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Preço da Saúde — "Chorarei para sempre a minha filha" 08 Agosto 2021

O cancro infantil continua a ser a primeira causa de morte por doença em crianças, nos Estados Unidos. Um estudo recente mostra que o custo financeiro do tratamento é insuportável para 95% das famílias. O dinheiro também conta para os níveis de sobrevivência: os mais pobres têm altas taxas de recidivas e morrem mais. Um jornalista da CNN que viveu o drama da filha bebé com cancro publicou nesta quinta-feira um artigo no ’New York Times’, convicto de que reconhecer o custo financeiro do cancro é condição sine qua non para ajudar quem sofre.

Preço da Saúde —

A filha bebé do "repórter de investigação" Andrew Kaczynski faleceu no último Natal, meses depois do diagnóstico de cancro no cérebro, a que se seguiram "várias cirurgias e os horríveis efeitos secundários da quimioterapia".

"E todavia" — diz o jornalista, que nos surpreende com esta concessiva — "a nossa família foi uma das felizes".

A concessiva introduz a questão do alto custo da Saúde nos Estados Unidos, a tal ponto que quem tem baixos rendimentos corre o risco de morrer sem receber os cuidados necessários. O autor refere a boa situação financeira da sua família e a prévia escolha feliz da seguradora, condições que permitiram pagar o alto custo do tratamento de Francesca.

"Tínhamos imensas poupanças e um excelente seguro de saúde. Os nossos patrões continuaram a pagar-nos". A fatura da sua batalha de quatro meses atingiu 1,8 milhão de dólares (165 milhões CVE), mas "felizmente o seguro pagou a maior parte das nossas contas de hospital".

Outros custos

"Conseguimos também juntar cem mil dólares doados por amigos, parentes e até desconhecidos através de crowdfunding. Este montante ajudou a pagar custos que os seguros não cobrem".

"Entre tais custos, refere o jornalista da CNN, constam "o transporte dos nossos pertences quando mudámos de Nova Iorque para Boston", "o apartamento mobilado de 4 mil dólares/mês".

Tudo isso para ficarem perto do hospital que proporcionou à filha "o tratamento mais avançado do mundo "— mesmo se o desfecho foi triste.

Comparação

A dor da perda da filha destaca-se no depoimento.

"E todavia a nossa família foi uma das felizes". Kaczynski compara a sua família com as famílias que não tinham "um excelente seguro de saúde", ou cujos patrões não continuaram a pagar-lhes. Casos em que um deles teve de despedir-se para cuidar da criança doente. O caso duma família que passou de 50 mil dólares a zero.

Famílias que se endividam para poder dar o melhor tratamento possível à criança. Uma luta de meses, de anos... como relataram ao jornalista Kaczynski — que após a morte da filha entregou a instituições todo o restante valor do crowdfunding.

"A minha mulher deixou o seu trabalho para cuidar do nosso filho a tempo inteiro. Alguns amigos criaram "crowdfundings" que nos ajudaram, mas o tratamento deixou-nos ainda com dívidas", relatou Tym Rourke, cujo filho sobreviveu a um cancro do cérebro.

"Mas a nossa é a interminável história do sufoco financeiro que acompanha os que sobreviveram ao cancro", prossegue Tym Rourke. "Há quinze anos que foi diagnosticado e este ano tivemos um aumento de 4 mil dólares de custos que o seguro não paga".

"O sufoco financeiro pode ser pela vida toda e temo que, com o passar dos anos, o meu filho vai ter de arcar com este peso financeiro que o vai impedir de melhorar a sua situação económica".

Debate sobre o edifício legal que tem de ser erguido

O debate em curso tem de partir do princípio de que a Saúde é um direito básico e que uma família com um filho doente deve poder contar com o Estado.

"Todos deviam poder ter a segurança social que é saber que em caso de doença grave dos filhos, o país vai ajudar. Isso devia ser o mínimo que no setor da Saúde podemos pedir aos EUA", como a senadora democrata Patty Murray expressou ao jornalista.

A senadora democrata espera poder mudar a situação atual em que a licença de assistência a familiar doente não é paga para uma licença paga pelo Estado, para evitar a perda de rendimento a quem tem de tratar dum familiar doente.

O jornalista destaca ainda que o Congresso vai proximamente apreciar o CCA-Credit for Caring Act/Crédito para Cuidados de Saúde, que é uma proposta apoiada pelos partidos, Republicano e Democrata.

Se vier a ser aprovado, o CCA irá disponibilizar um crédito até cinco mil dólares à família que cuida duma criança doente. O crédito (não reembolsável) será para os tais Outros custos (no 1º entretítulo): adaptação da casa, transporte, mudança de residência para estar mais perto do hospital, despesas de formação para o familiar cuidador.

Fontes: New York Times/CNN. Foto do IPO-Instituto Português de Oncologia, que desde 1960 é referência no tratamento desta doença incurável.

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