista sai da sua casa às sete da manhã e volta, se calhar depois das nove horas da noite, após um dia de sacrifício, não fica satisfeito devido a concorrência desleal que ele enfrenta no seu dia-a-dia. Hoje em dia, em cada dois táxis tem um clandestino, numa média de 800 táxis, temos por volta de 300 táxis que não tem licença e fazem o seu serviço ilegal”, lançou o repto.

Quem partilha da mesma opinião é o presidente da Associação dos Proprietários de Táxis, Carlos Semedo, que adverte que a circulação dos táxis sem licença cria sérios problemas para o sector, gerando muitas vezes conflitos na via pública. O mesmo avançou que muitas vezes sentem-se desmotivados, mas que, no entanto, estão nesse sector por amor e também devido ao fato de ser a área que escolheram para ter um ganha-pão.

“Nós como associação não temos base legal para combater a concorrência desleal, mas temos mecanismos para intervir, através da Câmara Municipal e o Ministério dos Transportes a nível nacional. Já tivemos vários encontros com o ministro no intuito de ver se as autoridades do setor consigam resolver esse problema. Sabemos que há dificuldade em combater esse flagelo, mas é muito triste ver pessoas a fazer o mesmo trabalho “que nós” sem nenhuma exigência por parte das autoridades competentes e a nós fazem exigências enormes. Um fato que incentiva a vários taxistas a abandonarem esse sector de atividade, porquanto ficam prejudicados com tal prática. Por exemplo, o taxista profissional ao ver uma pessoa a fazer um trabalho idêntico ao seu e não lhe ser atribuído nenhuma exigência e a ele taxista a ser sobrecarregado de exigências, isso contribui pela desmotivação da classe”, revelou.

Táxis clandestinos e falta da intervenção das autoridades

Segundo o entrevista deste jornal, esse problema afeta mais os taxistas do que os próprios proprietárias de táxi, porque estes exigem do trabalhador um certo valor no final do expediente e o taxista terá de fazer de tudo para tal. Mesmo enfrentando a concorrência desleal, ele tem de se esforçar para entregar ao proprietário o valor exigido no final do dia, visto que o dano da viatura não leva em consideração o problema que o taxista enfrenta no seu dia-a-dia, com destaque para a insegurança reinante na Praia — realça assaltos permanentes a taxistas. Um fato que, segundo os ouvidos por este jornal, ilustra a situação de insegurança que enfrentam no dia-a-dia, principalmente à noite.

O Presidente da Associação dos Taxistas afirma que “existem zonas na cidade da Praia, como Achada Mato, Achada Grande Trás, Ponta D’Água, Castelão, que os táxis não precisam ir, porque os clandestinos que circulam por ali estão em um número tão elevado até ao ponto de cobrarem 50 $00 por cada frete, pelo que, assim sendo, nunca uma pessoa apanhará um táxi para pagar 150 ou 200 escudos.

Entretanto, Adriano Monteiro acusa as autoridades de nada fazerem para combater esse flagelo, justificando que não têm provas suficientes para tomar alguma atitude. Mas admite que existem provas mais do que suficientes e que as autoridades não estão a fazer nada porque não querem, afirmando que a associação não pode fazer nada neste sentido porque não tem suporte legal para tal.

“As autoridades justificam que é difícil combater isso porque é preciso provas. Mas temos provas mais do que suficiente, se sairmos na rua damo-nos logo de cara com aquelas carinhas a nos perguntar «se estamos a precisar de táxi». Temos também outra prova que é o estacionamento de clandestinos na rua de trás de Fazenda, aquilo só não vê quem não quer. Como se diz num bom crioulo, «Kau Klaro Ka Mesti Kanderu». Quando as autoridades nos digam que é difícil combater os clandestinos, ficamos de mãos atadas”, lamenta.

Já o presidente da Associação dos Proprietários de Táxis garante, por seu turno, que sempre tiveram a preocupação de colocar essa questão junto da Câmara Municipal e junto do Governo, mas estes sempre mostraram-se dificuldade na resolução efectiva desse problema.

“Achamos que o governo e a Câmara Municipal devem dar uma mão amiga aos proprietários de táxi, porque a nossa função não é fazer pressão ao Governo ou
à Câmara, mas sim ajudar o governo a resolver os problemas do nosso sector”, referiu.

Falta da previdência social e novas licenças

Um outro problema indicado pelo presidente da associação dos taxistas, é o fato de, num universo de 1000 taxistas, não chega a 250 os que estão inscritos no Instituto nacional de Previdência Social (INPS) devido à falta de informação. Portanto, Adriano Monteiro apela ao governo que faça chegar informações aos empresários para esclarecer como funciona o regime previdência social para a classe dos homens do volante.

Entretanto, o presidente partilha de opinião que durante a sua operação, a polícia deve exigir credencial do INPS e aplicar multa a quem não o apresentar, fazendo com que os proprietários se sentam obrigados a inscrever os seus condutores no INPS.

Uma outra preocupação colocada pela Associação dos Taxistas, é a atribuição de 20 licenças a 20 mulheres taxistas. O presidente diz não ser contra essa atitude até porque refere “gostar de ver as mulheres em pé de igualdade com os homens”, mas diz que para manter a igualdade, deve-se atribuir também pelo menos 20 licenças a homens taxistas.

Entretanto, até ao fecho dessa reportagem, o Asemanaonline tentou ouvir, durante mais de uma semana, a Direção Geral dos Transportes, a Polícia de Trânsito e a Câmara Municipal da Praia sobre os problemas reportados, mas sem sucesso. No entanto, este diário digital promete retomar esta matéria numa das suas próximas edições, caso as entidades referidas venham a pronunciar-se sobre as preocupações expostas pelos presidentes da Associação dos Taxistas e da Associação dos Proprietários de Táxis na Praia.
Maria Cardoso/Redação

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