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Praia: Vereador diz que se deve “desdramatizar” o afundamento de covatos no cemitério de Achada de S. Filipe 30 Setembro 2020

O vereador do Ambiente e Saneamento da Câmara Municipal da Praia disse hoje à Inforpress que se deve “desdramatizar” a questão do afundamento de covatos no cemitério de Achada de S. Filipe por se tratar de “algo normal”.

Praia: Vereador diz que se deve “desdramatizar” o afundamento de covatos no cemitério de Achada de S. Filipe

Para o responsável do pelouro do Ambiente e Saneamento autarquia capitalina, na altura em que foram suspensas sepulturas no cemitério de Achada de S. Filipe registaram-se “algumas especulações”, mas “sem razão de ser”.

Lopes da Silva justificou que os funerais foram suspensos por falta de covatos disponíveis.

“Os covatos são feitos no momento do enterro. São feitos com máquinas e, depois, são transportadas terras finas apropriadas para as sepulturas”, indicou o vereador, acrescentando que este processo acontece também em relação a certas zonas do cemitério da Várzea.

Na perspectiva daquele responsável, o cemitério de S. Filipe está num sítio bem localizado e até “melhor do que o da Várzea”.

“Aqui [Achada de S. Filipe], a água da chuva não contamina o subsolo, porque estamos numa zona alta e, dificilmente, as águas vão contagiar as áreas agrícolas”, observou António Lopes da Silva.

Segundo ele, o estudo feito prova que o referido cemitério “não prejudica nenhum tipo de lençóis freáticos”.

Instado por que razão as sepulturas estiveram suspensas, explicou que as covas são abertas em função das necessidades, porque, argumentou, “é necessário muito dinheiro” e os trabalhos são feitos com máquinas.

“A suspensão [de enterros em S. Filipe] foi apenas de duas semanas”, precisou António Lopes da Silva, para quem desde sempre foram transportadas terras de outros sítios, com vista à preparação dos covatos, a fim de permitir uma “melhor decomposição dos corpos”.

Confrontado com informações, segundo as quais se têm verificado algumas anomalias, ou seja, quando se abre um covato aparecia o caixão de sepulturas feitas há pouco tempo, o vereador afirmou “duvidar da veracidade do relato dos factos”.

“Trata-se de um terreno que tem alguma quantidade de pedras e, em certas áreas, quando abrimos as covas, fazemo-lo no meio de pedras”, argumentou, para depois indicar que as covas “estão bem alinhadas”.

Considera “normal” o que aconteceu com o afundamento de algumas covas em Achada de S. Filipe.

“Quando chove muito, e isto acontece também na Várzea, alguns covatos cedem”, apontou.

“Os caixões não são de ferro. Alguns, com o peso da água e da terra, cedem e provocam roturas nos covatos. Isto é normal”, revelou, estranhando “tanto celeuma” à volta do cemitério de S. Filipe, que, de acordo com as suas palavras, “está a funcionar normal”.

A gestora do sepulcrário de S. Filipe, Simone Gonçalves, por seu lado, garantiu à Inforpress no local que “nunca se registaram casos de caixões que ficaram a descoberto por causa da abertura de uma cova ao lado”.

“Se começarmos a abrir o covato, e constatarmos que a terra está a cair, fechamo-lo e abrimos um outro mais longe”, admitiu Simone Gonçalves, a título de hipótese, que acusa as pessoas de fazerem “especulações”, a propósito das sepulturas no cemitério de Achada S. Filipe.

“Trabalhamos aqui todos os dias e nunca sentimos cheiro de corpos sepultados” reiterou aquela gestora.

À data desta reportagem [29/09/2020], já tinham sido sepultados em S. Filipe mais de mil corpos, de acordo com os dados disponibilizados pela gestora Simone Gonçalves.

Em Novembro, informou o vereador do Ambiente e Saneamento, pode-se iniciar a reutilização dos covatos que já têm três anos e que não foram comprados, pelo que, sintetizou, não se coloca a questão da falta de espaços para novos enterros.

Perguntado se a venda dos covatos não criará, no futuro, novos problemas de espaços para os enterros no cemitério de S. Filipe, Lopes da Silva respondeu nesses termos: “Não podemos fazer discriminação, ou seja, vender na Várzea e não vender em S. Filipe. Até agora há uma deliberação que estipula o preço dos covatos, que é de 250 mil escudos. Este preço é para se evitar que comprem muitos covatos”.

“Cemitério de Achada de São Filipe tem todas as condições para receber de forma digna corpo de qualquer pessoa. Tem um espaço ecuménico onde qualquer um pode praticar o seu culto religioso”, concluiu António Lopes da Silva.

O cemitério de Achada de São Filipe tem capacidade para 4.200 campas e custou aos cofres públicos mais de 30 mil contos e veio responder às necessidades dos munícipes relativamente aos enterros na capital do País.

Além de instalações administrativas, dispõe de sanitários, parque de estacionamento e está prevista a construção de uma casa mortuária devidamente equipada para a realização de velórios, onde serão vendidos artigos funerários.

A cerimónia da sua abertura oficial ocorreu a 03 de Novembro de 2017 e foi presidida pelo bispo da Diocese de Santiago, cardeal Dom Arlindo Furtado, na presença do presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos.

A Cidade da Praia, que neste momento conta com mais de 150 mil habitantes, já vinha sentindo alguma pressão em relação a oferta de infra-estruturas básicas e outras ofertas sociais.

O cemitério da Várzea, até então, era o único espaço de sepultura do município da Praia, fora construído há centenas de anos. A Semana com Inforpress

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