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Praia: Estudantes universitários gritam por ajuda no pagamento de propinas 14 Junho 2020

Numa altura em que os níveis de propagação da Covid-19, na Cidade da Praia, são cada vez mais elevados, os estudantes universitários dizem-se abandonados, sem apoio, nem a solidariedade do Governo e muito particularmente das Câmaras Municipais do País. «O Governo não dá qualquer ajuda nem apoio moral aos estudantes, em meio à pandemia do novo Coronavírus”, lamentam.

Praia: Estudantes universitários gritam por ajuda no pagamento de propinas

Com quase todas as universidades fechadas e sem ninguém saber muito bem como vai ser recomeçado o resto do ano letivo, muitos estudantes, que procuraram o ASemanaonline para exprimirem a sua preocupação face à situação atual, mostram-se preocupados com o seu futuro. Segundo eles, o momento é de grande incerteza, até porque nem todas as Universidades do País não estão a funcionar da mesma forma. Salientam que as aulas foram “pura e simplesmente suspensas. É face a este quadro da situação que pedem a suspensão do pagamento das propinas, sua redução ou o apoio do Governo, enquanto vigorar este período de vigência do estado da calamidade por causa da pandemia de Covid-19.

Conforme alertam, os estabelecimentos do ensino superior da capital de Cabo Verde continuam encerradas devido ao estado da calamidade e aumento de casos positivos da Covid-19, mas ainda assim, os estudantes, pais encarregados de educação terão de pagar as propinas. Muitos ainda, propõem que o Governo crie algum decreto que autorize instituições públicas e privadas de ensino a cobrar uma parte das mensalidades e a comunidade académica a comparticipar outra parte inferior à metade do valor da propina mensal (25 a 30%).

Diante das dificuldades criadas pelo isolamento social, decretado pelas autoridades nacionais, devido ao aumento dos casos de contaminação em muitos bairros da Cidade da Praia, os estudantes revelam que as fontes de sobrevivência estão cada vez mais escassas e sem as aulas presenciais desde Março passado, não estão em condições de acompanhar as aulas online. São muitos deles que passaram a viver de trabalhos sazonais “para, pelo menos, comprar comida”, porque os pais que os sustentam estão sem qualquer rendimento neste momento.

Reivindicações dos estudantes

A pandemia de covid-19 está a gerar uma crise económica que, de acordo com os dois partidos do arco do poder, afeta o poder económico dos estudantes e das suas famílias.

Carlos Tavares, representante e porta-voz dos estudantes da Universidade Lusófona de Cabo Verde (ULCV) diz que as propinas seriam pagas sem reivindicações se os estudantes tivessem aulas presenciais, e denunciou que as "aulas online" ainda não se tornaram realidade. "Há estudantes que dependem das atividades informais, o que exige sair de casa para conseguir dinheiro para o pagamento das propinas. Com o estado de emergência e agora, de calamidade, dificulta-os a sair das residências para trabalhar. Sendo eles trabalhadores informais, não terão a possibilidade de pagar as propinas na totalidade porque estão em casa", defende.

Ló Fernandes, estudante de Direito, revela ao Asemanaonline que nem mesmo os esquemas de remessas de dinheiro, a partir dos familiares nos EUA, têm sido possíveis depois que o País fechou as fronteiras e que a solução tem sido graças à ajuda de amigos e vizinhos.

“Neste momento, que as universidades não estão a prestar serviços (aulas presenciais), seria imperioso garantir a suspensão/isenção do pagamento de propinas porque os estudantes estão a pagar um ensino de que não estão a ter acesso», sugere.

Mesma opinião tem o colega Nilton Monteiro, retornado da ilha do Fogo e estudante na Uni-Piaget de Cabo Verde. “Neste momento, estamos a passar por muitas dificuldades e pedimos ao Governo e às Câmaras Municipais, no sentido de nos ajudar no pagamento das propinas acumuladas e noutros encargos familiares, nomeadamente renda de casa, transporte e alimentação, porque desde a implementação do estado de emergência, nossos pais não nos enviaram nada”, aponta, defendendo que o grande objetivo não é o pagamento de propinas, mas sim salvar o ano académico.

Outros ainda defendem que os alunos devem ficar isentos de pagar propinas até ao fim do estado de emergência, em que as instituições de Ensino Superior estão encerradas e muitas não estão a lecionar online. “Durante o período que vigorou o estado de emergência e de calamidade, ou as universidades do País deveriam isentar-nos do pagamento de propinas ou o Governo deverá ajudar-nos a liquidar as nossas dívidas”, propõe Melanie, estudante do ISCJS.

Perante essas inquietações, este diário digital promete entrar em contacto com a direcção das universidades do Concelho da Praia, com vista a se posicionar sobre as declarações dos estudantes referidos e as possibilidades do pagamento de propinas, que se encontram acumuladas desde o período em que foi decretado o estado de emergência pelo Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca.

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