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Presa por "exagerar" notas académicas — Fraude em exame teve até travesti 15 Agosto 2021

Iris Chan, de 21 anos, foi detida esta quinta-feira, 12, por alegadamente "exagerar" as qualificações académicas com o objetivo de se autopromover no centro de explicações onde trabalha. A jovem explicadora arrisca uma pena de cinco anos de prisão e multa de c.seis mil contos. Aqui mais perto, no Senegal um estudante universitário travestiu-se para substituir amiga no exame de ingresso à universidade.

Presa por

Foi em abril que o centro de explicações de Kowloon City, na periferia de Hong Kong, gerido pela ex-estudante da Universidade de Hong Kong e o marido, começou a receber a atenção das autoridades hongkonguenses. Até então muito prestigiado, o centro atendia alunos da elite hongkonguense em busca de qualificações para ingressar no competitivo sistema universitário chinês.

A denúncia anónima, que veio abalar o prestígio do centro, apontava que as notas da jovem — várias notas máximas (A’s) e todas acima da média— seriam incompatíveis com a realidade.

Segundo o SCMP-South China Morning Post, a realidade é bem diferente daquela que o casal apresentou. Iris Chan não tem nenhuma nota máxima e até tem notas D (correspondente a ’medíocre’) no seu percurso pelo que acabou expulsa da universidade sem grau nenhum.

O casal foi afastado do centro enquanto as autoridades investigam os "crimes financeiros e lesivos do interesse dos consumidores", como estipula a lei na cidade-Estado. Recorde-se que Hong Kong tem estatuto especial desde a sua devolução à RP China em 1997 e que tem sido cenário de manifestações pró-democracia que a mão férrea de Pequim reprime.

Travestiu-se para fazer exame de ingresso à universidade

31 de julho era o terceiro dia da prova de ingresso ao ensino superior, o ’bac’ da francofonia. Como nos dois dias anteriores, os candidatos identificaram-se e entraram na sala. Só após a distribuição da última prova, a de inglês, é que o olho de lince duma professora vigilante se deu conta de que havia um erro de identidade, que a Gangué Dioum no BI era afinal o Khadim Mboup.

Khadim Mboup, estudante da universidade de Saint-Louis. Gangué Dioum, estudante liceal e candidata ao bac. O estudante de vinte e dois anos tinha aceitado ajudar a amiga de vinte anos, substituindo-a nas provas.

O seu plano conjunto, com ele a identificar-se como ela com o disfarce que o transformou, teve sucesso até um momento avançado da última prova.

Só ao terceiro dia, já a meio da prova é que uma professora vigilante verbalizou as suas suspeitas. O disfarce caiu, os dois foram presos e apresentados em tribunal.

A imprensa internacional (RFI, L’Express...) dá-os como namorados, na linha da imprensa senegalesa que pintou tudo com o "rosa do amor". Mas não: em tribunal ambos declararam que não há romance e sim amizade.

Segundo o advogado Assane Dioma Ndiaye que defendeu a estudante, Gangué Dioum declarou ao juiz que pediu a ajuda do amigo porque estava doente. Khadim Mboup deslocou-se de Saint-Louis para Diourbel, a 267 km de distância.

Esta segunda-feira ambos ouviram a mesma sentença: um mês de prisão. Ele por fraude, ela por cumplicidade.

Fontes: AFP/Africa News/L’Express/... Fotos: 1. (SCMP): Iris Chan "exagerou" nas qualificações. 2. (AFP): Khadim Mboup travestiu-se para substituir (no exame de ingresso à universidade) a amiga Gangué Dioum: vermelhos o vestido e o lenço de cabeça; pretos o lenço ao pescoço e os enfeites do vestido. O mapa do percurso mede a força da amizade... que acabou na cadeia.

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